Uma nova narrativa para Medusa e suas irmãs
O teatro de Curitiba recebe uma releitura instigante do mito das górgonas na peça “Drolmas”. O espetáculo propõe uma mistura inusitada entre a mitologia grega, o budismo tibetano e elementos da cultura popular brasileira. Em cartaz de 17 de setembro a 4 de outubro, no Espaço Excêntrico Mauro Zanatta, a montagem traz as atrizes Ana Decker, Katia Horn e Samara Rocha em cena, oferecendo ao público uma experiência que atravessa diferentes linguagens teatrais. A entrada é gratuita, ampliando o acesso à produção cultural local.
Temas profundos em uma dramaturgia coletiva
Assinada por Samara Rocha e dirigida por Giorgia Conceição, a dramaturgia de “Drolmas” emerge de encontros entre mulheres artistas iniciados em 2022. A construção do texto percorreu diversas fases, com leituras e ensaios que transformaram a obra em um processo coletivo. A peça aborda questões como violência, silenciamento, desejo, envelhecimento e transformação. Em cena, as atrizes cantam, dançam e se movimentam constantemente, refletindo sobre essas experiências com sensibilidade.
Da lama ao lótus: símbolos de uma jornada feminina
A narrativa se estrutura em torno das três irmãs Medusa, Euríale e Esteno, que atravessam tempos e corpos distintos até alcançar a flor de lótus, símbolo de transformação e iluminação. O título “Drolmas” faz referência a Drolma, figura do budismo tibetano que representa o aspecto feminino do Buda. A peça destaca a escolha consciente de uma mulher buscando a iluminação dentro de seu corpo feminino, conectando o mito às histórias reais de mulheres silenciadas ou transformadas em monstros. Essa travessia simboliza as violências e resistências que permeiam a experiência feminina ao longo da história.
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Um espetáculo em constante movimento
Com uma direção que incorpora elementos do burlesco, vaudeville e teatro de variedades, Giorgia Conceição confere à montagem um caráter sedutor e envolvente, apesar da densidade dos temas. A música e a dança ganham destaque, transformando a peça em uma espécie de opereta vaudevillesca. A trilha sonora, sob direção musical de Edith de Camargo, inclui marchinhas de carnaval, gravações históricas de Carmen e Aurora Miranda, além de influências do álbum dos anos 1970 do artista Pedro Sorongo, que inspira o ato final, intitulado “Lótus”.
Corpos que contam histórias de vida
As intérpretes, mulheres maduras com idades entre 45 e 60 anos, trazem para o palco suas memórias e vivências. Seus corpos refletem debates sobre beleza, desejo, envelhecimento, julgamento, autonomia e violência. Esse aspecto fortalece a conexão da peça com questões reais que atravessam a vida das mulheres, ampliando o diálogo com o público.
Circulação e formação para além do palco
Durante o processo de criação, “Drolmas” foi apresentado a diversos públicos, incluindo adolescentes, mulheres trans e travestis, pessoas em situação de rua e frequentadores de casas de passagem e escolas públicas. Essa circulação reforça o compromisso do coletivo com a diversidade e a inclusão cultural. Além da temporada, o projeto oferece duas oficinas formativas: uma de Libras, ministrada por Nathan Sales, e outra de Contação de Histórias, conduzida por Samara Rocha. As inscrições estão disponíveis via formulários indicados no perfil @coletivodrolmas no Instagram. Sessões com tradução em Libras acontecem na estreia e em todos os sábados da temporada.
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Fonte: ocuiaba.com.br
Serviço e informações práticas
“Drolmas” estará em cartaz de 17 de setembro a 4 de outubro de 2026, no Espaço Excêntrico Mauro Zanatta, localizado na Rua Lamenha Lins, 1429, bairro Rebouças. As apresentações ocorrem em horários variados, com sessões às 19h ou 20h, conforme a programação específica. A duração do espetáculo é de 1h10, e a classificação indicativa é para maiores de 14 anos. A entrada é gratuita, com ingressos distribuídos uma hora antes de cada sessão. A capacidade do espaço é limitada a 50 lugares. A realização é do Coletivo Drolmas e da Les Paranauês Cia Criativa, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.
