Uma viagem sensível pela memória e matéria na Torre do MON
Os três pavimentos da Torre do Museu Oscar Niemeyer (MON) recebem a exposição “Poéticas da Memória e da Matéria”, que reúne o trabalho de seis artistas brasileiros. A mostra propõe uma reflexão sobre como a matéria pode funcionar como um arquivo vivo das experiências humanas, utilizando elementos como tecidos, couro, mapas, desenhos, costuras, bordados e objetos do cotidiano para contar histórias de memória e transformação.
Arte, memória e espaço: diálogo entre artistas e público
Segundo a curadora Tereza de Arruda, o núcleo da exposição transforma o espaço expositivo em um campo relacional, onde objetos, superfícies e a espacialidade carregam memória e sensibilidade. “Reunidos, esses artistas fazem da matéria um arquivo vivo, onde memória e transformação permanecem em contínuo estado de travessia”, explica. Essa proposta é percebida logo no térreo, com a série inédita “Romaria”, de Luiz Mauro, que utiliza couros marcados a ferro, chifres, cordas e pinturas com folha de ouro para aproximar a cultura popular brasileira de narrativas pessoais sobre pertencimento, deslocamento e memória familiar.
No mesmo pavimento, Marina Camargo apresenta uma pesquisa que transforma mapas em esculturas flexíveis e pinturas, deixando de representar lugares para sugerir deslocamentos, fluxos e experiências vividas. Sua cartografia sensível, aliada à borracha e látex, também remete à história da exploração dos recursos naturais brasileiros.
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Costura, tecnologia e biografias em diálogo na arte contemporânea
O primeiro pavimento destaca o curitibano radicado em São Paulo André Azevedo, que investiga o tecido como linguagem. Utilizando máquinas de costura e de escrever como ferramentas, ele cria instalações que aproximam memória analógica e cultura digital, explorando a repetição, a transmissão e o entrelaçamento como formas de construir conhecimento. Complementando essa reflexão, James Kudo, paulista, transforma moldes, linhas e tecidos em grandes pinturas que evocam autobiografia, presença e ausência, convertendo a costura numa escrita visual sobre o tempo.
A exposição segue até o segundo pavimento, onde Evandro Soares, da Bahia, expande o desenho para o espaço, criando arquiteturas delicadas com estruturas metálicas, sombras e linhas projetadas. Nessa ambientação, vazio e matéria compartilham a mesma importância. Para encerrar, a instalação inédita “Corpos Sutis”, da goiana Iêda Jardim, reúne tecidos, porcelanas, bordados e fotografias familiares em uma obra que investiga ancestralidade, continuidade e memória coletiva a partir de uma experiência particular.
Matéria como portadora de histórias invisíveis e vínculo entre gerações
Embora cada artista utilize linguagens distintas, todos compartilham a compreensão da matéria como portadora de experiências invisíveis: tecidos guardam lembranças, mapas registram deslocamentos e linhas conectam tempos diferentes. Objetos cotidianos, por sua vez, revelam histórias que atravessam gerações, fortalecendo uma conexão entre passado e presente.
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Conexão cultural e agenda da 16ª Bienal Internacional de Curitiba
A 16ª Bienal Internacional de Curitiba é promovida pelo Ministério da Cultura e pelo Governo Federal, com apoio do Museu Oscar Niemeyer (MON), MAC Paraná, Paraná Festival e Secretaria de Estado da Cultura (SEEC) – Governo do Paraná, além da Fundação Cultural de Curitiba (FCC) e Prefeitura de Curitiba. A programação pode ser acompanhada pelos sites oficiais e pelas redes sociais @bienaldecuritiba, @cubic.bienal e @curitibaartweek.
Sobre a Bienal Internacional de Curitiba
Realizada desde 1993, a Bienal é um dos principais eventos de arte da América Latina e uma plataforma de referência para a produção e o pensamento contemporâneo. Com uma programação que ocupa museus, galerias e espaços públicos, reúne exposições, performances e ações educativas que conectam artistas locais e internacionais. Ao longo de sua trajetória, a Bienal recebeu nomes como Marina Abramović, Julio Le Parc, Louise Bourgeois, Anish Kapoor e Cildo Meireles, consolidando Curitiba como um polo relevante no circuito internacional da arte contemporânea.
Serviço
Exposição: Poéticas da Memória e da Matéria
Curadoria: Tereza de Arruda
Artistas: André Azevedo, Evandro Soares, Iêda Jardim, James Kudo, Luiz Mauro e Marina Camargo
Local: Torre – Museu Oscar Niemeyer (MON) – Rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico – Curitiba
Visitação: Até 15 de novembro de 2026
Ingressos: R$ 36 (inteira) e R$ 18 (meia-entrada)
Entrada gratuita: Quartas-feiras e no último domingo de cada mês
