Compromisso empresarial com a sustentabilidade em debate
O Congresso Sesi ODS 2026, realizado nos dias 28 e 29 de outubro no Campus da Indústria em Curitiba, destacou a urgência de transformar compromissos ambientais e sociais em ações efetivas nas empresas. Promovido pelo Sesi Paraná, o evento atraiu empresários, especialistas e representantes de organizações para discutir os desafios da sustentabilidade e seus impactos na competitividade da indústria.
Com foco no tema “Governança para transformar sustentabilidade em prática”, o congresso explorou a integração dos critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) nas decisões empresariais. Foram compartilhadas experiências que envolvem a redução das emissões de carbono e a inclusão profissional, apontando caminhos para o setor industrial avançar em sustentabilidade.
Contexto nacional e desafios para os ODS
O debate ocorre em um momento de atenção ao cumprimento da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). Um relatório divulgado em 2026 revelou que apenas 36% das 139 metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) com dados disponíveis estavam no caminho certo ou apresentavam progresso moderado. Metade delas avançava lentamente, enquanto 15% retrocediam em relação a 2015.
Para Hugo Molina, superintendente do Sesi Paraná, é essencial que as empresas avancem além dos compromissos formais. Segundo ele, “os desafios da sustentabilidade exigem que as organizações transformem compromissos em decisões e iniciativas capazes de gerar resultados concretos”.
Governança e competitividade industrial
Especialistas reforçaram que a sustentabilidade deixou de ser um tema apenas ligado à imagem empresarial e passou a influenciar diretamente o planejamento, investimentos e a permanência dos negócios no mercado. Sandro Beneli, especialista em governança, destacou a importância de decisões que considerem os efeitos sobre trabalhadores, consumidores, fornecedores e sociedade.
Ele ressaltou que “não há conflito entre gerar lucro e fazer o bem”, enfatizando que o problema está na forma como o lucro é obtido, por exemplo, sem respeitar colaboradores ou o meio ambiente.
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Fonte: bh24.com.br
Potencial e obstáculos do Brasil no cenário global
O empresário Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, destacou as vantagens competitivas do Brasil, como a biodiversidade, os recursos naturais, o potencial energético e o mercado consumidor. “O Brasil talvez seja um dos poucos países do mundo que consegue combinar protagonismo nos mundos do ESG 1.0 e ESG 2.0”, afirmou.
Mesmo com esse potencial, Troyjo apontou desafios como o custo do capital, a carga tributária e a necessidade de aumentar investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Experiências empresariais em práticas sustentáveis
O congresso contou ainda com painéis de empresas como Andali, Herbarium e Sulfoquímica, que compartilharam suas trajetórias em gestão, sucessão familiar e adoção de práticas sustentáveis. Elis Senem, da Andali, afirmou que a confiança nas relações empresariais depende da coerência entre discurso e atitude.
Na Sulfoquímica, Vitor Hugo Bach Pereira ressaltou que regras precisam ser acompanhadas por mudanças culturais para surtir efeito: “Mais importante do que documentos é a cultura e o exemplo no dia a dia”.
Rafael Mattos, da Herbarium, falou sobre os desafios de crescer sem perder a essência, especialmente em processos de expansão e adaptação a novos mercados.
Descarbonização e inclusão profissional
Entre os temas do congresso, a descarbonização da indústria ganhou destaque com a participação de empresas no Programa Sesi Descarbonização, que identifica oportunidades para reduzir emissões de gases de efeito estufa nos processos industriais.
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Fonte: rjnoar.com.br
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Fonte: cidaderecife.com.br
Dados do Balanço Energético Nacional 2025, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), indicam que fontes renováveis representaram 50% da oferta interna de energia do Brasil em 2024, chegando a 64,4% no setor industrial. Ainda assim, especialistas reforçaram a necessidade de avanços em eficiência energética, uso de matérias-primas, logística e redução dos impactos ambientais.
Outro destaque foi o Selo Sesi Indústria Parceira do Migrante, que reconhece empresas comprometidas com a inclusão de migrantes e refugiados no mercado de trabalho, promovendo acolhimento, valorização profissional e respeito às diferenças culturais.
Do debate à ação: desafios para o futuro
O congresso também promoveu uma mostra de projetos, permitindo que participantes conhecessem iniciativas variadas. Carolina Gar, da Cresol Integração, avaliou positivamente o formato dinâmico e a troca de experiências.
Fernando Mizote, diretor do Sistema Fiep e coordenador do Conselho Temático de Responsabilidade Social, reforçou a importância de incorporar a sustentabilidade às estratégias industriais, conectando gestão, competitividade e responsabilidade social e ambiental.
Ao finalizar a edição de 2026, Hugo Molina afirmou que o principal resultado esperado é a continuidade das iniciativas apresentadas. “A sustentabilidade ganha força quando deixa de ser intenção e se transforma em ação”, destacou.
A próxima edição do Congresso Sesi ODS está marcada para 2027. Até lá, o desafio é incorporar os debates de sustentabilidade nas decisões diárias das empresas, conciliando crescimento econômico, responsabilidade ambiental e desenvolvimento social.
