Diretrizes para o Uso Responsável da Inteligência Artificial
No dia 15 de abril, representantes do Instituto Municipal de Turismo – Curitiba Turismo (Ctur) e de diversas secretarias municipais se reuniram para discutir a aplicação ética da inteligência artificial (IA) na administração pública. O evento, realizado no auditório da Fundação Cultural de Curitiba, marca um avanço na adaptação da gestão municipal às novas tecnologias, refletindo o compromisso com a segurança e a responsabilidade no uso da IA.
A superintendente do Curitiba Turismo, Tatiana Neves, enfatizou a importância desse encontro: “A inteligência artificial está evoluindo rapidamente e impacta diretamente as rotinas de trabalho. O desafio que enfrentamos é garantir que sua implementação ocorra de forma responsável e em conformidade com as diretrizes institucionais.”
Promovido pela Escola de Turismo, o evento apresentou a Norma de Governança nº 001/2026, que estabelece diretrizes para o uso estratégico e seguro das ferramentas de IA. O objetivo principal é nivelar o entendimento entre os servidores sobre a tecnologia e reforçar a responsabilidade no manuseio de dados e informações institucionais.
Aspectos Técnicos e Riscos da IA
A coordenação das orientações ficou sob a responsabilidade das especialistas Luiza Corteletti e Carla Flores, da Secretaria Municipal de Administração e Tecnologia da Informação (Smati). Durante a apresentação, foram abordados aspectos técnicos e operacionais, além dos riscos associados ao uso irresponsável da IA no setor público.
“A crença de que a inteligência artificial irá nos substituir demonstra uma compreensão equivocada de suas capacidades. A compaixão e o amor são características humanas que não podem ser replicadas pela IA”, afirmou Carla Flores, destacando que, apesar dos avanços, a tecnologia ainda pode apresentar resultados desconexos da realidade.
Uma classificação de riscos foi entregue aos servidores, que foram instruídos a evitar o compartilhamento de informações sensíveis e a promover um uso responsável das ferramentas. Além disso, um protocolo foi apresentado para guiar os servidores no uso da IA.
Protocolo de Uso da Inteligência Artificial
O protocolo inclui os seguintes passos:
- Identifique o nível de risco da tarefa: Avalie se a tarefa é de risco baixo, médio ou alto. Em caso de dúvida, consulte a Smati-TI. Essa avaliação inicial é crucial para garantir a segurança do processo.
- Anonimize dados pessoais: Elimine qualquer identificação pessoal antes de inserir informações na IA. Utilize apenas dados genéricos e agregados.
- Contextualize sua solicitação: Solicite que a IA cite fontes legais e referências oficiais, evitando que crie informações fictícias. Seja específico nas suas demandas.
- Revise o conteúdo gerado: A responsabilidade final sobre o material produzido pela IA é do servidor que o utiliza. Nunca copie e cole sem uma análise crítica completa.
- Verifique os fatos: Confirme a veracidade das informações e das fontes citadas pela IA, pois podem ocorrer “alucinações” por parte da tecnologia.
“A gestão ética e responsável da inteligência artificial é um desafio que todos na administração pública devem enfrentar. A diversidade, independência e a capacidade de agregar são fundamentais para a inteligência coletiva”, concluiu Luiza Corteletti.
O evento também serviu como um espaço para esclarecer dúvidas e promover a troca de experiências, ressaltando que, embora a tecnologia já esteja alterando as rotinas administrativas, é necessária uma maturidade institucional para evitar falhas, especialmente em segurança da informação e proteção de dados.
Atualmente, a Prefeitura de Curitiba já conta com uma inteligência artificial integrada ao Curitiba App, que auxilia os cidadãos com suas dúvidas sobre os serviços oferecidos pela administração pública.
