Investimentos em Ciência e Tecnologia no Paraná
Nesta quarta-feira (15), o Governo do Paraná apresentou os resultados operacionais do Fundo Paraná, uma importante iniciativa da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). Para 2025, o estado investiu R$ 609,7 milhões, um aumento de 4,8% em relação aos R$ 581,6 milhões do ano anterior. De acordo com a Lei Orçamentária Anual (LOA), a previsão para 2026 é de R$ 604,3 milhões. O balanço foi divulgado durante uma reunião do Conselho Paranaense de Ciência e Tecnologia (CCT Paraná), realizada na Fundação Araucária, em Curitiba.
No ano passado, os recursos foram distribuídos entre projetos em todos os 399 municípios do Paraná. O foco inclui desde a formação de capital humano especializado até a construção de infraestrutura científica e tecnológica. No total, foram disponibilizadas 7.065 bolsas de estudo e pesquisa, fortalecendo a formação de novos cientistas e ampliando a capacidade de pesquisa do estado. Esses investimentos estão em conformidade com a Política Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Pecti-PR 2024-2030), que visa integrar universidades, empresas e governo.
Projetos e Iniciativas Multidisciplinares
Os mais de 700 projetos apoiados pela Seti, com recursos do Fundo, enfrentam uma variedade de desafios previstos na Pecti-PR, sublinhando a natureza multidisciplinar das iniciativas. Algumas das prioridades incluem a popularização da ciência, a colaboração entre universidades, governo e setor privado, além do incentivo ao uso de tecnologias de informação e comunicação no serviço público. As ações também se concentram na formação de capital humano e na promoção da ciência e inovação no estado.
O secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Nelson Bona, ressaltou que os avanços na ciência no Paraná são resultado de um esforço contínuo e bem estruturado. “O progresso científico ocorre quando existe uma visão de longo prazo. O que observamos no Paraná é um esforço consistente para aumentar a capacidade de pesquisa e desenvolver um ecossistema de inovação que reaja às transformações globais, garantindo um desenvolvimento sustentável baseado no conhecimento”, declarou.
Resultados Históricos e Perspectivas Futuras
Bona também enfatizou que o Conselho Paranaense de Ciência e Tecnologia é a principal instância de deliberação do Fundo Paraná. “O investimento recorde de R$ 609,7 milhões no ano passado contrasta fortemente com os menos de R$ 80 milhões disponíveis em 2019. Esta reunião não apenas serve para apresentar contas, mas também para planejar 2026, elevando o Paraná a um novo patamar de investimento nesta área e envolvendo todo o Sistema Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação”, afirmou o secretário.
Entre as instituições que recebem recursos do Fundo Paraná, conforme a Lei nº 21.354/2023, estão a Seti, a Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial (Seia), a Fundação Araucária, o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR) e o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). Os gestores dessas instituições apresentaram ao CCT Paraná relatórios de prestação de contas de 2025, além das previsões orçamentárias para 2026.
Inovações e Estruturação do Sistema de Gestão
Um dos projetos destacados para 2025 é a revitalização do Parque da Ciência Newton Freire Maia, que receberá R$ 47,3 milhões. O espaço de divulgação científica contará com o planetário mais moderno da América Latina, equipado com uma cúpula imersiva de 18 metros e um auditório com capacidade para 300 pessoas. Com a estrutura, o parque espera receber até 140 mil visitantes por ano e oferecer simulações de mais de 9 mil corpos celestes, incluindo projeções de planetas e fenômenos astronômicos com tecnologia de ponta.
Outro projeto em destaque é o Unidata, que recebeu R$ 12 milhões para otimizar a gestão de dados acadêmicos nas sete universidades estaduais, facilitando processos e acesso à informação. O Complexo Pequeno Príncipe, localizado em Curitiba, também recebeu R$ 992,8 mil para adquirir equipamentos de alta complexidade, voltados para pesquisas em terapias avançadas contra doenças neurológicas, como Alzheimer.
Diretrizes da Nova Resolução
A reunião anunciou ainda a Resolução n.º 39/2026, que regulamenta a gestão técnica e distribuição de recursos, além do controle e avaliação das ações financiadas pelo Fundo Paraná. O normativo introduziu o Sistema Integrado de Gestão de Projetos (Sigep), que servirá como plataforma oficial para gerenciar todas as etapas das propostas, desde a solicitação até a execução e o encerramento.
Michel Jorge Samaha, coordenador da Unidade Executiva do Fundo Paraná (UEF), destacou que essa nova abordagem na governança representa um avanço na administração dos recursos públicos destinados à ciência. “Gerir um orçamento com essa complexidade exige padronização, transparência e controle rigoroso. O Sigep é uma ferramenta que integra todas as etapas, garantindo que os recursos sejam usados de forma responsável e transparente”, concluiu.
A nova resolução também reformulou a estrutura da UEF, que agora conta com uma assessoria técnica, duas coordenações e três núcleos focados em melhorias na gestão, monitoramento e governança de dados. O principal objetivo é padronizar processos, aumentar a transparência e assegurar a eficiência na aplicação dos recursos públicos.
