Documentário e ciência chegam às escolas públicas do litoral
Em agosto, estudantes de escolas públicas do litoral paranaense participaram de uma iniciativa que combina cinema, mediação científica e letramento ambiental. Realizada pelo Viralume – Laboratório de Comunicação Pública da Ciência da Universidade Federal do Paraná (UFPR) –, a ação trouxe o documentário Trecho Seis para o público escolar, promovendo debates sobre conservação marinha, biodiversidade e mudanças climáticas por meio de rodas de conversa com pesquisadores.
Parceria entre laboratórios e organizações fortalece ação
A atividade integra os projetos “Ciência pra Quê?” e “UFPR Na Sua Vida”, resultado de uma parceria que envolve o Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC), o NAPI Paraná Faz Ciência, a MarMaré e a Coalizão Paraná pela Década do Oceano. As sessões ocorreram no Colégio Estadual Maria Helena T. Luciano e no Colégio Estadual Indígena Guavira Poty, ambos em Pontal do Paraná.
O documentário retrata a história do pinguim Mawé, resgatado e reabilitado pela equipe do LEC após ser encontrado ferido. A narrativa do filme utiliza uma abordagem lúdica, dando voz e personalidade aos pinguins através da dublagem, facilitando a conexão dos estudantes com o tema.
Impacto direto na conscientização dos estudantes
No Colégio Estadual Maria Helena T. Luciano, a exibição aconteceu no dia 17 de agosto. A experiência de assistir ao filme e interagir com cientistas sensibilizou os alunos. Emanuel Galvão de Oliveira, estudante da escola, destacou a clareza da mensagem sobre preservação ambiental: “Achei muito bom porque incentiva as pessoas a jogarem menos lixo no mar e a não fazerem coisas ruins”. Ele também aproveitou para esclarecer dúvidas sobre o manejo dos animais, como o uso do termômetro anal em vez do laser, mostrando seu interesse em aprofundar o conhecimento.
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Fernanda Luna Santos, outra aluna, ressaltou o impacto da narrativa: “Gostei porque, depois de ele ter passado por tanta coisa e machucado a patinha, ele conseguiu ter uma ‘família’ com os outros pinguins e ter um final feliz”. Ela percebeu a importância do trabalho de reabilitação para a sobrevivência dos pinguins na região.
Professores destacam a conexão entre conteúdo e realidade local
Para os educadores, a iniciativa é uma ferramenta eficaz para aproximar o conteúdo curricular da vivência dos estudantes. Daniele Cristina Laufer Amaral, professora de Ciências e coordenadora do Clube de Ciências, avaliou positivamente a linguagem acessível e o uso de imagens que facilitaram o entendimento dos alunos. “Depois do filme, os alunos continuam discutindo e comentando sobre as perguntas que fizeram. O aprendizado realmente continua na sala”, afirmou.
Marcela Nascimento, professora de Química e Educação Financeira, destacou que abordar temas regionais desperta a consciência crítica dos jovens, especialmente em um contexto dominado pelas redes sociais. Ela ressaltou o estímulo à curiosidade causada pelo contato direto com pesquisadores, que despertam o interesse dos alunos pela ciência.
Exibição em escola indígena reforça identidade e compreensão do território
No Colégio Estadual Indígena Guavira Poty, a sessão ocorreu no dia 31 de agosto. A exibição aproximou crianças e jovens do cotidiano ligado ao mar, sem precisar sair da escola. Mateus Bravo de Oliveira, pedagogo da instituição, apontou que o filme fortalece a identidade da aldeia ao abordar temas ligados à natureza e ao território onde vivem.
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Maucon Oliveira Gonçalves, aluno do 9º ano, compartilhou a descoberta sobre a diversidade dos pinguins. “Achava que os pinguins eram todos iguais, mas aprendi que há diferenças no bico, no tamanho, no peso e até na plumagem. Fiquei surpreso ao ver como eles vivem e os desafios que enfrentam”, comentou, mostrando o alcance da iniciativa na ampliação do conhecimento dos estudantes.
Dialogar com a educação básica é prioridade do Viralume
Regiane Ribeiro, coordenadora do Viralume, reforçou a importância de aproximar projetos de comunicação científica da educação básica. Para ela, estar próximo dos estudantes é fundamental para identificar futuros cientistas e fortalecer a relação da universidade com a comunidade escolar.
Giselle Corrêa, pós-doutoranda da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, destacou que o projeto não só leva o resgate e cuidado dos pinguins às escolas, mas também apresenta uma nova linguagem, a do cinema, que nem sempre faz parte da rotina dos estudantes. A parceria entre instituições da UFPR amplia o alcance da ação e oferece novas possibilidades para os jovens envolvidos.
Construção coletiva para soluções sustentáveis
Mariana Lacerda, pesquisadora do LEC e da Coalizão Paraná pela Década do Oceano, ressaltou que mudanças ambientais só ocorrem com a colaboração entre diferentes pessoas e instituições. Ela destacou o papel da divulgação científica para conectar ciência e sociedade, transformando conhecimento em participação efetiva. O objetivo é expandir essas redes de colaboração, fortalecendo a proteção dos ecossistemas marinhos e costeiros com o engajamento direto da comunidade.
