Uma releitura do mito de Medusa
O espetáculo Drolmas estreia no dia 17 de setembro no Espaço Excêntrico Mauro Zanatta, em Curitiba, trazendo ao palco uma visão contemporânea do mito de Medusa e suas irmãs górgonas. Com temporada gratuita até 4 de outubro de 2026, a peça combina referências da cultura grega, budista e popular brasileira para criar uma narrativa que atravessa tempo e espaço.
Dramaturgia e direção que exploram o corpo e a voz feminina
Idealizada e atuada por Samara Rocha, que também assina a dramaturgia, e sob direção de Giorgia Conceição, a montagem aborda temas como violência, silenciamento, desejo, envelhecimento e transformação. O trabalho se apoia em uma dramaturgia corporal, com as atrizes Ana Decker, Katia Horn e Samara dialogando em cena por meio da dança, do canto e do movimento contínuo, transbordando linguagens teatrais.
Samara explica que o processo criativo começou em 2022 a partir de encontros entre mulheres artistas. Cada uma dessas reuniões influenciou as sucessivas versões do texto, marcando profundamente a obra. “Drolmas foi sendo construído por muitas mulheres, em diferentes momentos do processo. Cada encontro foi deixando uma marca na obra”, revela a atriz e dramaturga.
Simbolismo das irmãs górgonas e o caminho para a cura
Na dramaturgia, Medusa, Euríale e Esteno são representadas por imagens que remetem ao lodo, ao caule e ao lótus — símbolos de transformação e iluminação. A trajetória das irmãs atravessa diferentes tempos e corpos até alcançar a flor de lótus, que simboliza a passagem da lama para a possibilidade de cura.
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O título Drolmas faz referência a uma figura feminina do budismo tibetano, ligada ao aspecto do Buda feminino. Para Samara, essa escolha dialoga diretamente com a narrativa das górgonas, mulheres silenciadas e transformadas em monstros pela sociedade. “Medusa, Euríale e Esteno são também etapas de uma travessia pelas violências, adaptações, resistências e possibilidades de libertação vividas pelas mulheres”, complementa a autora.
Elementos teatrais que ampliam a experiência
Com uma direção que incorpora pesquisas no burlesco, vaudeville e teatro de variedades, Giorgia Conceição aposta em uma montagem que equilibra densidade temática com uma estética sedutora e envolvente. A peça se aproxima de uma opereta vaudevillesca, repleta de apelo visual e cênico, que mantém o público atento e conectado.
A trilha sonora mescla composições dirigidas por Edith de Camargo, marchinhas de carnaval e gravações históricas das cantoras Carmen e Aurora Miranda. A inspiração do ato final, Lótus, vem do álbum dos anos 1970 do artista Pedro Sorongo. As intérpretes, com idades entre 45 e 60 anos, trazem à cena uma reflexão sobre beleza, desejo, julgamento, autonomia e violência na maturidade, conectando suas experiências pessoais aos temas do espetáculo.
Engajamento social e acessibilidade
Drolmas também percorreu escolas públicas, casas de passagem e outros espaços comunitários durante sua criação, aproximando o trabalho de adolescentes, mulheres trans, travestis e pessoas em situação de rua. Essa circulação amplia o diálogo da peça com públicos tradicionalmente marginalizados.
A programação inclui ainda oficinas de Libras, conduzida por Nathan Sales, e de Contação de Histórias, com Samara Rocha. As inscrições estão disponíveis no perfil @coletivodrolmas em redes sociais. Sessões com interpretação em Libras estão previstas para a estreia e todos os sábados da temporada.
Serviço
Drolmas
Temporada: 17 de setembro a 4 de outubro de 2026
Local: Espaço Excêntrico Mauro Zanatta (Rua Lamenha Lins, 1429, Rebouças, Curitiba)
Datas e horários: 17, 18 e 19 de setembro, às 20h; 20 de setembro, às 19h; 24, 25 e 26 de setembro, às 20h; 27 de setembro, às 19h; 1º, 2 e 3 de outubro, às 20h; 4 de outubro, às 19h
Sessões com Libras: 17, 19 e 26 de setembro e 3 de outubro, às 20h
Duração: 1h10; classificação: 14 anos
Entrada: gratuita; ingressos distribuídos uma hora antes de cada apresentação; capacidade: 50 lugares
Realização: Coletivo Drolmas e Les Paranauês Cia Criativa, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.
Ao unir mitologia, budismo e cultura popular brasileira, Drolmas propõe uma reflexão sobre as múltiplas formas de resistência e transformação das mulheres, convidando o público a revisitar um mito clássico sob uma perspectiva atual e plural.
