Reativação da Ansa: Um Marco Importante
A Petrobras deu início à produção de ureia na Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa) nesta quinta-feira (30). Com isso, a empresa marca a retoma das operações na unidade situada em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba (PR). Essa ação representa o fim de um período de inatividade que começou em 2020, além de ser um passo estratégico da companhia no segmento de fertilizantes.
Segundo informações divulgadas pela Petrobras, o início da produção é um marco para a nova fase operacional da fábrica, que passou por um extenso processo de recuperação técnica e estrutural. Essa reativação faz parte do plano da estatal de ampliar sua atuação no segmento de fertilizantes, considerado crucial para a economia do país.
Investimentos e Recuperação Estrutural
Para viabilizar a volta das atividades, a Petrobras investiu aproximadamente R$ 870 milhões na unidade. Desde o anúncio da retomada, feito em 2024, diversas intervenções foram realizadas, incluindo manutenção de equipamentos, inspeções técnicas, testes operacionais, recomposição de equipes e contratação de serviços especializados.
A reativação da Ansa também teve um impacto significativo no mercado de trabalho. Durante a fase de mobilização, mais de 2 mil postos de trabalho foram gerados, além de manter cerca de 700 empregos diretos na operação regular da planta.
Produção Abrangente e Compromisso com a Sustentabilidade
Antes mesmo de iniciar a produção de ureia, a unidade já havia alcançado importantes marcos, incluindo a fabricação de ARLA 32, um agente redutor líquido automotivo que ajuda na diminuição das emissões de veículos a diesel, além de produzir amônia por meio de contratos de industrialização. A retomada das atividades será gradual, focando na segurança dos trabalhadores e na confiabilidade dos sistemas industriais.
Marcelo dos Santos Faria, Diretor Industrial e presidente interino da Ansa, ressalta a importância deste momento para o país. “Estamos reiniciando uma operação estratégica. A Ansa volta a produzir ureia em um momento em que aumentar a capacidade interna desse insumo é cada vez mais relevante para o Brasil”, afirmou.
Expansão da Produção Nacional de Fertilizantes
A reativação da Ansa se une ao retorno de outras unidades da Petrobras no setor. As fábricas FAFEN-BA, na Bahia, e FAFEN-SE, em Sergipe, também reiniciaram suas operações em janeiro de 2026 e dezembro de 2025, respectivamente. Com a produção conjunta dessas três unidades, a expectativa é que a Petrobras alcance cerca de 20% de participação no mercado interno de ureia.
Esse avanço é um passo importante para diminuir a dependência externa do insumo, amplamente utilizado no agronegócio brasileiro. A empresa planeja expandir ainda mais sua presença no setor com a conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), localizada em Três Lagoas (MS), prevista para entrar em operação comercial em 2029.
Impacto Econômico e Sustentabilidade no Agronegócio
Com a ativação da UFN-III, a Petrobras projeta uma participação de aproximadamente 35% no mercado nacional de ureia nos próximos anos. Essa iniciativa sinaliza uma mudança significativa na oferta interna de fertilizantes.
William França, diretor de Processos Industriais da Petrobras, enfatiza que a retomada das operações terá um impacto direto na economia. “Com as Fafens e agora a Ansa operando plenamente, conseguimos reduzir a dependência externa de ureia, fortalecendo a cadeia produtiva do agronegócio e da indústria nacional. O setor de fertilizantes é estratégico para a Petrobras e estamos retomando investimentos com base em estudos de viabilidade técnica e econômica”, afirmou.
A Ansa, situada ao lado da Refinaria Getúlio Vargas (Repar), possui capacidade instalada para produzir 720 mil toneladas de ureia por ano, representando cerca de 8% do mercado nacional. Além disso, a unidade pode produzir 475 mil toneladas anuais de amônia e 450 mil metros cúbicos de ARLA 32, destacando-se como um ativo relevante na estratégia industrial da Petrobras.
