Moro lidera, mas cenário para o segundo turno segue indefinido
A sucessão de Ratinho Junior no governo do Paraná avança, porém ainda sem um desfecho claro. Pesquisas divulgadas nesta semana confirmam a liderança do senador Sergio Moro na disputa pelo Palácio Iguaçu, mas revelam um quadro dividido na briga pelo segundo lugar, fundamental para definir o adversário do líder em um eventual segundo turno.
O levantamento da Paraná Pesquisas, divulgado em 3 de setembro, indica Moro com 45% das intenções de voto, seguido por Requião Filho, com 24%, e Sandro Alex, com 17,5%. Foram entrevistados 1.280 eleitores em 56 municípios entre 31 de agosto e 2 de setembro, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais (registro PR-03399/2026 no Tribunal Superior Eleitoral).
Diferenças entre pesquisas e a disputa pela vice-liderança
Em contraste, a pesquisa do IRG, divulgada pelo Grupo RIC no dia seguinte, apresentou resultados distintos ao considerar as chapas completas. Moro e seu vice, Edson Vasconcelos, alcançaram 38,8%, enquanto Sandro Alex e Rafael Greca somaram 27%, e Requião Filho com Michele Caputo, 21,8%. O levantamento ouviu 1.200 pessoas entre 31 de agosto e 3 de setembro, com margem de erro de 2,83 pontos percentuais (registro PR-02179/2026).
As metodologias diferentes impedem uma comparação direta, mas ambos os levantamentos mostram Moro na liderança e uma disputa acirrada entre Sandro Alex e Requião Filho pelo posto que pode garantir o segundo turno.
Importância estratégica do segundo lugar e espaço para mudanças
O segundo lugar ganhou protagonismo na disputa, pois definirá o adversário de Moro caso haja segundo turno. A Paraná Pesquisas aponta Requião Filho com vantagem de 6,5 pontos sobre Sandro Alex, enquanto o IRG destaca Sandro à frente por 5,2 pontos.
Esse equilíbrio reforça a atenção das campanhas para identificar qual candidato tem maior potencial de crescimento e menor resistência entre eleitores ainda indecisos. Na pesquisa Paraná Pesquisas, 51,2% dos entrevistados não apontaram espontaneamente um candidato, evidenciando o espaço para movimentações políticas e estratégias de campanha.
A aliança governista e o desafio de Sandro Alex
Sandro Alex conta com a estrutura política do grupo de Ratinho Junior, que apoia sua candidatura com ampla base partidária. A presença de Rafael Greca como vice reforça a chapa, somando experiência e reconhecimento na capital paranaense.
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Porém, transformar essa base em votos em todo o Estado é o desafio central para Sandro Alex. Ele precisa construir uma identidade própria, capaz de dialogar com as demandas concretas dos eleitores, além de superar a percepção de ser apenas o candidato do atual governo.
Moro e a necessidade de conectar experiência nacional à realidade estadual
Sergio Moro mantém a liderança nas pesquisas, mas terá que responder às expectativas que sua trajetória nacional cria. Além de temas como combate à corrupção e segurança pública, o senador precisa apresentar propostas que dialoguem com as prioridades do paranaense, como saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento regional.
A campanha estadual exigirá que Moro demonstre capacidade administrativa e conecte sua imagem à realidade local para ampliar sua base eleitoral.
Requião Filho enfrenta o desafio da rejeição
Requião Filho mantém reconhecimento político e espaço eleitoral, mas a rejeição elevada representa um obstáculo significativo. A pesquisa do IRG aponta que 43,8% dos entrevistados não votariam nele, percentual superior ao de Moro (28,6%) e Sandro Alex (4,3%).
Para avançar, Requião precisará ampliar seu eleitorado sem aumentar sua rejeição, conciliando sua identidade política com apelo a segmentos mais amplos da população. O apoio da esquerda amplia sua base, mas pode intensificar a polarização em torno de sua candidatura.
Campanha amplia exposição e intensifica debate
Com o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão desde 28 de agosto, os candidatos ampliam sua presença para além das redes sociais e portais. Essa nova fase favorece campanhas com mensagens claras e conexão com o cotidiano do eleitor.
Será fundamental que Sandro Alex apresente sua trajetória e propostas, Moro demonstre como sua experiência nacional será aplicada no Paraná, e Requião Filho reduza distâncias com eleitores resistentes.
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Judicialização e papel da Justiça Eleitoral na disputa
A Justiça Eleitoral, por meio do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, assume papel relevante na fiscalização da propaganda e no combate à desinformação. Em um cenário em que as redes sociais aceleram a disseminação de informações, o tribunal atua para garantir que acusações e conteúdos sejam verificados, preservando a integridade do processo eleitoral.
Ratinho Junior sob avaliação indireta da eleição
Embora não concorra, Ratinho Junior terá sua influência avaliada indiretamente pelo desempenho de Sandro Alex. Uma vitória do candidato governista consolidaria o grupo no Palácio Iguaçu, enquanto uma derrota abriria debates sobre os limites da liderança política do governador após dois mandatos.
Essa dinâmica provoca atenção interna na base governista, com lideranças regionais reposicionando seu apoio conforme o cenário das pesquisas e da campanha evoluem.
Perspectivas e o que esperar das próximas semanas
Apesar da vantagem de Moro, as pesquisas recentes não definem a eleição. A disputa pelo segundo lugar permanece incerta e o eleitorado ainda demonstra alta taxa de indecisão. A exposição crescente no rádio e na televisão promete movimentar o cenário.
Para o eleitor, o foco deve ser identificar qual candidato apresenta o projeto mais consistente para o Paraná. Para os partidos, a questão é escolher quem tem força para chegar ao segundo turno e construir uma maioria sólida, que não dependa apenas da rejeição do adversário.
Setembro se configura como mês decisivo para a eleição paranaense, com a definição de rumos que podem alterar o panorama político estadual.
