Impacto Econômico do Embargo da União Europeia
O embargo da União Europeia (UE) às carnes brasileiras, em vigor desde 3 de agosto, pode causar perdas superiores a US$ 392,2 milhões por ano ao Paraná, principal produtor nacional de frango. Essa cifra equivale a cerca de R$ 2 bilhões e atinge diretamente as cadeias produtivas da avicultura e da bovinocultura de corte no estado.
O valor corresponde às exportações previstas para 2025, quando o Paraná comercializou aproximadamente US$ 382 milhões em carne de frango, totalizando 118,7 mil toneladas, e US$ 10,2 milhões em carne bovina, com 1,4 mil toneladas destinadas ao mercado europeu. No primeiro semestre de 2026, o estado exportou cerca de US$ 224 milhões em carne de frango e US$ 4,6 milhões em carne bovina para a UE, que representa atualmente 5% das exportações paranaenses de carnes, segundo dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária.
Repercussões Além do Comércio Direto
Para Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP, o veto europeu tem efeitos que vão além do volume comercializado diretamente com o bloco. “A exigência sanitária da UE serve como referência para outros países, que adotam essas normas para suas próprias decisões de importação”, explica. Com isso, o embargo pode comprometer também outros mercados que confiam na conformidade brasileira com os padrões europeus, elevando o risco de perdas adicionais para a agroindústria paranaense.
Avicultura Paranaense Sob Pressão
O Paraná lidera a produção e exportação de carne de frango no Brasil, fornecendo para mais de 150 países e atendendo aos principais mercados globais. A suspensão das importações da UE abrange não só carnes bovina e de frango, mas também mel, equinos, tripas e produtos de aquicultura, conforme anúncio feito em maio.
Diante desse cenário, a FAEP solicitou ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) medidas para evitar o embargo, ressaltando a robustez do sistema sanitário brasileiro e paranaense. O estado é reconhecido oficialmente pela Organização Mundial de Saúde Animal como área livre de febre aftosa sem vacinação desde 2021, mesma certificação que o Brasil conquistou em 2025. Além disso, a China reconheceu o país como área livre da doença no mesmo ano.
Auditorias e Possível Retomada das Exportações
Técnicos da União Europeia realizam auditorias desde 24 de agosto em propriedades brasileiras para avaliar os sistemas de produção, processamento e fiscalização relacionados à carne de frango e mel. A expectativa é que essas análises comprovem o cumprimento das normas, especialmente no uso de antimicrobianos, e resultem na suspensão do veto.
“Nossa esperança é que as exigências sanitárias sejam rapidamente superadas e que as exportações para o mercado europeu sejam retomadas em breve”, afirma Meneguette. A retomada representaria não apenas a recuperação das receitas diretas, mas também a manutenção da credibilidade do Paraná como fornecedor confiável no mercado global da agroindústria.
