Transformações Necessárias na Saúde Suplementar
Wadih Damous, diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), apresentou uma proposta transformadora para o setor de saúde suplementar durante a abertura do 17º Seminário Unidas, que ocorreu no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília, no dia 14 de novembro. A proposta sugere uma mudança estrutural na regulação da saúde, deslocando o foco da análise de “procedimentos isolados” para uma abordagem mais integrada, centrada na “linha de cuidado”. Segundo ele, é fundamental priorizar a atenção primária, a prevenção e os desfechos clínicos. O modelo vigente, que enfatiza o procedimento em detrimento do paciente, já demonstra sinais claros de esgotamento.
Em seu discurso, Damous ressaltou que o atual momento do setor não deve ser visto como uma simples turbulência passageira, mas sim como uma crise estrutural significativa. “O que está em jogo não é apenas o equilíbrio de contratos, nem a sustentabilidade financeira das operadoras. O que realmente importa é a capacidade do país de garantir um cuidado digno, racional e acessível a milhões de brasileiros”, destacou.
Inteligência Artificial e Cuidado à Saúde
Outro ponto abordado pelo diretor-presidente foi a utilização de inteligência artificial na saúde. Damous enfatizou que essa tecnologia pode ser um aliado valioso na identificação precoce de riscos e na organização do cuidado. No entanto, ele também alertou para os perigos do uso inadequado dessa inovação. “Sob incentivos errôneos, essas ferramentas podem acabar sendo utilizadas para excluir beneficiários de forma indireta”, explicou. Nesse sentido, reforçou que, uma vez que um risco é identificado, é responsabilidade do sistema de saúde garantir o acesso ao cuidado, sem exclusões ou barreiras.
Damous também destacou a importância das operadoras de autogestão, que são vistas como referência para um novo ciclo regulatório, especialmente por sua característica sem fins lucrativos e pelo foco no beneficiário. Ele mencionou a Resolução Normativa nº 649/2025, que entrará em vigor em julho de 2026, como uma medida crucial para fortalecer a governança e a sustentabilidade dessas operadoras.
Desafios da Judicialização e Regulação
Em relação à judicialização no setor de saúde, Damous classificou esse fenômeno não como uma causa raiz, mas sim como um dos principais sintomas da atual crise. Ele defendeu a superação de um modelo regulatório fragmentado e reativo, argumentando que a regulação deve ter como foco central a pessoa e suas necessidades específicas.
No evento, a mesa redonda intitulada “Novos marcos regulatórios: caminhos e impactos para a saúde suplementar” foi mediada por Mário Jorge Vital, presidente da Unidas, e contou com a presença de representantes de diversas entidades do setor. Entre os participantes estavam Breno Monteiro, da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde); Bruno Sobral de Carvalho, da Fenasaúde; e Francisco Balestrin, presidente da Fesaúde e do SindHosp, entre outros. Juntos, eles discutiram as direções a serem tomadas para a saúde suplementar no Brasil.
