Jantares e Reuniões: O Tabuleiro Político Paranaense em Movimento
Nos últimos dias, Brasília e Curitiba têm sido cenário de intensas articulações políticas que visam definir o futuro eleitoral da centro-direita paranaense. Reuniões e jantares têm sido cruciais para esboçar as estratégias que envolvem a disputa pelo governo estadual, com reflexos na corrida presidencial.
No epicentro dessas movimentações está o governador Ratinho Junior (PSD-PR), que surge como um forte candidato à sucessão presidencial, dependendo da escolha do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Por sua vez, o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) se destaca como a principal figura fora do grupo político de Ratinho, almejando a liderança do Palácio Iguaçu nas eleições de outubro.
Moro Busca Apoio do Progressistas
Enquanto Ratinho Junior não revela sua decisão sobre os possíveis concorrentes para a sua sucessão, Moro permanece ativo em suas negociações. O ex-juiz da Lava Jato está em busca do apoio do Progressistas (PP), fator crucial para sua pré-candidatura. Embora conte com o respaldo do presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, a vitória de Moro na obtenção do apoio do PP paranaense é uma missão desafiadora, especialmente com a federação União Progressista prestes a ser homologada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Recentemente, um jantar em Brasília reuniu Moro e membros do PP paranaense, onde o senador defendeu a sua pré-candidatura. Duas opções para a vice estavam em pauta: Edson Vasconcelos, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), e Elizabeth Schmidt, prefeita de Ponta Grossa. Com o prazo para filiação a um partido se aproximando (4 de abril), o tempo é um fator crítico para Moro.
Desafios de Moro e a Resposta do Progressistas
O jantar revelou que, apesar de seus esforços, Moro não recebeu a promessa de apoio do PP nas convenções partidárias. O deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) e outros líderes presentes destacaram a preferência por um vice oriundo do Progressistas, sugerindo nomes como a ex-governadora Cida Borghetti e a deputada estadual Maria Victória, que são da família de Barros.
No dia seguinte ao jantar, a delegação paranaense do PP se reuniu com o presidente nacional do partido, Ciro Nogueira, que reafirmou a importância da decisão do diretório estadual, apoiando Barros nas negociações com o União Brasil no Paraná. “A decisão de vocês é a minha decisão”, declarou Nogueira, consolidando o poder de Barros nas articulações políticas.
Ratinho Jr. e a Busca por um Sucessor
À medida que o Progressistas parece se distanciar de Moro, a situação favorece Ratinho Junior, que se vê na necessidade de encontrar um sucessor para o Palácio Iguaçu. A escolha do pré-candidato dentro do PSD é um desafio que precisa ser resolvido sem romper acordos com o PL de Flávio Bolsonaro, especialmente se Kassab confirmar Ratinho como pré-candidato à Presidência.
Embora publicamente os concorrentes à sucessão de Ratinho neguem qualquer divisão, cada um deles tem tentado promover seus próprios projetos. Um encontro recente entre Ratinho Junior e seus aliados foi marcado por discussões sobre as pré-candidaturas de Guto Silva, Rafael Greca e Alexandre Curi, todos em busca de liderar a chapa do PSD.
Um churrasco na casa de Guto Silva, considerado o favorito de Ratinho, incluiu prefeitos e deputados estaduais. Segundo fontes, o plano de Ratinho é indicar Curi para o Senado e Greca como vice, mas ambos os nomes têm demonstrado resistência, ameaçando deixar o PSD caso suas demandas não sejam atendidas.
Expectativas do PL e Encontro com Flávio Bolsonaro
Em paralelo, Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, se reuniu com deputados do PL para discutir a situação eleitoral no Paraná. A participação de Barros como pré-candidato ao Senado foi confirmada, enquanto Giacobo, presidente estadual do PL, busca uma alternativa para o governo estadual, se Ratinho Junior for o indicado do partido para o Palácio do Planalto.
A expectativa é que Flávio Bolsonaro se encontre com Ratinho Junior nas próximas semanas. Além de Barros e Giacobo, outros líderes políticos, incluindo o senador Rogério Marinho e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também devem participar da reunião, que será crucial para definir as estratégias eleitorais na unidade da Federação que possui o quinto maior colégio eleitoral do Brasil.
Com a possibilidade de Ratinho Junior deixar o cargo até 4 de abril, caso decida seguir em frente com sua candidatura presidencial, a prioridade do PL passa a ser estabelecer um forte palanque no estado. Se Ratinho optar por permanecer no cargo, ele deverá focar na campanha de Guto Silva, que é visto como um candidato forte para a disputa.
Por fim, Alexandre Curi também deve tomar decisões sobre seu futuro político em Brasília, após receber um convite para se reunir com Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos.
