Retorno Estratégico da Produção
A Petrobras anunciou o reinício da produção de ureia, um dos fertilizantes mais utilizados na agricultura global, na unidade Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), situada em Araucária, na região metropolitana de Curitiba, Paraná. Após um hiato de seis anos em que a fábrica não produziu, essa retomada, iniciada nesta quinta-feira (30), é considerada crucial para que o Brasil reduza sua dependência de fertilizantes importados, uma necessidade premente diante das restrições de oferta e aumento de preços provocados pela guerra na Ucrânia desde 2022.
Com o Brasil sendo um dos maiores consumidores de fertilizantes do mundo e dependendo de importações para cerca de 80% do consumo total, o retorno da Ansa representa uma oportunidade de fortalecer a produção agrícola nacional. Os fertilizantes são essenciais, pois fornecem nutrientes às plantas, favorecendo o crescimento e, consequentemente, a produção de alimentos.
Declarações do Setor
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Marcelo dos Santos Faria, diretor industrial e presidente interino da Ansa, destacou a importância da produção de ureia, classificando-a como uma “operação estratégica”. Ele comentou: “A Ansa volta a produzir ureia em um momento em que ampliar a capacidade interna desse insumo é cada vez mais relevante para o Brasil”.
A fábrica estava hibernada desde 2020, quando suas atividades foram paralisadas devido a prejuízos financeiros. O anúncio da reativação foi feito em 2024, e a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, expressou, em sua primeira entrevista após assumir o cargo, o desejo de investir na produção doméstica de fertilizantes, garantindo maior autonomia ao país.
Investimentos e Capacidades de Produção
Para viabilizar a volta da produção, a Petrobras realizou um investimento significativo de R$ 870 milhões. A unidade passou por um extenso processo de preparação, que incluiu manutenções, inspeções técnicas, testes operacionais e a recomposição da equipe de trabalho. Com isso, a Ansa não apenas retoma a produção de ureia, mas também já fabricava amônia e o Agente Redutor Líquido Automotivo (Arla 32), que é utilizado no controle de emissões de veículos a diesel.
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A capacidade de produção da unidade é notável: 720 mil toneladas anuais de ureia, correspondendo a aproximadamente 8% do mercado brasileiro, além de 475 mil toneladas de amônia e 450 mil m³ de Arla 32 por ano. Localizada ao lado da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), a Ansa utiliza gás natural como uma das matérias-primas para a fabricação de ureia.
Expansão do Setor de Fertilizantes
A reativação da Ansa é parte de uma estratégia mais ampla da Petrobras no mercado de fertilizantes. Em maio do ano passado, a estatal assinou um acordo para retomar o controle e a produção de duas fábricas de fertilizantes (Fafen), localizadas em Camaçari, na Bahia, e em Laranjeiras, em Sergipe. Essas unidades estavam inativas desde 2023, após terem sido arrendadas para a empresa privada Proquigel em 2019. A produção na unidade da Bahia recomeçou em janeiro de 2026, enquanto a de Sergipe reiniciará em dezembro de 2025.
Com a reativação das fábricas na Bahia, Sergipe e o retorno da Ansa em Paraná, a participação da Petrobras no mercado interno de ureia deve alcançar em torno de 20%, conforme estimativas da companhia. Além disso, a Petrobras está avançando com as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III) em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, com previsão de início das operações comerciais em 2029. Com essa nova unidade, a participação da estatal no mercado de ureia deve subir para 35%.
Impacto no Emprego e na Indústria
O reinício das atividades na Ansa gerou uma mobilização significativa, criando mais de 2 mil empregos, com cerca de 700 pessoas sendo efetivamente contratadas para a operação contínua da fábrica. A coordenadora-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Cibele Vieira, comemorou a retomada da produção, afirmando que “é com muita emoção que celebramos o início da produção”. Ela enfatizou que isso representa um grande símbolo de que “a luta vale a pena”, destacando a resistência dos trabalhadores como fator crucial para a reativação da planta.
