Paraguai intensifica competição industrial na fronteira com o Paraná
A proximidade geográfica entre o Paraná e o Paraguai tem ampliado a disputa por investimentos no setor industrial na região de fronteira. Apesar da vantagem econômica consolidada do estado paranaense, o Paraguai vem adotando medidas para atrair empresas brasileiras, especialmente com incentivos fiscais e menos burocracia para instalação e operação. Desde a criação da Lei de Maquila, em 2007, mais de 260 empresas transferiram parte de suas produções para o país vizinho, sendo cerca de 70% delas brasileiras.
Para entender o cenário, é importante comparar os dois territórios. O Paraguai possui 406 mil quilômetros quadrados, praticamente o dobro da área do Paraná. No entanto, sua população é de cerca de sete milhões de habitantes distribuídos em 263 cidades. Já o Paraná concentra aproximadamente 10 milhões de moradores em 399 municípios.
Diferenças econômicas e avanços do Paraguai
Na dimensão econômica, a disparidade se mantém significativa. A indústria e o comércio paraguaios movimentam entre US$ 7 bilhões e US$ 8 bilhões por ano. Em contraste, o setor industrial do Paraná registra faturamento anual próximo a US$ 36 bilhões, valor que se aproxima do Produto Interno Bruto (PIB) do Paraguai.
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Apesar dessa distância, o Paraguai tem buscado expandir sua indústria e se consolidar como uma opção competitiva para empresas brasileiras. O principal instrumento para esse crescimento é a Lei de Maquila, que simplifica processos industriais e incentiva exportações. A legislação permite que empresas estrangeiras produzam no Paraguai pagando apenas 1% de imposto sobre exportação.
Entre 2023 e 2026, 66 empresas brasileiras aderiram a esse regime, transferindo parte das suas operações para o Paraguai. Esse movimento tem atraído atenção de empresários e grupos de comunicação do Paraná. Em visita institucional recente, o presidente do Grupo Ric, Leonardo Petrelli, reuniu-se com o vice-ministro da Indústria e Comércio do Paraguai, Gustavo Gimenez, acompanhados por executivos do Grupo Ric.
Parceria e oportunidades entre Paraná e Paraguai
De acordo com o governo paraguaio, o país vive um momento estratégico de expansão industrial e busca fortalecer as relações comerciais com o Brasil. O vice-ministro Gustavo Gimenez destacou que o Paraguai possui estrutura pronta para receber investidores estrangeiros, oferecendo uma rede eficiente para investimentos e exportações.
“Temos uma estrutura preparada para receber os investidores estrangeiros e reger essa rede de investimentos e exportações, onde o pessoal da indústria e comércio está trabalhando diretamente para ajudar os interessados a se instalar. Ferramentas como a Lei de Maquila permitem que os investidores tenham uma taxação de apenas 1% para as exportações”, afirmou Gimenez.
O vice-ministro também ressaltou o Paraná como referência econômica e industrial para o Paraguai, especialmente pela força das cooperativas agroindustriais. Segundo ele, as cooperativas paraguaias representam 25% das exportações do país e mantêm contato com cooperativas brasileiras, sobretudo para troca de tecnologia e experimentação no campo. A proximidade com o Paraná cria uma oportunidade significativa para ampliar essas parcerias comerciais.
Leonardo Petrelli avaliou que o encontro fortalece a aproximação econômica entre empresários brasileiros e o mercado paraguaio. “O vice-ministro nos recebeu muito bem. Já marcamos uma nova agenda para integrar mais empresários do Paraguai e contar com o apoio deles nessa iniciativa”, afirmou o presidente do Grupo Ric.
