Discussão Acalorada e Contenção na Assembleia
Na tarde desta terça-feira, 28, uma intensa discussão entre os deputados estaduais Do Carmo (Podemos) e Matheus Vermelho (PL) gerou confusão durante a sessão plenária na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), em Curitiba. O embate quase culminou em agressões físicas e exigiu a intervenção de outros parlamentares para evitar uma situação ainda mais desagradável.
O incidente ocorreu no contexto da retomada das conversas sobre a implementação das emendas impositivas no estado, um tema que tem ganhado força nos bastidores da Alep nos últimos meses, especialmente com vistas às eleições de 2026.
De acordo com relatos de deputados presentes, a confusão teve início quando Do Carmo questionou Matheus Vermelho sobre a possibilidade de reapresentação do projeto das emendas impositivas. A resposta de Vermelho foi interpretada como provocativa, desencadeando uma troca de ofensas entre os dois.
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“Você está falando comigo, moleque? Filhinho de papai?”, disparou Do Carmo, avançando em direção ao colega. Sua ação foi contida inicialmente pelo deputado Alisson Wandscheer e, em seguida, pelo Delegado Jacovós, que conseguiram evitar que a situação se transformasse em um confronto físico. Outros deputados também intervieram, levando Do Carmo para fora do plenário. Apesar do clima tenso, a sessão prosseguiu normalmente.
Retomada de um Debate Antigo
O desentendimento evidenciou uma articulação que estava sendo realizada discretamente dentro da Assembleia. De tempos em tempos, a proposta das emendas impositivas ressurgiu no cenário político paranaense. Tentativas anteriores de implementação ocorreram durante os governos de Beto Richa e Ratinho Junior, mas acabaram barradas devido a manobras políticas.
Atualmente, o tema volta a ser discutido em meio às projeções eleitorais para o Palácio Iguaçu. Com o senador Sergio Moro (PL) liderando as pesquisas de intenção de voto e a perspectiva de um novo governo em 2027, deputados estão se mobilizando para garantir maior autonomia sobre parte do orçamento estadual.
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Na prática, as emendas impositivas obrigariam o Executivo a destinar recursos sugeridos pelos parlamentares para obras e serviços em suas bases eleitorais, diminuindo a dependência Política em relação ao governo vigente.
Um deputado, que preferiu manter o anonimato, expressou sua preocupação quanto à liberação de recursos em um possível novo cenário político. Essa inquietação tem acelerado os esforços para aprovar o mecanismo antes das eleições.
Um Histórico de Conflitos e Propostas
Em 2023, um grupo de deputados protocolou uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que previa a destinação de 2% da receita corrente líquida do estado para emendas individuais, o que, na prática, seria cerca de R$ 16 milhões para cada um dos 54 deputados. Essa iniciativa surgiu como resposta à distribuição desigual de recursos, que teria favorecido deputados mais alinhados ao governo estadual.
Diante da pressão, houve tentativas de equilibrar a liberação das verbas, mas o projeto acabou perdendo força. Curiosamente, Do Carmo e Matheus Vermelho estavam entre os parlamentares que, à época, defendiam essa proposta.
Reações Oficiais e Expectativas Futuras
Em uma nota, o deputado Matheus Vermelho se manifestou, afirmando ter agido de maneira “republicana e responsável” durante o episódio. Ele destacou que divergências são parte do processo democrático, mas não reconheceu qualquer ação sua que pudesse ter exacerbado a situação. O portal GMC Online tentou contato com a assessoria do deputado Do Carmo, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
