A Força da agricultura familiar no Espírito Santo
O Espírito Santo, em meio aos desafios enfrentados pelo setor agropecuário brasileiro, se destaca como um verdadeiro protagonista. Impulsionado pela agricultura familiar, o estado não apenas fortalece sua economia, mas também ocupa posições de destaque em âmbito nacional. De acordo com o Censo Agropecuário de 2017, o Espírito Santo conta com 108.014 estabelecimentos agropecuários, dos quais impressionantes 74,8% são de natureza familiar, evidenciando a vocação do estado para o agronegócio.
Com 3,24 milhões de hectares dedicados à agricultura e pecuária, pequenos produtores constituem a base de uma economia que vai além do café, seu produto emblemático. Pablo Lira, diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), destaca que ‘a agricultura e a pecuária são fundamentais para a economia capixaba, representando 4,5% do PIB do estado e tendo como base a pequena propriedade familiar rural.’
Produção Diversificada e exportações em Alta
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Além do domínio na produção de café, o Espírito Santo se sobressai como líder na exportação de mamão, além de ser uma referência na criação de bovinos e aves, produção de pimenta-do-reino, gengibre e cacau. Um dos destaques é o município de Santa Maria de Jetibá, que é considerado o maior produtor de ovos do Brasil.
A atividade agroflorestal no estado também é ampla e dinâmica. No primeiro semestre de 2024, a produção de celulose registrou um valor de US$ 532,9 milhões, o que representa 34,28% das exportações do setor. Essa cifra reflete um aumento de 23,4% em relação ao ano anterior, mesmo com a redução de 4,8% no volume exportado. Ao lado da celulose, o complexo cafeeiro e a pimenta-do-reino são os três principais produtos que, juntos, representam 95% do valor total das exportações capixabas entre janeiro e julho de 2024.
Oportunidades e Desafios no Setor Agropecuário
A diversidade na produção do Espírito Santo reforça a relevância e a agilidade do agronegócio, que emprega mais de 357 mil pessoas e possui quase 5.000 agroindústrias locais, sendo 76% delas também familiares. Essa estrutura reforça o dinamismo do setor, que enfrenta constantes desafios e se adapta a um mercado em evolução.
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Um aspecto frequentemente negligenciado, mas que desempenha um papel crucial no agronegócio capixaba, é a produção de eucalipto e a indústria da celulose. Essas atividades não apenas geram empregos, mas também impulsionam a renda das comunidades locais, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da região. O cultivo de eucalipto, com sua rápida taxa de crescimento, é uma das principais atividades agroindustriais do estado, fornecendo matéria-prima essencial para a fabricação de celulose, papel e outros produtos derivados.
Parcerias que Sustentam o Desenvolvimento Rural
A Suzano, maior produtora mundial de celulose, tem um papel significativo na promoção do desenvolvimento rural sustentável no Espírito Santo. A empresa implementa programas de arrendamento e fomento com agricultores locais, visando apoiar a produção rural. Atualmente, a Suzano mantém 1.119 contratos de parceria com produtores capixabas, voltados para áreas de 50 hectares ou mais, que atendem aos requisitos de plantio.
Esses programas oferecem suporte técnico e orientações aos agricultores. No arrendamento, a Suzano assume todas as atividades operacionais, enquanto no fomento, fornece mudas e assistência técnica, garantindo a compra da madeira pelo produtor parceiro.
Resultados Históricos e Perspectivas Futuras
No primeiro semestre de 2024, as exportações do setor agropecuário capixaba somaram mais de US$ 1,5 bilhão, representando o maior valor já registrado para esse período. Esse resultado representa um crescimento impressionante de 83% em comparação ao mesmo período de 2023, quando o total foi de US$ 848,6 milhões. O cenário se destaca ainda mais, considerando que o Brasil como um todo registrou uma variação negativa de 0,35% nas exportações durante o mesmo intervalo.
Ao todo, 1,3 milhão de toneladas de produtos do agronegócio capixaba foram embarcadas para o exterior, com um aumento de 12% em volume. Eduardo Ton, gerente de Crédito e Agronegócio do Sicoob Central do Espírito Santo, ressalta que o agro capixaba se destaca em relação a outras regiões do país, pois as principais commodities do estado, como café, pimenta-do-reino e cacau, apresentam preços e valores agregados favoráveis. ‘Isso nos coloca em uma posição um pouco melhor em comparação ao restante do Brasil’, conclui.
