Fátima Gavioli assume a Secretaria de Educação do Paraná
A partir de 2027, a Secretaria de Estado da Educação do Paraná estará sob a liderança de Aparecida de Fátima Gavioli Soares Pereira, anunciada pelo governador Sergio Moro (PL) como a segunda integrante de seu secretariado. Professora de formação, Gavioli já comandou a mesma pasta em Goiás durante o governo Ronaldo Caiado (PSD), acumulando experiência que agora trará para o Paraná.
Formação e trajetória profissional
Natural de Goioerê, no Noroeste do Paraná, Fátima Gavioli construiu sua carreira em Rondônia antes de assumir a secretaria estadual em Goiás. Chegou a Cacoal (RO) em 1985, ingressou na rede estadual de ensino por concurso público e atuou como coordenadora da Coordenadoria Regional de Educação no município.
Seu percurso acadêmico é diversificado: possui graduações em Letras pela Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), Direito pela Universidade Federal de Rondônia (Unir) e Pedagogia pela Unopar. Além disso, concluiu mestrado em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e desenvolveu pesquisa em doutorado em Psicologia na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), focada em funções executivas do cérebro e aprendizagem infantil.
Resultados alcançados na gestão em Goiás
Em 2019, Gavioli recebeu o título honorífico de Cidadã Goiana pela Assembleia Legislativa de Goiás. Na mesma época, assumiu a Secretaria de Estado da Educação e permaneceu até março de 2026, quando deixou o cargo para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
Durante sua gestão, o ensino médio da rede estadual de Goiás apresentou avanços significativos no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), subindo de 4,3 em 2017 para 5,0 em 2025 — o melhor resultado da série histórica local, embora ainda abaixo do Paraná, que alcançou 5,1.
Entre as ações implementadas, destacam-se o Bolsa Estudo, que incentiva a permanência dos estudantes na escola, a distribuição de uniformes, materiais escolares e equipamentos tecnológicos. Também foram realizados investimentos na infraestrutura, como a substituição de estruturas precárias por prédios de alvenaria, construção de novas unidades e retomada de obras paralisadas.
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O programa AlfaMais Goiás, desenvolvido em parceria com municípios, focou na alfabetização infantil por meio de materiais pedagógicos e formação continuada de professores. A secretária atribui a cooperação entre estado e prefeituras como um dos fatores para os avanços registrados.
Controvérsias e impasses com a categoria docente
As mudanças no plano de carreira e as condições de trabalho dos professores foram pontos de tensão durante a gestão de Gavioli. Em outubro de 2024, a Assembleia Legislativa de Goiás aprovou alterações no plano que foram criticadas por sindicatos por suposta perda de direitos e precarização da carreira docente.
Uma declaração da secretária, em 24 de outubro de 2024, durante uma transmissão ao vivo com profissionais da educação, gerou repercussão. Ao responder a um professor que relatou dificuldades financeiras e afirmou que o problema não era só conseguir aumento, mas “passar fome”, Gavioli sugeriu que ele buscasse outro emprego caso considerasse insuficiente o salário na educação.
Essa fala provocou reações de sindicatos, como o Sindicato dos Servidores Públicos e Empresas Públicas Municipais de Valparaíso de Goiás (Sindsepem/Val), que acusaram a secretária de desrespeitar a categoria e ignorar suas dificuldades.
Na mesma transmissão, uma professora de geografia temporária questionou as regras para se ausentar do trabalho para levar o filho ao médico, relatando que não tinha direito a atestado de acompanhamento e foi registrada como faltosa. No dia seguinte, ela foi informada da rescisão do contrato, o que os sindicatos classificaram como retaliação, manifestando solidariedade. A Secretaria de Educação afirmou que o desligamento ocorreu devido ao término natural do contrato temporário, conforme a legislação federal vigente.
Polêmica sobre livro nas escolas
Em março de 2024, a Secretaria de Educação de Goiás recolheu exemplares do romance “O Avesso da Pele”, de Jeferson Tenório, vencedor do Prêmio Jabuti, que aborda temas como racismo e violência. A justificativa oficial foi a avaliação da adequação do material à proposta pedagógica da rede, citando expressões e descrições consideradas inadequadas para menores de 18 anos.
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Entidades acadêmicas reagiram classificando a medida como censura. Após repercussão, o governo estadual reviu a decisão e o livro voltou a ser disponibilizado nas escolas em abril do mesmo ano.
Retorno à secretaria e desafios no Paraná
Em março de 2026, Gavioli deixou a secretaria para disputar uma vaga de deputada federal pelo PSD, recebendo 54.954 votos e ficando como suplente. Antes, foi suplente de deputada estadual em Rondônia, em 2018 pelo PSD e em 2010 pelo PDT.
No início de outubro de 2026, após o primeiro turno das eleições, retornou ao comando da Secretaria de Educação de Goiás, nomeada pelo governador Daniel Vilela, após um período em que Helena Bezerra esteve à frente da pasta.
Agora, à frente da Secretaria de Estado da Educação no Paraná, Gavioli terá a missão de executar três eixos educacionais do plano de governo de Sergio Moro: valorização dos professores, melhoria da infraestrutura escolar e foco na aprendizagem voltada à vida e ao mercado de trabalho.
Entre as ações previstas estão a ampliação da educação em tempo integral, expansão das escolas cívico-militares, aumento da oferta de vagas em creches e reforço do ensino de Português e Matemática. O plano também propõe formação técnica e profissionalizante no ensino médio, alinhada às vocações econômicas regionais, revisão das plataformas educacionais para eliminar ferramentas desnecessárias e criação do Observatório Paraná da Educação, com dados públicos sobre o setor.
Outras iniciativas incluem priorizar obras conforme risco e urgência, reduzir a burocracia nas escolas, ampliar intercâmbios para estudantes e professores, apoiar alunos com altas habilidades, expandir cursos superiores a distância e tecnológicos, além de oferecer subsídios para alimentação e moradia estudantil.
