Defesa do voto feminino no centro da disputa política
Gleisi Hoffmann colocou a defesa do voto feminino como eixo central da campanha do Partido dos Trabalhadores (PT) ao Senado no Paraná durante um ato realizado no Assentamento 8 de Junho, em Laranjeiras do Sul, com militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A candidata destacou a eleição de 2026 como um embate direto contra a tentativa da extrema direita de impor a autoridade masculina na decisão política das mulheres. A fala de Gleisi foi uma resposta clara ao empresário e influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, que, em 25 de junho, afirmou em uma transmissão no YouTube que mulheres “votam mal”, especialmente as solteiras, e associou o voto das mulheres casadas ao desejo dos maridos.
O impacto do discurso sobre o voto familiar
A estratégia de Paulo Figueiredo não é um detalhe isolado na campanha. Ela busca transformar a dependência doméstica em argumento político, o que ganha relevância em um estado onde a violência contra mulheres permanece um problema concreto e com riscos reais à vida e à autonomia das eleitoras. Gleisi ressaltou a gravidade desse retrocesso, lembrando que o direito ao voto feminino foi conquistado no Brasil em 1932 e que hoje, novamente, essa conquista está sendo ameaçada por discursos que reforçam a submissão da mulher.
“É impressionante que hoje a gente volte a ouvir e discutir o direito de voto das mulheres. Algo que nós implantamos lá na década de 1930”, afirmou Gleisi. “Essa é a cabeça dessa gente que acha que a mulher tem que ser submissa. Então vamos falar com as mulheres, vamos apontar o que está em risco, que é a nossa vida, a nossa dignidade, a nossa segurança.”
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Fonte: agazetadorio.com.br
Violência e direito de voto: uma disputa integrada
O Código Eleitoral de 1932 garantiu o direito de voto às mulheres, mas a extrema direita tem tensionado esse avanço ao flertar com a lógica do voto familiar — conceito que pressupõe que a mulher deve votar conforme a orientação do marido. Embora essa ideia não tenha se concretizado em legislação, sua normalização no discurso político cria um ambiente de pressão e controle que afeta diretamente a autonomia feminina.
Os dados oficiais evidenciam a gravidade da situação no Paraná. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, entre janeiro e julho de 2026, o estado registrou 61 casos de feminicídio, o quarto maior número do país, com um aumento de 24,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 49 vítimas. Enquanto o Brasil teve uma redução nacional de 3,2% nos casos, a Região Sul registrou alta de 14,9%, reforçando o problema local.
Articulação política e posição do MST
Dr Rosinha, também candidato do PT ao Senado pelo Paraná, vinculou as eleições estaduais à disputa presidencial. Para ele, a eleição do presidente Lula tem impacto global, pois representa a resistência contra a extrema direita. O médico defende que o campo progressista enfrente temas como violência de gênero, homofobia, racismo e xenofobia.
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No cenário estadual, os principais candidatos incluem Requião Filho (PDT), Sergio Moro (PL) e Sandro Alex (PSD). Roberto Baggio, membro da direção nacional do MST, comparou o ato no Assentamento 8 de Junho ao lançamento da campanha de Lula no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo, em 16 de agosto, um marco histórico para o movimento operário brasileiro.
A escolha do assentamento para o evento carrega simbolismo. A ocupação da antiga Fazenda Giacomet-Marodin em 17 de abril de 1996 foi um dos maiores movimentos de reforma agrária da América Latina, envolvendo mais de 5,5 mil famílias em 24 comunidades.
Próximos passos da campanha petista
Após o encontro, a campanha do PT no Paraná traçou uma linha clara: defender Lula, as candidaturas ao Senado e a reforma agrária enquanto lança um desafio direto às eleitoras. A pergunta que guia o discurso é objetiva: quem quer governar o país reconhece a mulher como sujeito político pleno ou aceita mantê-la sob tutela masculina? Essa questão sintetiza o embate central da eleição no estado, que ultrapassa o campo eleitoral e dialoga com as condições reais de vida e segurança das mulheres.
