Rota das Lavandas movimenta turismo e economia no Paraná
O Paraná está colhendo os frutos da Rota das Lavandas, iniciativa criada em 2022 pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) para incentivar o cultivo da lavanda e o turismo rural. Em apenas três anos, as 13 propriedades que integram a rota receberam cerca de 256 mil visitantes, gerando uma renda bruta superior a R$ 13,2 milhões, conforme dados oficiais do IDR-Paraná.
As fazendas que compõem essa rota estão localizadas em cidades como Apucarana, Araucária, Borrazópolis, Carambeí, Faxinal, Guarapuava, Londrina, Maringá, Palmeira, Rio Negro, São Jerônimo da Serra, Toledo e Umuarama. Paralelamente, outros 20 produtores realizam experimentos e aguardam para integrar oficialmente o roteiro, ampliando o potencial do cultivo da lavanda no estado.
Santa Lavanda: exemplo de agricultura familiar e turismo de experiência
Na chácara da família Faria Romani, em Londrina, a lavanda é sinônimo de união entre trabalho e vida em contato com a natureza. Dóren de Andrade Faria, formada em turismo e hotelaria, e seu marido Marcos Paulo Romani, especialista em marketing, começaram a plantar lavanda em 2017 sem experiência agrícola, acreditando pouco no sucesso da iniciativa. Hoje, a Santa Lavanda cultiva quase duas mil mudas de diferentes variedades.
Integrante da Rota das Lavandas, a propriedade não apenas vende flores, mas também oferece turismo de experiência e programas educativos. Escolas visitam o local para que crianças conheçam as plantas aromáticas e comestíveis, aproximando-as da natureza de forma prática e pedagógica.
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As visitas são agendadas, com preços que variam de R$ 70 para grupos escolares a R$ 150 para a experiência Sunset, que inclui música ao vivo e petiscos ao pôr do sol. Além disso, os visitantes podem adquirir buquês a partir de R$ 50, realizar ensaios fotográficos e passear pelo jardim sensorial com plantas aromáticas e especiarias. Entre setembro e dezembro, a média mensal de visitantes fica entre 300 e 400.
Lavanda no agronegócio: diversificação com potencial de mercado
O IDR-Paraná destaca que o cultivo da lavanda pode ser agregado a outras atividades agrícolas tradicionais, como a produção de leite e grãos. A planta oferece diversas oportunidades para geração de renda, com produtos que vão desde cosméticos e óleos essenciais até sorvetes, geleias, cervejas e chocolates. O ticket médio por visitante gira em torno de R$ 51,56.
Jacir Antonio Wiezbicki, produtor de Araucária e proprietário do Recanto das Lavandas, é um exemplo da diversificação agrícola no Paraná. Filho e neto de agricultores, ele incorporou o cultivo da lavanda ao restaurante rural que já possuía, enfrentando inicialmente resistência familiar, mas mostrando resultados que convenceram a todos.
A espécie Lavandula dentata, conhecida como lavanda francesa, é a que melhor se adaptou ao clima e solo da região, apresentando folhas serrilhadas e podendo florescer durante o ano todo, desde que haja manejo adequado. Esse manejo inclui a retirada manual semanal das flores secas e podas regulares, garantindo a qualidade da plantação.
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Apoio do IDR-Paraná e oportunidades para produtores
Os empreendimentos da Rota das Lavandas são mantidos com recursos próprios dos agricultores. O IDR-Paraná oferece assistência técnica e ajuda na organização coletiva dos produtores. Além disso, destaca a possibilidade de acesso a linhas de crédito para turismo rural via Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
Locais e experiências da Rota das Lavandas
A rota conta com estabelecimentos que oferecem desde visitas guiadas e piqueniques até terapias naturais, gastronomia com produtos de lavanda e hospedagem rural. Entre os destaques estão o Recanto Girassol em Umuarama, a Capela das Lavandas em Balsa Nova, a Quinta das Lavandas em Apucarana e o Recanto das Lavandas em Araucária.
Outros pontos importantes da rota incluem o Solar Águas do Ivaí em Borrazópolis, o Lavandário Het Dorp Vilarejo Holandês em Carambeí, o Lavandário Guarapuava, a Santa Lavanda em Londrina, o Museu Dinâmico Interdisciplinar da Universidade Estadual de Maringá (Mudi UEM), o Lavandário Vale dos Sonhos em Palmeira, o Kantinho do Paraíso em Rio Negro e o Perau Terra Nova em São Jerônimo da Serra.
Cada propriedade oferece uma experiência única, com atividades que vão desde caminhadas, degustações, passeios de trator e cavalo, até eventos pedagógicos e venda de produtos artesanais. Esse conjunto fortalece o turismo rural e valoriza a cultura agrícola paranaense, gerando renda e atraindo visitantes de diversas regiões.
