A economia criativa do Paraná encerrou 2025 com 77.383 empregos formais, consolidando-se como um dos segmentos mais dinâmicos da economia estadual. O estoque de trabalhadores vinculados às atividades criativas cresceu 5,8% desde 2022, quando o setor reunia 73.412 postos de trabalho. Essa expansão é significativa, pois a remuneração média dos empregos na economia criativa é superior à média geral do mercado paranaense, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego.
O crescimento da economia criativa ocorreu em um contexto de forte expansão do mercado formal paranaense, caracterizada pelo aumento de 350 mil empregos com carteira assinada entre 2022 e 2025. Entre 2022 e 2025, o número total de empregos com carteira assinada no Estado passou de 3,46 milhões para 3,81 milhões. Atualmente, a economia criativa representa cerca de 2% de todo o estoque de empregos com carteira assinada do Paraná.
O principal motor da economia criativa paranaense é o segmento de tecnologia da informação. Apenas as atividades de serviços de tecnologia da informação somaram 37.283 empregos formais em 2025, o que representa praticamente metade de todo o estoque do setor criativo estadual. Em seguida, aparecem as áreas de publicidade e pesquisa de mercado, com 11.340 empregos, atividades de prestação de serviços de informação, com 8.128 postos, e impressão e reprodução de gravações, com 7.964.
Esse levantamento considera grupamentos da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) que estão vinculados à chamada economia criativa, um conceito utilizado internacionalmente para definir atividades cujo principal ativo econômico é a criatividade, a inovação, o conhecimento e a produção intelectual.
As atividades de tecnologia da informação estão cada vez mais integradas aos estudos sobre economia criativa, devido ao seu vínculo com o desenvolvimento de softwares, aplicativos, plataformas digitais e outros produtos baseados em propriedade intelectual e inovação. Relatórios da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) indicam que os serviços de software são um dos principais vetores da economia criativa no comércio internacional.
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No Paraná, a predominância da tecnologia da informação dentro da economia criativa reflete uma transformação estrutural no perfil econômico do setor. Enquanto segmentos tradicionais da comunicação, como edição impressa e rádio e televisão, apresentaram estabilidade, as atividades digitais ganharam espaço, concentrando a maior parte dos empregos criativos do Estado.
Esse movimento acompanha uma política estadual de formação de mão de obra voltada para a economia digital, que busca equipar os estudantes com habilidades em programação, robótica e automação, essenciais para o futuro do trabalho. Nos últimos anos, a rede estadual ampliou a oferta de disciplinas ligadas à programação, robótica, automação e internet das coisas, além da implantação de laboratórios maker e ambientes de inovação em colégios estaduais. A estratégia visa preparar estudantes para setores intensivos em tecnologia e desenvolvimento digital, que hoje concentram praticamente metade dos empregos da economia criativa paranaense.
Além disso, o levantamento inclui segmentos ligados ao audiovisual, rádio e televisão, edição, arquitetura, patrimônio cultural, artes e espetáculos, além de serviços técnicos associados à produção criativa.
O crescimento mais acelerado, proporcionalmente, ocorreu nas atividades artísticas, criativas e de espetáculos. Esse segmento praticamente dobrou de tamanho desde 2022, saltando de 631 para 1.184 empregos formais, refletindo o fortalecimento do setor cultural e de entretenimento após a retração provocada pela pandemia.
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Os números ligados às atividades artísticas e culturais tendem a ser ainda maiores na prática, uma vez que uma parte significativa do setor opera através de contratos temporários, prestação de serviços e pessoas jurídicas, modalidades que não são integralmente captadas pela Relação Anual de Informações Sociais (Rais), que contabiliza apenas vínculos formais de emprego.
O desempenho do setor acompanha uma atuação ativa do Governo do Estado no fomento à cultura. Em 2025, a Secretaria de Estado da Cultura (Seec) executou cerca de 97% dos recursos da Lei Paulo Gustavo, totalizando R$ 209,7 milhões, com abrangência em todas as regiões do Paraná, além de repassar R$ 50 milhões diretamente a projetos culturais municipais e alcançar 372 sistemas municipais de cultura implementados no Estado.
Além do impacto direto na geração de empregos, a economia criativa se destaca pela qualidade dos postos de trabalho que cria. Os trabalhadores ligados à prestação de serviços de TI, por exemplo, registraram remuneração média de R$ 6.382,24, cerca de 48% a mais do que a média estadual, que foi de R$ 4.301,03 em 2025. Já aqueles dedicados à prestação de serviços de informação tiveram remuneração média de R$ 6.308,73, aproximadamente 46% acima da média estadual geral.
O levantamento foi elaborado a partir de dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2022 a 2025, considerando grupamentos da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) associados ao núcleo da economia criativa. As metodologias aplicadas foram inspiradas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), considerando áreas ligadas à tecnologia, comunicação, audiovisual, publicidade, produção cultural, patrimônio histórico, edição e arquitetura.
