Inovação nascem da interação entre pessoas e desafios reais
Quando pensamos em inovação, é comum associar o conceito a inteligência artificial, robótica ou aplicativos revolucionários. No entanto, a inovação está muito mais próxima do dia a dia do que imaginamos: é a capacidade de enxergar um problema conhecido e buscar soluções que sejam mais simples, eficazes e inclusivas.
Foi justamente com essa visão, adquirida em parte durante minha experiência acadêmica no Instituto Politécnico de Bragança (IPB), em Portugal, que surgiu a ideia da Semana Municipal de Inovação de Colombo. Durante o mestrado em dupla certificação, pude acompanhar projetos que utilizavam a inovação baseada em desafios – uma metodologia que parte de problemas reais para estimular a construção colaborativa de soluções.
Além disso, tive a oportunidade de coordenar a Tenda Armada, um dos maiores eventos científicos da instituição, que tinha como objetivo aproximar a universidade da comunidade. A proposta era simples e poderosa: abrir as portas do conhecimento e levar ciência, cultura e arte para o cotidiano das pessoas, usando uma linguagem acessível e inclusiva.
Conexão entre universidade e sociedade: o motor da transformação
O ambiente no IPB era altamente internacional, com estudantes de diversas partes do mundo trocando experiências e diferentes formas de enxergar a realidade. Fui escolhido pelos próprios estudantes para liderar o evento, que unia ciência, cultura e arte em uma programação aberta para toda a comunidade local.
O evento contava com painéis acadêmicos, atividades culturais e apresentações que tornavam o conhecimento científico compreensível e próximo das pessoas. Essa vivência reforçou a ideia de que universidade, escola e espaços de conhecimento precisam dialogar diretamente com a sociedade, sem distanciamento.
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Esse aprendizado foi trazido para Colombo, onde a Semana Municipal de Inovação acontece de 23 a 25 de setembro no Parque Municipal da Uva. O evento reúne o 2º Fórum de Inovação, feira tecnológica, trabalhos científicos, projetos de robótica e iniciativas públicas e educacionais, criando um ambiente que conecta estudantes, professores, pesquisadores, empreendedores, empresas, instituições e poder público.
Inovação como cultura cotidiana e mudança de postura
A pergunta que permanece após o evento é fundamental: o que acontece depois da Semana de Inovação? A inovação não surge em poucos dias; ela se consolida quando passa a fazer parte da cultura diária da cidade.
Quando um servidor público simplifica processos burocráticos, quando um professor adota novas metodologias de ensino, quando um estudante transforma uma ideia em protótipo, ou quando uma empresa firma parcerias com instituições de ensino para resolver problemas locais, a inovação se manifesta. Ela nasce da colaboração entre diferentes setores da sociedade, rompendo o isolamento e estimulando soluções conjuntas.
Inovar, portanto, é mudar a postura tradicional, substituindo o “sempre fizemos assim” pelo questionamento “como podemos fazer melhor?”. Isso envolve experimentar, testar, corrigir e aprender. Falhas não significam derrotas, mas sim etapas essenciais do aprendizado.
Colombo tem nas pessoas seu maior ativo: estudantes, professores, pesquisadores, empreendedores, trabalhadores e servidores públicos com potencial para transformar ideias em ações concretas.
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A Semana Municipal de Inovação foi criada para conectar essas pessoas, aproximar instituições, apresentar experiências, estimular ideias e gerar oportunidades para que projetos se convertam em benefícios reais para a população.
Ciência e comunidade: a base para a inovação sustentável
A experiência vivida em Bragança mostrou que abrir as portas do conhecimento é uma forma poderosa de inovar. Quando ciência, educação, cultura, tecnologia e comunidade se unem, o conhecimento deixa de ser restrito a poucos e se torna um instrumento de transformação social.
É esse espírito que buscamos fortalecer em Colombo. A verdadeira inovação que transforma uma cidade não é apenas a que se exibe em eventos, mas aquela incorporada à forma como ensinamos, trabalhamos, empreendemos e cuidamos das pessoas.
Essa é a maior inovação: compreender que a transformação começa quando cada indivíduo pergunta o que pode fazer diferente para construir um futuro melhor.
Professor Marcelo Castilhos
Coordenador do Departamento de Inovação — SEPIT
Prefeitura Municipal de Colombo
