Movimento por Direitos e Justiça Social em Curitiba
A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), dará início neste sábado (14), às 10h30, em Curitiba, a um movimento suprapartidário que visa combater a escala 6×1 e o feminicídio. O evento será realizado na sede do Sindiquímica, localizada na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), e faz parte da série de encontros intitulada “Diálogos pelo Paraná e pelo Brasil”, coordenada pelo vereador Angelo Vanhoni, presidente municipal do PT.
A escolha do local e dos temas abordados não é mera coincidência. Ao relacionar a extenuante jornada de trabalho com a violência contra as mulheres, Gleisi busca dialogar com a realidade de quem enfrenta o dia a dia marcado por trabalho desgastante, desafios no transporte, obrigações domésticas e insegurança social. Essa agenda propõe uma intersecção entre as questões trabalhistas, os direitos femininos e a mobilização popular, especialmente em um momento em que o PT tenta resgatar a pauta social como um elemento central nas discussões políticas no Paraná.
Uma Frente Ampla em Prol da Justiça Social
O evento promete reunir diversas militâncias, incluindo segmentos partidários, culturais, sindicais, juvenis, entre outros. A proposta vai além de um simples ato de partido; a ideia é consolidar uma ampla frente política que pressione em torno de duas bandeiras com grande ressonância popular: a redução da carga horária imposta pela escala 6×1 e o enfrentamento da violência brutal contra as mulheres.
Gleisi chega a este encontro após uma intensa agenda de compromissos e anúncios no estado. Na quinta-feira (12), ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ela participou da divulgação de um pacote de R$ 2,08 bilhões em investimentos federais voltados à infraestrutura de transportes no Paraná. Entre as principais iniciativas estão o Contorno Sul Metropolitano de Maringá, com R$ 409 milhões; a finalização da BR-487, a Estrada Boiadeira, com um investimento de R$ 321,2 milhões; além de reformas no Aeroporto Regional de Maringá, orçadas em R$ 129 milhões, e a concessão do canal de acesso ao Porto de Paranaguá, que pode chegar a R$ 1,2 bilhão.
Trabalho e Saúde: Desafios e Avanços
Durante a cerimônia no Planalto, Gleisi destacou que essas obras representam a conclusão de lutas históricas e integram um esforço abrangente do governo federal para destravar a logística e promover o desenvolvimento no Paraná. O discurso carrega um forte peso político, pois vincula a presença da ministra a resultados concretos, distantes apenas de disputas retóricas contra a oposição de direita.
No dia seguinte, em Curitiba, a ministra voltou a estar em evidência ao participar da apresentação de um novo pacote de saúde para o estado, dentro do programa Agora Tem Especialistas. Entre as entregas, foram anunciadas 39 ambulâncias para o SAMU 192, oito unidades odontológicas móveis, 216 equipamentos para Unidades Básicas de Saúde (UBSs), além de dois conjuntos de equipamentos cirúrgicos, totalizando R$ 22,3 milhões, parte de um montante maior que supera R$ 814 milhões em propostas selecionadas pelo Novo PAC Saúde no Paraná.
Rumo a 2026: Um Gesto Político Estratégico
Esses eventos da semana ajudam a contextualizar o movimento que ocorrerá neste sábado (14). Gleisi equilibra sua visibilidade institucional, ao lado de Lula e dos ministérios, com uma presença territorial significativa e um discurso voltado para questões sociais na capital paranaense. A transição de sair do Planalto, passar pelos anúncios de saúde e chegar a um encontro na CIC demonstra uma costura de obras, prestação de serviços e mobilização de base em torno de uma única narrativa.
Além disso, há um horizonte político mais amplo em jogo: o ato em Curitiba reforça a imagem de Gleisi como uma liderança nacional com profundas raízes no Paraná, capaz de dialogar com sindicatos, movimentos feministas, a juventude e as periferias urbanas, sem abrir mão de sua visibilidade governamental. Em um cenário onde a direita se apresenta com forte aparato midiático e econômico, a ministra busca ocupar o espaço popular com uma agenda que reflete a vida cotidiana, que toca no contracheque, no cansaço físico e na segurança das mulheres.
Ao deixar o ministério no próximo dia 31 para concorrer a uma vaga no Senado em 2026, Gleisi transforma o evento deste sábado em Curitiba em uma estratégia de reposicionamento político. Ao escolher pautas de apelo como o fim da escala 6×1 e o combate ao feminicídio, ela demonstra a intenção de levar para sua campanha uma plataforma que se alicerça nas questões laborais, nos direitos das mulheres e na presença efetiva do governo Lula no Paraná. Essa movimentação reforça sua transição de uma facilitadora institucional em Brasília para uma protagonista eleitoral no estado, na qual buscará converter as entregas, o discurso social e a mobilização em capital político nas urnas.
Portanto, a plenária deste sábado transcende a mera realização de um evento partidário. Trata-se de uma operação política que conecta direitos sociais, as entregas do governo Lula e a reorganização do campo progressista no Paraná. Ao colocar a escala 6×1 e o feminicídio no centro do debate, Gleisi Hoffmann sinaliza que a disputa de 2026 também se entrelaça com a vivência cotidiana, o direito ao descanso e a defesa da vida das mulheres.
