Senador Sergio Moro lidera disputa pelo Governo do Paraná
A pesquisa mais recente da Quaest para o Governo do Paraná aponta o senador Sergio Moro (PL) na liderança, com uma vantagem de 16 pontos percentuais sobre o segundo colocado, Requião Filho (PDT). O ex-juiz da Operação Lava Jato e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro alcançaria pouco mais de 49% dos votos válidos, indicando possibilidade de vitória já no primeiro turno, considerando a margem de erro.
Dificuldades do grupo de Ratinho Junior para emplacar sucessor
Apesar da aprovação de 68% dos eleitores ao governador Ratinho Junior (PSD), seu candidato à sucessão, Sandro Alex (PSD), está 22 pontos percentuais atrás de Sergio Moro na intenção de votos. Sandro Alex ocupa a terceira posição, com 6 pontos percentuais a menos que Requião Filho. A pesquisa também revela que, embora 65% dos entrevistados concordem que Ratinho Junior merece eleger seu sucessor, apenas 15% declaram voto em Sandro Alex.
A soma de indecisos e eleitores que ainda podem mudar de decisão ultrapassa 60% do eleitorado paranaense, o que mantém a disputa aberta. Especialistas ouvidos pelo g1 analisam as razões por trás da liderança de Moro, os obstáculos enfrentados por Ratinho Junior em transferir sua popularidade, as chances de Requião Filho e as estratégias adotadas pelos candidatos.
Atraso na definição do candidato do PSD e suas consequências
Ratinho Junior encerra seu segundo mandato com alta aprovação e chegou a ser cotado para candidatura à Presidência da República em 2026, mas decidiu focar na eleição de um aliado para o Palácio Iguaçu. O nome do candidato, porém, foi confirmado apenas em 13 de abril, quando Sandro Alex foi anunciado oficialmente. Antes disso, o grupo político do governador enfrentou divisões internas que resultaram na saída de aliados importantes, como Rafael Greca e Alexandre Curi, que migraram para outros partidos e se lançaram pré-candidatos.
O racha político obrigou Ratinho Junior a reconstruir alianças, culminando na formação de uma chapa com Rafael Greca como vice e Alexandre Curi candidato ao Senado. Segundo Nilton Sainz, doutor em Ciência Política pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), a escolha de Sandro Alex — um nome pouco conhecido — pode ter resultado de uma confiança excessiva na vitória do grupo, prejudicando sua visibilidade.
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Reconhecimento e perfil do candidato Sandro Alex
Para a doutora em Ciência Política pela UFPR e professora da Uninter, Karolina Roeder, a dificuldade de Sandro Alex para se destacar indica uma tentativa de se apoiar demasiadamente em Ratinho Junior, o que dificulta sua construção de identidade própria perante os eleitores. Conforme Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), apesar do capital político de Ratinho Junior, a transferência desse apoio ainda não ocorreu de forma consolidada.
Pesquisa aponta que 62% dos eleitores desconhecem Sandro Alex e apenas 21% sabem que ele é o candidato apoiado pelo governador. Seu perfil eleitoral é relativamente uniforme, sem resistência concentrada, mas também sem um segmento que o reconheça claramente como opção preferencial.
Sergio Moro aposta na polarização nacional para liderar
Moro, figura nacional projetada, explora a polarização eleitoral entre esquerda e direita, destacando seu histórico na Operação Lava Jato e seu discurso antipetista para consolidar base sólida. O senador reivindica o legado da operação e propõe transformar o Paraná em uma “fortaleza contra o PT”.
O apoio da família Bolsonaro, com Flávio Bolsonaro detendo 42% das intenções de voto no Paraná, também fortalece sua posição, em contraste com Lula, que registra 24%. A extensão do sentimento antipetista no estado é tema de debate entre analistas, que avaliam sua relação com a Lava Jato e o desgaste nacional do PT.
Requião Filho mantém base da centro-esquerda, mas enfrenta limites
Requião Filho (PDT), com ampla coligação de centro-esquerda e apoio de Lula, domina o eleitorado identificado como “lulista” e “esquerda não-lulista” no Paraná. Contudo, sofre rejeição significativa, com 44% dos eleitores afirmando que jamais votariam nele, contra 33% para Moro.
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O apoio de Lula aumenta as intenções de voto para 16% dos paranaenses, mas 40% consideram que um candidato ligado ao presidente tem menos chances. Segundo especialistas, a coligação amplia as possibilidades de Requião chegar ao segundo turno, mas não garante crescimento além de sua base tradicional.
Estratégias e desafios dos candidatos até as eleições
Com a campanha oficialmente iniciada em 16 de agosto, candidatos terão oportunidades em tempo de TV, debates e agendas públicas para conquistar eleitores indecisos, que representam parcela significativa do eleitorado, especialmente entre mulheres e jovens. Karolina Roeder destaca também a disputa pela atenção do eleitor de menor renda e escolaridade, que possui menos acesso à informação.
Felipe Nunes ressalta que a vitória no primeiro turno é possível para Moro, mas a alta taxa de indecisos e os eleitores que podem mudar de voto mantêm a disputa fluida. Sandro Alex enfrenta pressão para demonstrar viabilidade, enquanto Moro busca consolidar sua base e evitar desgastes, como indicam suas decisões estratégicas na campanha.
Analistas observam que o próximo movimento político e administrativo pode modificar o cenário até as eleições em 4 de outubro, com atenção voltada para a capacidade dos candidatos em ampliar seus apoios e consolidar suas candidaturas no Paraná.
