A proposta de Moro para segurança pública no Paraná
Sergio Moro (PL) decidiu transformar sua admiração pela política de segurança de Nayib Bukele, presidente de El Salvador, em uma ação concreta. Candidato ao governo do Paraná, o senador anunciou que, caso seja eleito, pretende construir um presídio estadual de segurança máxima e nomeá-lo como “El Salvador”.
Essa escolha é uma homenagem direta ao país dirigido por Bukele, que se tornou referência para alguns setores da direita latino-americana ao unir uma política rigorosa de repressão às gangues com prisões em massa e um regime prolongado de exceção.
Evento e anúncio público
O anúncio foi feito durante um congresso de segurança pública promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em São Paulo. Entre os presentes estava Gustavo Villatoro, ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador. Moro aproveitou a presença do representante do governo salvadorenho para defender a experiência do país como um exemplo a ser seguido pelo Paraná.
Segundo o senador, a construção do presídio permitiria que o estado tivesse uma unidade própria para abrigar presos de alta periculosidade, reduzindo a dependência das penitenciárias federais para esse tipo de detento. A escolha do nome evidencia o vínculo que Moro deseja estabelecer entre sua política de segurança e a estratégia adotada em El Salvador.
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Contexto e inspirações da política salvadorenha
O combate às gangues se tornou uma das principais bandeiras de Bukele, acompanhando uma expressiva redução dos homicídios no país e fortalecendo sua popularidade. Contudo, essa política também enfrenta críticas e denúncias de organizações internacionais de direitos humanos.
Desde março de 2022, El Salvador está sob um regime de exceção, instaurado inicialmente em resposta ao aumento dos homicídios e prorrogado sucessivamente. Durante esse período, milhares de pessoas foram presas, e denúncias de detenções arbitrárias, tortura, maus-tratos e mortes sob custódia estatal foram documentadas por entidades de direitos humanos.
O Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), inaugurado em 2023, é um megapresídio projetado para abrigar até 40 mil detentos e se tornou símbolo dessa política. Imagens oficiais mostrando presos sob forte vigilância reforçam a estratégia de comunicação do governo Bukele.
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Repercussão eleitoral e influência na direita brasileira
A proposta de Moro reflete como o modelo de El Salvador tem ganhado espaço entre setores da direita no Brasil durante o processo eleitoral de 2026. O endurecimento penal e o combate rigoroso às organizações criminosas, associados à política de Bukele, são apresentados por alguns políticos como referências para enfrentar o crime organizado no país.
Além de Moro, outros candidatos da direita, como Flávio Bolsonaro (PL), também incorporaram elementos da política de segurança salvadorenha em suas propostas. Políticos como Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado elogiaram aspectos do sistema prisional de El Salvador, ainda que reconheçam diferenças significativas entre os contextos dos países.
Essa estratégia ocorre em um momento em que a segurança pública se destaca na agenda eleitoral, com candidatos defendendo medidas rigorosas para o enfrentamento ao crime. Ao associar explicitamente seu projeto a Bukele, batizando um presídio com o nome “El Salvador”, Moro torna essa referência um dos pilares de sua plataforma para a segurança no Paraná, sinalizando um aprofundamento dessa linha política no estado.
