Partidos do centrão reforçam domínio nos governos estaduais
SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) – A recente eleição estadual desenhou um novo mapa político no Brasil, marcando a ampliação da influência da direita, especialmente dos partidos do centrão, e a consolidação do PT no Nordeste. O PL emerge como a legenda com maior número de governadores, expandindo seu comando para seis estados, enquanto o PT mantém seus quatro governos estaduais, concentrados na região nordestina.
O Partido Liberal (PL) saiu do pleito com um avanço significativo. Além de manter o controle no Rio de Janeiro e Santa Catarina, estados onde venceu há quatro anos, o PL conquistou o Rio Grande do Sul, Paraná, Rondônia e Roraima já no primeiro turno. O crescimento da legenda, entretanto, não foi absoluto: no Amazonas, onde a candidata Maria do Carmo Seffair (PL) disputava o segundo turno, ela foi derrotada pelo senador Omar Aziz (PSD).
Republicanos e PP dobram número de governadores
O Republicanos e o Progressistas (PP), partidos que orbitam a base bolsonarista mas não integraram a chapa de Flávio Bolsonaro (PL), dobraram sua presença nos governos estaduais. Cada um comandará quatro estados a partir de 2027. O Republicanos consolidou sua força no Sudeste, elegendo Tarcísio de Freitas em São Paulo e Cleitinho em Minas Gerais no primeiro turno, além de vencer no Espírito Santo com Lorenzo Pazolini no segundo turno. A legenda também governará Mato Grosso.
O PP apostou na reeleição de governadores que assumiram mandatos após renúncias. Celina Leão (Distrito Federal) e Mailza Assis (Acre), ambas vitoriosas no segundo turno, figuram nesse grupo. No primeiro turno, o partido já havia eleito Eduardo Riedel em Mato Grosso do Sul e Lucas Ribeiro na Paraíba, sendo este o único entre eles alinhado ao presidente Lula.
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Fonte: aquiribeirao.com.br
PT mantém hegemonia no Nordeste
O Partido dos Trabalhadores (PT) repetiu o desempenho da eleição anterior, governando quatro estados, todos no Nordeste. Foram reeleitos Jerônimo Rodrigues (Bahia), Elmano de Freitas (Ceará) e Rafael Fonteles (Piauí) já no primeiro turno. No segundo turno, o petista Cadu de Lula, ex-secretário da Fazenda da governadora Fátima Bezerra (PT), venceu no Rio Grande do Norte por margem estreita, derrotando o ex-prefeito Allyson Bezerra (União Brasil). Essa vitória reforça uma hegemonia que deve durar até 2030.
Apesar da força regional, o PT perdeu no Distrito Federal, onde o candidato Leandro Grass foi derrotado pela governadora Celina Leão (PP). As outras legendas de esquerda também não conseguiram eleger governadores. PSB, PDT, PV, PSOL e Rede ficaram sem representantes nos cargos estaduais, com o PSB registrando a primeira ausência desde 1990. Assim, o PT é a única legenda da esquerda com governadores neste século.
PSD se consolida no Norte e Nordeste, enquanto MDB e União Brasil perdem espaço
O PSD, com cinco governadores eleitos, confirma seu papel como principal força do centro político, mas com mudança geográfica e ideológica. Apoiado por Ronaldo Caiado, nome tradicional da direita, na eleição presidencial, o partido elegeu governadores no Norte e Nordeste, como Omar Aziz no Amazonas e líderes em Pernambuco, Maranhão, Sergipe e Amapá. Essa nova configuração difere do quadro anterior, que incluía estados do Sul como Paraná e Rio Grande do Sul.
Por outro lado, o MDB sofreu perdas significativas, reduzindo sua presença para um único governo estadual, com Daniel Vilela em Goiás. Antes dominante, o partido viu os clãs Barbalho e Calheiros perderem disputas importantes, incluindo a derrota do governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço (MDB), para Lorenzo Pazolini (Republicanos).
O União Brasil, que detinha quatro governadores em 2022, não conquistou nenhum neste pleito. Derrotas no segundo turno em Tocantins e Rio Grande do Norte, após resultados negativos no primeiro turno em outros estados, marcaram o retrocesso da legenda. Já o PSDB conseguiu surpreender ao eleger dois governadores, JHC em Alagoas e Vicentinho Júnior em Tocantins, ainda que esteja longe do desempenho histórico do partido.
Novos atores e desafios para os partidos tradicionais
O Podemos conquistou seu primeiro governo estadual com a eleição de Dr. Daniel no Pará. Enquanto isso, partidos tradicionais enfrentam retração em meio a novos arranjos políticos. O cenário atual reflete uma mudança profunda nas estratégias eleitorais e nas alianças partidárias, com consequências diretas no equilíbrio de poder nos estados.
O resultado das eleições estaduais expõe um mapa político em transformação, onde o centrão consolida seu protagonismo, a esquerda se concentra em territórios específicos e o centro-esquerda redesenha suas bases geográficas. O próximo desafio será a articulação administrativa e política desses governadores diante dos desafios regionais e nacionais que se apresentam.
