Perfil dos candidatos culturais nas eleições 2026 no Paraná
Nas eleições de 2026, o Paraná conta com 1.088 candidatos concorrendo a diversos cargos. Desses, apenas 18 têm vínculo comprovado com o meio artístico ou cultural, seja por declaração ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou por trajetória reconhecida externamente, conforme levantamento do Plural. Desses 18 candidatos, 11 disputam vagas na Assembleia Legislativa do Paraná, seis concorrem a deputado federal e apenas uma mulher, Tayná Miessa, do partido Unidade Popular (UP), disputa o cargo de governadora. Ninguém do grupo concorre ao Senado.
O perfil racial do conjunto reflete a diversidade: 66,7% são brancos, 27,8% se declaram pretos ou pardos, e 5,6% amarelos. Dentre eles, oito já têm experiência prévia na política, incluindo três que exercem mandato atualmente — Mara Lima (deputada estadual pelo Republicanos), Giorgia Prates (vereadora de Curitiba pelo PT) e Beto Vizzotto (prefeito de Paraíso do Norte pelo PT). Marco Brasil, candidato a deputado federal pelo PSD, tem histórico de mandatos assumidos como suplente.
Segmentos culturais e base eleitoral
As áreas mais representadas entre os candidatos são produção de espetáculos e música, ocupando 33,3% cada dentro do grupo. Quando se considera o conjunto completo, a música se destaca com 44,4%. Contudo, 75% dos candidatos ligados à música não apresentam propostas específicas para o setor cultural em suas campanhas. A capital Curitiba é a cidade-base para 10 desses concorrentes.
Recursos de campanha e patrimônio declarado
Entre os candidatos ligados à cultura, três se destacam pelo volume de patrimônio e receita de campanha. Beto Vizzotto (PT), candidato a deputado estadual, declarou bens superiores a R$ 20,5 milhões e contabiliza R$ 366,5 mil em recursos de campanha, incluindo fundos partidários e doações de pessoas físicas. Marco Brasil (PSD), que disputa deputado federal, soma mais de R$ 6,2 milhões em patrimônio e já declarou R$ 1,57 milhão para a campanha. Mara Lima (Republicanos) possui patrimônio declarado de pouco mais de R$ 833 mil e arrecadou cerca de R$ 717 mil para a disputa.
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Fonte: olhardanoticia.com.br
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Fonte: noticiasdorecife.com.br
Outros candidatos apresentam patrimônios variados, com quatro situados entre R$ 250 mil e R$ 600 mil, dois entre R$ 100 mil e R$ 249 mil, e outros dois abaixo de R$ 100 mil. A receita de campanha segue padrão semelhante: quatro candidatos informaram entre R$ 25 mil e R$ 250 mil, oito até R$ 25 mil, e três ainda não registraram valores. Financiamento coletivo foi usado por apenas dois candidatos: Tayná Miessa, com R$ 2.515, e Caê Traven (PT), que arrecadou pouco mais de R$ 3 mil.
Propostas para a cultura no Paraná
Governador
Tayná Miessa (UP – Curitiba) é produtora de espetáculos e aponta a necessidade de valorização da arte pública e descentralização da cultura no Paraná. Em seu plano, propõe plenárias mensais dedicadas à cultura, realização de um congresso de cultura popular e a eleição do secretariado da área entre atores culturais do estado. Pretende criar uma editora pública para autores locais, promover feiras do livro nas regiões metropolitanas e estabelecer um fundo para financiar a cultura indígena. Também propõe mapear e tombar espaços de tradições de matriz africana, construir salas de cinema públicas conforme a população dos municípios e instituir um sistema estadual de bibliotecas públicas, além de implementar o Plano Estadual do Livro e da Leitura.
Deputados federais
Leonna Moriale (PDT) destaca direitos das mulheres, população LGBT+, educação inclusiva e investimento em cultura entre suas prioridades. Marco Brasil (PSD) concentra suas propostas no universo dos rodeios e da música sertaneja, defendendo a valorização do rodeio como patrimônio cultural imaterial, com projeto em tramitação na Câmara. A cantora Juliana Valiati (PL) enfatiza a importância da cultura para transformar vidas, sem detalhar propostas específicas. Outros candidatos, como Victor Augusto (Podemos), Anita de Biasi (Missão) e Carlinhos Banda Garrafão (PSB), não divulgaram propostas culturais.
Deputados estaduais
Caê Traven (PT – Curitiba), produtor cultural e ativista, sustenta a justiça racial e a cultura como plataformas centrais, defendendo a descentralização de recursos e a desburocratização dos editais culturais. Giorgia Prates (PT – Curitiba) tem histórico de atuação na defesa da cultura negra, periférica e do hip-hop, além de apoio orçamentário a projetos populares. Beto Vizzotto (PT – Paraíso do Norte) incentiva a economia criativa e o acesso cultural no interior do Estado.
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Fonte: agendapublica.com.br
Flávia da Zombie Walk (PSDB – Curitiba) luta pela acessibilidade na cultura, incluindo inclusão de pessoas com deficiência na produção artística. Giovanni Cosenza (PSDB – Curitiba), produtor e gestor cultural, pede mais recursos para cultura, transparência no uso dos fundos e valorização das festas populares tradicionais paranaenses. Mara Lima (Republicanos – Curitiba) defende a música gospel, propondo seu reconhecimento como patrimônio cultural imaterial do Paraná.
Outros candidatos, como o cantor Kalebe (Podemos), Maestro Evaldo (PRD), Eduardo Gomes (Missão), poeta Angela (Rede) e Silvana Rosa (PSDB), não apresentaram propostas específicas para cultura.
Exclusões e considerações finais
Foram excluídos do levantamento candidatos com ocupações artísticas declaradas ao TSE, mas que possuem vínculos profissionais fora da cultura, como Valdecí Olimpio “Baré” (Avante), Claudinei Borges (Democrata) e Robson Moreira (Democrata), além de Mirelle Romanchuk (PSDB), por ausência de comprovação artística. O levantamento baseia-se em dados oficiais do TSE em 14/09/2026 e apuração do Plural em fontes diversas, incluindo redes sociais e materiais de campanha.
