Companhia Paranaense de Energia enfrenta pressão por melhorias
A Companhia Paranaense de Energia (Copel) recebeu um prazo de 30 dias para elaborar um plano de ação relacionado às frequentes quedas de energia que afetam o Paraná. Essa decisão foi tomada ao final de uma audiência pública realizada no Senado Federal, na terça-feira (5), com a participação de representantes de diversos setores, incluindo o agronegócio e a indústria.
A audiência pública foi convocada em resposta a uma série de reclamações sobre os danos causados por interrupções no fornecimento de energia. Um caso alarmante abordado no encontro foi o de uma granja localizada em São Miguel do Iguaçu, no oeste do estado, onde a morte de 20 mil frangos resultou diretamente de uma queda de energia, impactando severamente a produção local.
O plano exigido deverá ser submetido à Comissão de Infraestrutura do Senado, enquanto a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ficará encarregada de desenvolver um plano de fiscalização para monitorar a situação.
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Insegurança no setor produtivo
Durante o debate, diversos representantes do setor produtivo expressaram sua preocupação com as constantes falhas no fornecimento de energia. O presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Eduardo Meneguette, destacou os prejuízos que os produtores rurais estão enfrentando. “Sem energia elétrica, não há produção agropecuária. Essa é a realidade que estamos vivendo em nosso estado. No Paraná, a energia elétrica passou a ser um fator de risco para a atividade rural constante”, enfatizou.
Conforme dados da Aneel, em 2025, os consumidores paranaenses enfrentaram, em média, sete horas sem energia, mantendo-se dentro dos limites regulatórios. No entanto, segundo João Arthur Mohr, diretor da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), esse tempo frequentemente ultrapassa o esperado. “Às vezes, essas falhas são instantâneas, mas esses segundos podem desarmar linhas de produção que são cada vez mais sensíveis”, complementou.
Aumento nas reclamações e fiscalização técnica
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A Aneel também informou que houve um aumento no número de reclamações referentes ao serviço prestado pela Copel. Como consequência, a companhia será alvo de ações de fiscalização técnica que estão programadas para o segundo semestre. Ana Claudia Cirino dos Santos, supervisora adjunta de Fiscalização Técnica da Aneel, comentou: “Ainda que a Copel não tenha infringido nenhum dos indicadores regulatórios que acompanhamos, isso acendeu um alerta para a agência, e a Copel está incluída nas nossas ações de fiscalização técnica para o segundo semestre.”
Por sua vez, o diretor-geral da Copel, Antônio Villela de Abreu, atribuiu parte dos problemas ao aumento de eventos climáticos, como tempestades e vendavais, e destacou que a companhia está investindo na ampliação da rede elétrica e no reforço da equipe de eletricistas, além da criação de canais dedicados ao atendimento do setor rural.
Discussão sobre reajuste tarifário
Outro tópico abordado durante a audiência foi o possível aumento nas tarifas de energia. A revisão tarifária realizada pela Aneel a cada cinco anos poderá resultar em um aumento de até 19% na conta de luz para consumidores em geral a partir de junho, com alguns setores da indústria enfrentando reajustes que podem chegar a 51%. Durante a audiência, os participantes questionaram a relação entre o aumento das tarifas e a qualidade do serviço prestado.
A Copel se comprometeu a elaborar um plano de ação que inclui investimentos significativos, especialmente na área rural, além de medidas para fortalecer o sistema elétrico antes do início do período de chuvas, que ocorre entre setembro e outubro. “Nossa grande meta é não entrar no período úmido sem implementar ações robustas que nos preparem para tempestades e eventos climáticos, garantindo um sistema mais resistente, especialmente para o setor agropecuário”, afirmou Julio Shigeaki Omori, diretor comercial da Copel.
Os representantes do setor produtivo exigiram que as melhorias apresentadas pela Copel sejam efetivas e cumpram o prazo estipulado para garantir a redução de prejuízos e a estabilidade no fornecimento de energia no estado. “Esperamos que, dentro do prazo de 30 dias, a Copel apresente propostas relevantes que atendam aos interesses do produtor rural paranaense, evitando que ele fique à mercê de serviços de má qualidade e perdas financeiras significativas”, concluiu Meneguette.
