O Crescimento do turismo religioso no Brasil
Ao abordar o turismo religioso no Brasil, é fundamental considerar o que estabelece o Ministério do Turismo em seu marco conceitual: romarias, peregrinações e festas religiosas, especialmente as festas de padroeiros, são pilares desse importante segmento. Contudo, surge uma inquietação: os dados oficiais frequentemente não refletem a realidade dos destinos turísticos religiosos.
Essa análise parte de uma nova pesquisa desenvolvida pelo turismólogo Sidnesio Moura, uma figura reconhecida no segmento de turismo religioso no Brasil. Autor de diversos artigos em veículos de grande circulação, como a Revista Qual Viagem e o Diário do Turismo, Moura também é colunista do Diário do RN e do portal Turismo em Alagoas. Suas publicações, incluindo ‘Turismo de Experiência e Fé’, são igualmente destacadas no Vatican News.
Além de sua vasta contribuição acadêmica, Sidnesio Moura é CEO do Fórum Nacional de Turismo Religioso, um evento técnico e científico que se destaca como o único do tipo no Brasil. Esse fórum reúne líderes de diferentes setores — público, privado, acadêmico e religioso — fortalecendo a governança e o desenvolvimento sustentável do turismo religioso no país.
Descompasso nos Números: O Erro de 2015
Em 2015, o Ministério do Turismo reportou 17,7 milhões de turistas no segmento de turismo religioso, com dados coletados de 344 destinos e 96 atrações. Contudo, uma análise realizada pelo jornalista Amadeu Castanho, em parceria com Sidnesio Moura, já apontava uma discrepância significativa. Naquele ano, alguns dos principais destinos religiosos do Brasil já superavam as cifras divulgadas nacionalmente.
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- A Basílica de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, em Aparecida, recebeu aproximadamente 12,1 milhões de visitantes.
- O Círio de Nazaré, em Belém, atraiu cerca de 2,4 milhões de pessoas.
- As romarias de Padre Cícero, em Juazeiro do Norte (CE), mobilizaram aproximadamente 2,5 milhões de fiéis.
- O Santuário de Santa Paulina, em Nova Trento (SC), registrou cerca de 840 mil visitantes.
- O Santuário do Bom Jesus da Lapa, na Bahia, recebeu aproximadamente 1,5 milhão.
Juntas, essas cinco atrações somaram cerca de 18,5 milhões de visitantes — um número que, por si só, já supera as estimativas oficiais daquela época.
A Situação em 2025: Continuidade do Descompasso
Quase dez anos depois, a realidade do turismo religioso no Brasil não apenas se manteve, mas se ampliou. De acordo com dados recentes de 2025, quatro grandes eventos religiosos já apresentam cifras notáveis:
- A Basílica de Nossa Senhora da Conceição Aparecida reportou cerca de 10,5 milhões de visitantes.
- O Círio de Nazaré, realizado em Belém, reuniu aproximadamente 2,6 milhões de pessoas.
- A Festa da Penha, em Vila Velha, atraiu cerca de 2,7 milhões de peregrinos.
- A Romaria do Divino Pai Eterno, em Trindade, registrou cerca de 4,3 milhões de participantes.
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Somando esses números, temos aproximadamente 20,1 milhões de visitantes para apenas quatro eventos em 2025, evidenciando que, em um único ano, esses destinos superam as estimativas nacionais de quase uma década atrás.
A Importância das Romarias
A experiência de participar dessas festividades religiosas é inegavelmente impactante. A Festa da Penha, por exemplo, demonstra um notável poder de mobilização, especialmente com sua Romaria dos Homens, que mais uma vez superou expectativas, atraindo milhares de devotos. Essa caminhada, repleta de fé, não só evidencia a importância espiritual do evento, mas seu impacto social, cultural e econômico também é significativo.
A Necessidade de Atualização nos Dados
Diante de um histórico tão claro — tanto em 2015 quanto em 2025 — torna-se evidente que o turismo religioso no Brasil está sendo subdimensionado há anos. Os dados disponíveis, provenientes de santuários, instituições religiosas e veículos de comunicação, refletem apenas uma fração da realidade.
Além dos quatro destinos mencionados, outros locais, como Juazeiro do Norte (CE) e Canindé (CE), também recebem fluxos regulares de peregrinos e exercem um papel crucial na economia local. Portanto, é imprescindível que o Ministério do Turismo revise e atualize suas estatísticas, garantindo um acompanhamento mais fiel dos fluxos turísticos religiosos.
Conclusão: A Realidade do Turismo Religioso
É evidente que o turismo religioso no Brasil não pode ser reduzido a dados desatualizados. As inconsistências observadas em 2015 foram confirmadas em 2025, revelando um segmento vibrante e em crescimento. Os números oficiais, ao não refletirem o verdadeiro potencial do turismo religioso, apenas arranham a superfície de uma realidade muito mais rica e diversificada.
Reconhecer essa dimensão é fundamental para que o Brasil avance no planejamento e na valorização de um dos segmentos mais significativos do seu turismo.
