Excesso de chuva e geadas comprometem qualidade do milho no Oeste do Paraná
As lavouras de milho na região Oeste do Paraná, que já haviam resistido a um calendário apertado e às adversidades climáticas da segunda safra, agora enfrentam um novo desafio no momento da colheita. O excesso de chuva e a ocorrência de geadas afetaram a qualidade dos grãos, resultando em um aumento significativo do milho ardido, que apresenta menor valor comercial e pode comprometer a remuneração dos produtores.
O presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, explica que o problema está concentrado principalmente nas áreas plantadas em fevereiro de 2026 e que estão sendo colhidas nesta segunda quinzena de agosto. “Uma parte da segunda safra apresenta qualidade inferior devido às condições climáticas adversas”, ressalta.
Incidência de milho ardido e impacto na cadeia produtiva
Segundo Grolli, entre 8% e 10% do milho da segunda safra apresenta grãos ardidos. Apesar do percentual alarmante, ele garante que o problema não afetará o abastecimento das fábricas de rações do Paraná nem a qualidade das proteínas animais produzidas no estado. “A produção total é muito superior à quantidade destinada à fabricação de ração, o que permite um cenário confortável para o setor”, afirma o dirigente.
A expectativa para a produção paranaense supera 21 milhões de toneladas, considerando primeira e segunda safras. Cerca de 50% dessa produção é direcionada para a produção de ração animal, fundamental para as cadeias de aves, suínos e leite no estado. “Mesmo diante dos problemas pontuais, o Paraná mantém uma oferta significativa de milho de qualidade para atender tanto o mercado interno quanto o externo”, complementa Grolli.
Desafios para os agricultores diante da qualidade reduzida
O maior desafio recai sobre os agricultores diretamente afetados, que enfrentam descontos e classificações diferenciadas na comercialização do produto. Após um ciclo marcado por estiagens, chuvas intensas e geadas, a qualidade do milho colhido sofre impacto direto, afetando a rentabilidade dos produtores.
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O presidente da Coopavel reforça que, apesar desses problemas, o abastecimento do setor de rações permanece garantido. “A parcela de milho de qualidade inferior terá destinação adequada, sem comprometer as cadeias produtivas”, conclui.
Ciclo climático irregular e consequências para a safra
O engenheiro agrônomo Fernando Zanatta, da Pioneer Sementes, destaca que a segunda safra de milho de inverno de 2026 no Oeste do Paraná enfrentou um dos ciclos climáticos mais irregulares dos últimos anos. O início da safra foi marcado por estiagem e altas temperaturas, causando estresse nas lavouras precoces, principalmente durante as fases reprodutivas.
As chuvas de outono trouxeram um alívio, mas não foram suficientes para reverter os danos. A reta final do ciclo foi prejudicada por baixas temperaturas, geadas pontuais, alta umidade e dias nublados, atrasando a colheita para até 190 dias após a semeadura — um intervalo acima do ideal para a cultura.
Essas condições favoreceram o aumento do milho ardido, prejudicando a qualidade do produto e elevando os riscos de contaminação por fungos e micotoxinas, que podem afetar a produção animal e a segurança alimentar.
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Colheita atrasada amplia vulnerabilidade das lavouras
O ritmo lento da colheita também agravou a exposição das plantas à geada, especialmente quando cerca de 50% da área ainda estava em fases sensíveis como floração e enchimento de grãos. “O risco de geada deixou de ser uma hipótese para se tornar uma ameaça concreta”, comenta Zanatta.
Manejo integrado como estratégia para preservar a qualidade
Para reduzir perdas e a incidência de grãos ardidos, Zanatta destaca a importância do manejo integrado desde o início do ciclo. A escolha de híbridos tolerantes, rotação de culturas, controle da densidade de plantas, adubação equilibrada e semeadura no momento adequado são fundamentais.
Além disso, o controle fitossanitário durante o desenvolvimento da lavoura é essencial. O combate a pragas da espiga e a aplicação estratégica de fungicidas no período certo garantem a sanidade dos grãos.
Por fim, o especialista ressalta que a colheita no momento ideal, seguida de secagem e armazenamento corretos, é decisiva para manter a qualidade do milho e assegurar a rentabilidade dos produtores.
