A nova jornada de Bella Campos
Bella Campos, aos 28 anos, chega à redação do GLOBO com os cabelos lisos. A repórter, que a viu transformar a imagem de dezenas de mulheres ao incentivar o uso de cabelos cacheados e naturais, destaca a surpresa diante da mudança. Com bom humor, Bella responde: “Podemos ser muitas e fazer o que quiser, não é?”. Desde que interpretou a Muda na novela “Pantanal”, a atriz não deixou que colocassem rótulos em sua carreira. Para ela, o poder de escolha é um aspecto fundamental do sucesso. Recentemente, decidiu cortar radicalmente as madeixas, sinalizando sua busca por liberdade.
A artista também está voltando suas atenções para o cinema. Atualmente, está em cartaz com “Cinco tipos de medo”, filme de Bruno Bini, que conquistou quatro Kikitos no último Festival de Gramado. Além disso, integra o elenco do inédito “Por um fio”, de David Schurmann, e finaliza as filmagens de “A estranha na cama”, um thriller erótico no qual contracena com Paolla Oliveira e Emilio Dantas. Em uma participação no videocast “Conversa vai, conversa vem”, Bella compartilha suas reflexões sobre empoderamento e liberdade individual.
Reflexões sobre a mulher na sociedade
Em “Cinco tipos de medo”, Bella interpreta Marlene, uma enfermeira que enfrenta uma relação abusiva. Ao ser questionada sobre a importância de retratar esse tema, ela comenta: “Com os altos índices de feminicídio e violência contra a mulher, é crucial mostrar alternativas. O conhecimento e a educação financeira são fundamentais para a emancipação feminina. Porém, é preciso que haja condições adequadas para que essas mulheres consigam fazer a mudança em suas vidas. Marlene é um reflexo da realidade de muitas mulheres hoje”.
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O filme também aborda medos universais, como a solidão e a falta de recursos financeiros. Ao falar sobre o que mais a assusta, Bella é clara: “Não ter poder de escolha. Trabalho para ser dona do meu caminho. Não aceito limitações na minha expressão. Há regras que devemos seguir, mas muitas vezes são impostas pela misoginia e pelo racismo, que determinam onde acreditam que devemos estar”. Bella destaca a urgência em ocupar o espaço que acredita ser seu e a pressão que enfrenta: “Recentemente, comprei meu apartamento e já escutei sugestões de que deveria ter uma mansão. Estou simplesmente conhecendo o mundo e investindo em viagens”.
Cobradas por padrões impostos
A atriz revela que, ao se tornar uma figura pública, passou a receber cobranças sobre seu estilo e comportamento: “A partir do momento em que você se torna uma atriz global, parece que existe um manual de conduta. Hoje estou muito bem vestida, mas há momentos em que quero usar uma roupa mais simples”. Ela busca liberdade para ser quem realmente é e não se deixar prender por expectativas alheias. “Se eu tiver que me comportar de uma maneira específica o tempo todo, estarei como prisioneira, sem ter vencido”, acrescenta.
Ao refletir sobre suas escolhas, Bella admite que precisou ser estratégica em alguns posicionamentos. “Compreendi que em ambientes onde a misoginia prevalece, preciso me manifestar. Meu caminho não foi fácil; ninguém me deu nada”, afirma. Ao ser questionada sobre as críticas que recebeu por seu papel como Maria de Fátima, ela demonstra confiança: “Acredito que, se não tivesse feito esse papel, não teria me tornado quem sou hoje. O importante é que, independentemente das opiniões, eu fiz o que acreditava ser certo”.
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Superando desafios e buscando autoconhecimento
A trajetória de Bella é repleta de desafios. Em sua carreira, passou de balconista a protagonista de novela em apenas cinco anos. A pressão e a intensidade a levaram a descobrir a importância da terapia: “Durante as gravações de ‘Vai na fé’, enfrentei uma fase de depressão. Fiquei anestesiada e não conseguia sentir nada, nem mesmo felicidade. Estar com a família e fazer terapia se tornaram essenciais nesse processo”.
Agora, Bella está em busca de lidar com questões emocionais mais profundas. “Desde pequena, minha mãe se mudou para a Itália em busca de trabalho. Isso gerou um sentimento de abandono que preciso trabalhar. Acredito que é vital expressar nossa raiva e insatisfação. Temos o direito de nos posicionar sem sermos estereotipadas”, destaca.
Outro ponto importante em sua jornada é a construção da autoestima, especialmente relacionada ao cabelo crespo. “Cresci vendo as mulheres ao meu redor alisando o cabelo. Quando comecei a fazer a transição, percebi que estava mais bonita com meu cabelo natural. Hoje, minha irmã, de 15 anos, tem cabelos cacheados, e isso é uma grande vitória para mim”, conclui.
Um futuro promissor
Em meio a tudo isso, Bella Campos também se destaca no mundo publicitário, atraindo marcas interessadas em sua conexão com a geração Z. Ela revela: “A construção da minha carreira me fez perceber a importância da estratégia. Se não tiver um plano, não importa quanto dinheiro eu tenha, tudo pode ir por água abaixo. Acredito que é fundamental dividir experiências humanas e ser autêntica. Essa geração não se deixa enganar facilmente e não busca a perfeição”.
Sobre seu sucesso, Bella não hesita em afirmar: “Sim, estou em um bom momento financeiro e pretendo crescer ainda mais”.
