Incidente Grave na Escola Cívico-Militar
Um incidente alarmante ocorreu no Colégio Estadual Cívico-Militar Jardim Maracanã, em Toledo, no Paraná, onde uma funcionária de 65 anos foi ameaçada com uma arma por um monitor, um militar aposentado. Durante o episódio, que aconteceu na frente de alunos e colegas, a servidora foi alvo de ofensas misóginas, sendo chamada de “bruxa” e “velha”. Esse triste episódio expõe as fragilidades e o ambiente de tensão que o modelo cívico-militar pode instaurar nas instituições escolares.
O caso gerou repercussão imediata, levando a funcionária a registrar um termo de declaração no 19º Batalhão da Polícia Militar de Toledo. Para o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Curitiba (SISMUC), essa situação se soma a uma série de denúncias de assédio e abusos de autoridade que têm sido relatados em diversas localidades onde o modelo cívico-militar foi implantado. Segundo a entidade, esses relatos demonstram um padrão de problemas que contradiz a promessa de segurança e melhoria na qualidade da educação.
Debate Sobre Militarização em Curitiba
O tema da militarização das escolas gerou um amplo debate na comunidade educacional de Curitiba. No dia 17 de março, uma audiência pública foi convocada na Câmara Municipal, reunindo vereadores, sindicatos, professores, estudantes e outras entidades para discutir o projeto de lei nº 031.00106.2025, proposto pela vereadora Delegada Tathiana Guzella (União), que visa expandir o modelo cívico-militar para as escolas municipais.
O projeto prevê a implementação do modelo até mesmo em Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), que atendem crianças a partir de seis meses. A proposta levanta preocupações sérias sobre a segurança nas escolas, especialmente em ambientes que devem ser dedicados ao cuidado e desenvolvimento de crianças tão pequenas.
Urgência na Discussão
A audiência foi sugerida pela vereadora Vanda de Assis (PT), que destacou uma denúncia feita pela deputada federal Erika Hilton (PSOL) sobre a presença de um militar investigado por estupro em uma escola cívico-militar no Paraná. Para Vanda, o tema requer atenção imediata: “Nossas crianças não são criminosas, não precisam de policiais dentro das escolas para promover disciplina”, declarou.
A coordenadora geral do SISMUC, Juliana Mildemberg, enfatizou que o foco deveria estar na valorização dos profissionais da educação e não na militarização. “A gente não deveria estar debatendo militarização, mas sim a falta de trabalhadores nas escolas e CMEIs”, apontou. Ela ainda alertou para os efeitos negativos do modelo, afirmando que a militarização não promove proteção, mas repressão.
Renata Riva Finatti, pedagoga presente na audiência, defendeu que educação e segurança pública são direitos distintos, demandando profissionais com formações específicas para cada área. Por sua vez, Rejane Soldani, presidente do Sindicato dos Guardas Municipais de Curitiba (Sigmuc), salientou que o projeto fere atribuições da categoria e defendeu políticas já existentes, como o programa Guarda Mirim.
Próximos Passos
Apesar das críticas e preocupações levantadas, o projeto já passou pelas comissões da Câmara e está pronto para votação em plenário. O SISMUC reafirma que essa discussão não pode ser dissociada da realidade observada em outras localidades. A entidade acredita que a adoção desse modelo nas escolas municipais pode intensificar conflitos e desviar a atenção de medidas essenciais, como a necessidade de investimento em equipes, melhores condições de trabalho e políticas educacionais que assegurem um ambiente propício para o desenvolvimento de crianças e adolescentes.
O SISMUC também enfatiza que novos episódios de violência serão rigorosamente denunciados e que a apuração e a responsabilização por parte do poder público são imprescindíveis para garantir a segurança nas escolas. Assim, a busca por um ambiente educacional seguro continua sendo uma prioridade.
