Os Custos de Manter um Carro Elétrico no Paraná
O cenário das ruas paranaenses está em transformação silenciosa. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram que, em 2025, o Paraná se destacou como o quinto estado brasileiro em vendas de veículos eletrificados leves, contabilizando 14.024 unidades. Curitiba, por sua vez, também ocupou a quinta posição entre os municípios, com 6.488 emplacamentos registrados no último ano.
Além disso, o Detran-PR confirma essa tendência: entre 2023 e 2025, o número de registros de veículos totalmente elétricos subiu de 2.736 para 6.171 por ano. Em 2026, já no primeiro bimestre, foram emplacados 1.234 novos veículos elétricos.
Mas, afinal, compensa ter um carro elétrico na garagem? O professor Alexandre Lara, Coordenador de Engenharia Mecânica da Universidade Tuiuti do Paraná, acredita que a economia é evidente. Ele explica: “Rodar com um carro elétrico pode ser de 60 a 70 por cento mais barato do que com um carro a gasolina, especialmente se a recarga for feita em casa”.
Essa economia tem um impacto real na vida de motoristas que utilizam seus veículos para trabalho. O motorista de aplicativo Jefferson Fraga é um exemplo de quem trocou a combustão pela eletricidade. “Não pretendo voltar a usar gasolina. Antes, eu gastava cerca de R$ 4 mil por mês apenas em combustível. Agora, minhas despesas com energia elétrica caíram significativamente, e o conforto durante as longas horas de trabalho é outro nível”, relata Fraga.
Confira a comparação de custos para percorrer 100 km, segundo o professor Alexandre Lara:
- Elétrico (Recarga em casa): R$ 13,00 a R$ 25,00
- Elétrico (Ponto público rápido): aproximadamente R$ 37,50
- Gasolina (Carro 1.0): R$ 46,00 a R$ 65,00
É importante ressaltar que esses valores podem variar conforme a manutenção do veículo, a calibragem dos pneus, o trajeto percorrido, o peso transportado e o estilo de condução.
Os Desafios do Carregamento e o Impacto na Conta de Luz
Uma das dúvidas comuns entre os motoristas é sobre a forma correta de carregar o carro. O professor Lara esclarece que, embora seja possível usar uma tomada comum de 10A, essa opção é lenta, levando mais de oito horas para completar uma carga. “O ideal é ter uma instalação que siga as normas técnicas vigentes, como a NBR 5410 e a NBR 17019, realizada por um profissional qualificado”, recomenda.
A instalação de um Wallbox (220V/32A) é a melhor alternativa, proporcionando segurança e velocidade na recarga, mas requer um investimento adicional estimado em R$ 10 mil.
Quanto à conta de luz, usuários relatam um impacto médio entre R$ 150 e R$ 250 por mês, um valor que ainda é consideravelmente menor do que o gasto com combustíveis fósseis para percorrer a mesma distância.
Baterias de Carros Elétricos: Mitos e Realidades
Um mito comum é que as baterias de íons de lítio “viciam”, mas essa ideia não se sustenta. As baterias degradam lentamente, mantendo entre 80% e 90% de sua capacidade após oito a dez anos de uso. As fabricantes geralmente oferecem garantias que cobrem esse período. Contudo, após esse tempo, o custo da substituição total da bateria pode variar de 30% a 50% do valor do carro, o que representa entre R$ 40 mil a R$ 80 mil para modelos de entrada.
“É possível optar pela substituição modular, que é menos dispendiosa, trocando apenas módulos ou reparando células. Na maioria das vezes, a bateria não precisa ser trocada nos primeiros oito a dez anos, pois a garantia cobre a degradação significativa nesse intervalo”, assinala o professor.
Seguro: Um Peso Extra no Orçamento
Apesar das vantagens na manutenção, o seguro de um carro elétrico tende a ser mais caro. Wilson Pereira, CEO da Fianzas Curitiba e Vice-Presidente do Sincor-PR, alerta que o valor do seguro é de 10% a 15% superior ao de um veículo a combustão equivalente. “Além disso, as seguradoras estabelecem franquias mais altas, que também variam entre 10% e 15% do valor do veículo. Algumas seguradoras ainda se recusam a aceitar o risco ou limitam a cobertura a 80% do valor do carro”, detalha Pereira.
Em caso de colisão que danifique a bateria, se o custo do reparo ultrapassar 75% do valor do carro, a seguradora pode considerar o veículo como perda total (PT) e indenizar o proprietário integralmente.
Elétrico vs. Combustão: Um Olhar para o Futuro
De acordo com especialistas como o professor Alexandre Lara e Wilson Pereira, o carro elétrico surge como uma opção financeiramente viável para os paranaenses que realizam uso urbano intenso, como motoristas de aplicativo e frotistas, especialmente se tiverem a possibilidade de carregar o carro em casa. Para aqueles que costumam viajar longas distâncias, a escolha ainda depende da infraestrutura disponível para recarga rápida nas estradas do estado.
“Estudos demonstram que, ao longo de um período de cinco a seis anos, considerando uma rodagem urbana típica de 10 a 20 mil km por ano, os custos de um veículo elétrico podem se igualar ou até ser menores do que os de um carro a combustão, quando somados energia, manutenção e impostos”, conclui o professor.
