Um espaço que redefine o conceito de incubadora
Em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, a Lions startups está construindo uma sede que rompe com o modelo convencional de escritórios de tecnologia. Inspirada em grandes empresas do setor, como o Google, a incubadora aposta em um ambiente integrado onde trabalho, aprendizado e convivência se fundem. A nova estrutura contará com academia, restaurante, refeitório próprio, heliponto e até um “berçário” para pets, refletindo a transformação cultural dos profissionais que valorizam a qualidade de vida e a flexibilidade no ambiente de trabalho.
Segundo André Paixão, CEO da Lions Startups, a intenção é criar um local onde as pessoas se sintam confortáveis e motivadas, rompendo com a lógica tradicional de espaços apenas para trabalho. O cuidado com os animais de estimação, por exemplo, representa a adaptação a uma nova realidade em que os pets são parte da rotina dos colaboradores, muitas vezes dificultando o retorno ao trabalho presencial.
Mais que um coworking: uma aposta estratégica no crescimento
Enquanto muitos hubs de inovação funcionam apenas como espaços de coworking, oferecendo infraestrutura básica e endereço para startups, a Lions adota uma abordagem mais profunda. O processo seletivo inclui análises jurídica, financeira e tecnológica para selecionar startups com potencial real de crescimento. As empresas aprovadas recebem suporte completo, que vai desde espaço físico e equipamentos até mentoria, governança, formação de profissionais e conexão com investidores.
Em troca, a incubadora adquire 10% da participação societária das startups, configurando um investimento indireto no sucesso dos negócios. “Não cobramos apenas aluguel, nosso interesse está em ver as startups prosperarem, o que gera retorno para reinvestir no ecossistema”, explica Paixão.
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Atualmente, a Lions abriga 12 startups em estruturação e já movimentou cerca de R$ 10 milhões. Com quase dois anos em operação, a expectativa é que o modelo alcance maior autonomia a partir do final de 2027.
Formação de talentos para sustentar o ecossistema
Um dos pilares do projeto é o Lions Dev, programa gratuito e presencial que oferece formação em tecnologia com laboratório próprio, aulas em três turnos, alimentação e suporte psicológico. Mais de 300 pessoas já foram capacitadas, muitas delas absorvidas pelas startups da própria incubadora.
Paixão menciona casos de transformação social, como o de um aluno que, antes trabalhando em serviços gerais, encontrou no curso uma oportunidade para ingressar na área tecnológica. Essa iniciativa atende a uma demanda crítica do setor: a escassez de profissionais qualificados. Em vez de aguardar o mercado, a Lions forma parte do talento que precisa para crescer.
Portfólio diversificado e foco na governança
A incubadora atua com uma estratégia multitese, sem restrições setoriais. Entre as startups destacam-se a Vida Exames, rede de franquias de análises clínicas com mais de 140 unidades comercializadas; a Agilizza, que conecta consumidores a prestadores de serviços; e a Sauvvi Tech, que facilita o acesso a serviços de saúde para quem não possui planos.
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Fonte: diretodecaxias.com.br
A Vida Exames ilustra o modelo de sucesso da Lions. Nascida dentro do ecossistema, a empresa avança na expansão por franquias e projeta alcançar R$ 100 milhões em valor até o final de 2026. A incubadora não se limita a entregar as startups após certo estágio, mas acompanha a governança, prepara para captação de recursos e conecta as empresas a investidores-anjos, ajudando inclusive em acordos societários e estrutura jurídica para facilitar o crescimento.
Por que Ponta Grossa é o cenário ideal?
A escolha dos Campos Gerais é estratégica. A proximidade com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) facilita o acesso a talentos, enquanto os novos investimentos industriais e empresariais na região atraem investidores e fortalecem o ecossistema local. Grandes indústrias estão se instalando na cidade, que se destaca como um polo emergente do Paraná.
A Lions mantém uma base em São Paulo para networking e planeja ampliar conexões em Curitiba, mas sua operação central permanece em Ponta Grossa. O fundador e patrocinador Oséias Gomes de Moraes, proprietário da Odonto Excellence, aposta no potencial de longo prazo do projeto: formar empresas capazes de crescer, captar investimentos e, quem sabe, alcançar o seleto grupo dos unicórnios, startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão.
