Mercado em Ascensão: Feijão em Alta no Início de Maio
Os preços do feijão estão em ascensão no Brasil neste início de maio, sustentados pela oferta limitada nas principais regiões produtoras e pela lentidão na colheita da segunda safra no Paraná, o maior estado produtor do país. De acordo com dados do Indicador Cepea/CNA, os feijões preto e carioca apresentaram novas valorizações entre 1º e 8 de maio, em um cenário onde os estoques estão ajustados, o clima se mantém irregular e a demanda por lotes de qualidade superior se intensifica.
O atraso no desenvolvimento das lavouras paranaenses, combinado com as chuvas irregulares ocorridas nas últimas semanas, impactou negativamente o avanço da colheita e resultou em uma menor disponibilidade do grão no mercado. Além disso, as revisões nas estimativas de produção para a safra 2025/2026 reforçaram a percepção de uma oferta ainda mais restrita, contribuindo para o aumento nos preços.
Feijão Carioca: Continuação da Valorização
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Conforme apontado pelo Cepea, os preços do feijão carioca começaram a reagir na segunda metade de abril, um movimento que se intensificou no início de maio. O mercado observou com atenção o progresso da colheita no Paraná e a previsão de uma frente fria na Região Sul, fatores que geraram cautela entre compradores e vendedores.
Mesmo com a lentidão nas negociações, os preços continuaram a ser sustentados pela baixa oferta de grãos de qualidade superior. No Sul do Brasil, o avanço dos preços foi mais moderado, devido à entrada gradual da segunda safra e à necessidade de secagem dos grãos recém-colhidos. Em Curitiba e Campos Gerais, no Paraná, a valorização do feijão carioca, notas 8 e 8,5, chegou a 4,6% na última semana.
Preços Elevados em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso
Nas regiões produtoras de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, a limitação na quantidade de lotes armazenados manteve os preços do feijão carioca elevados, mesmo diante de negociações mais esporádicas. Em Itapeva (SP), o maior avanço semanal foi de 11,3% para os feijões cariocas de padrão 8 e 8,5, impulsionado pela escassez de grãos de qualidade e pela atuação mais forte de intermediários.
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No setor de feijão carioca peneira 12, nota 9 ou superior, o mercado continuou a enfrentar baixa disponibilidade de produto. Apesar das altas nos preços ao produtor, a dificuldade em repassar esses valores ao varejo e ao atacado limitou as compras a necessidades imediatas. Em Itapeva (SP), a cotação fechou a semana em R$ 415,66 por saca de 60 kg, com valorização semanal de 5,01%. A maior alta nesse segmento foi registrada no Leste Goiano, com um aumento de 8,53%, enquanto Curitiba viu uma valorização de apenas 4,68%.
Valorização do Feijão Preto com Aumento da Demanda
O mercado do feijão preto também teve uma valorização significativa nas principais regiões acompanhadas pelo Indicador Cepea/CNA. O crescimento no interesse dos compradores e a demanda por lotes recém-colhidos da segunda safra ajudaram a sustentar os preços. A presença de compradores ativos, incluindo aqueles de outros estados, intensificou a alta no Paraná.
Na Metade Sul do estado, o feijão preto acumulou uma valorização de 8,39%, enquanto em Curitiba e Campos Gerais a elevação foi de 7,72%. Em Itapeva (SP), a demanda da indústria paulista por reposição de estoques de qualidade superior impulsionou um aumento de 9,41% nos preços.
Clima e Oferta: Fatores Cruciais para o Mercado
O cenário do mercado brasileiro de feijão continua a ser monitorado de perto, especialmente em relação ao avanço da segunda safra no Paraná, um estado que concentra parte significativa da produção nacional. As condições climáticas se apresentam como um fator decisivo para a movimentação dos preços nas próximas semanas, principalmente com o risco de novas chuvas e a lentidão na colheita.
Analistas acreditam que, enquanto a oferta se mantiver restrita e a nova safra entrar de forma gradual, os preços do feijão carioca e do feijão preto devem continuar elevados no mercado brasileiro. O setor também está atento às mudanças no consumo interno, à possibilidade de repasses ao varejo e à evolução dos estoques nas regiões produtoras.
