Inovações que Transformam a Produtividade da Cana-de-Açúcar
A cana-de-açúcar continua a ser um dos pilares do agronegócio brasileiro, reafirmando a liderança do país na produção global de açúcar e etanol. Conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a expectativa para a safra 2025/26 é de 668,8 milhões de toneladas, o que representa uma leve queda de 1,2% em comparação ao ciclo anterior.
São mais de 8,85 milhões de hectares dedicados ao cultivo, mas a produtividade média nacional deve registrar uma redução, caindo para 75,57 toneladas por hectare. Essa queda é atribuída a condições climáticas adversas, como secas extremas, altas temperaturas e irregularidades na disponibilidade de água, especialmente nas regiões Centro-Sul, que responde por cerca de 85% da produção nacional.
Diante deste cenário desafiador, inovações no manejo do solo se destacam como estratégias essenciais para manter a produtividade e rentabilidade da cultura.
Produtor Paulista Alcança Produção de 160 t/ha com Biotecnologia
Um caso exemplar é o do engenheiro agrônomo Renato Delarco, sócio-proprietário da RR Agrícola, que cultiva 2.500 hectares de cana-de-açúcar em 55 áreas no Noroeste paulista. Na safra de 2025, Delarco conseguiu um impressionante rendimento de 160 toneladas por hectare em cana-planta, superando em mais do que o dobro a média nacional, resultado obtido através do manejo microbiológico do solo.
Essa abordagem inovadora começou a ser implementada há alguns anos, quando o produtor decidiu investir em práticas regenerativas. Em seu mestrado na ESALQ/USP, em 2023, Delarco apresentou resultados alentadores com a utilização da Biotecnologia Microgeo®, que resultou em um aumento de 17 toneladas por hectare e trouxe ganhos financeiros superiores a R$ 2 mil por hectare, conforme a tabela Consecana 2022. Ele destaca: “O manejo microbiológico não apenas eleva a produtividade, mas também fortalece a resiliência do canavial frente a períodos de seca ou estresse climático.”
Resultados Consistentes e Pesquisas Reconhecidas
Dois anos após o início dessa prática, os resultados permanecem positivos. Durante um encontro técnico em Piracicaba (SP), em março de 2025, Delarco reportou médias superiores a 100 t/ha, mesmo em áreas com limitações de solo. “O Microgeo® se tornou uma parte fundamental do nosso sistema produtivo. Atualmente, buscamos entender quais microrganismos têm mais impacto no desempenho e em que fase do ciclo eles são mais relevantes”, acrescentou o produtor, que já teve suas pesquisas reconhecidas e premiadas no setor.
Usina Rio Amambai Agroenergia: Um Exemplo de Sucesso no Mato Grosso do Sul
Outro exemplo de sucesso vem da Usina Rio Amambai Agroenergia, localizada no Mato Grosso do Sul. O engenheiro agrônomo Thiago Gomes Veloso de Araújo, responsável pelo planejamento e qualidade da usina, relata que a biotecnologia é parte de um conjunto de práticas sustentáveis, incluindo o uso de organomineral enriquecido, cobertura vegetal com uma mistura de plantas e o Microgeo® como subtituto da água no plantio.
Araújo ressalta que o manejo tem como objetivo fortalecer a cana-planta e melhorar o enraizamento, garantindo que o canavial mantenha-se verde e saudável, mesmo durante o estresse hídrico dos meses de agosto e setembro. Ele também afirma que os resultados incluem aumentos de 5 a 10 toneladas por hectare e maior longevidade do canavial, com solos mais vivos e produtivos. “O Microgeo® é crucial para manter ativa a vida biológica do solo, equilibrar suas condições e fortalecer o sistema radicular”, conclui.
Pesquisas Comprovam os Benefícios de um Solo Vivo
Esses resultados de campo são respaldados por estudos científicos. Trabalhos da Feagri/Unicamp apresentados à Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil (STAB) mostram que áreas tratadas com Microgeo® apresentam menor compactação do solo, favorecendo o crescimento das raízes. Pesquisas realizadas pela Unesp de Botucatu, sob a liderança dos pesquisadores Carlos Crusciol e Gabriela Siqueira, indicam maior disponibilidade de nutrientes, atividade enzimática mais intensa, redução da temperatura foliar e uso mais eficiente da água, fatores essenciais em ambientes tropicais.
Inovação Biológica: O Caminho para Produtividade e Resiliência
A experiência de Renato Delarco e da Usina Rio Amambai Agroenergia demonstra que o manejo biológico do solo é uma estratégia consolidada para superar as médias nacionais, mesmo em anos de seca e calor extremo. Ao unir ciência, tecnologia e práticas sustentáveis, os produtores que tratam o solo como um ativo estratégico conseguem garantir maior estabilidade produtiva e resiliência climática, estabelecendo um novo padrão de competitividade para o setor sucroenergético.
