Desafios e propostas para a saúde no Paraná
A demora para conseguir consultas, exames e cirurgias, a carência de especialistas em várias regiões e a concentração dos serviços de saúde nos grandes centros urbanos são problemas que marcam a Saúde (SUS) no Paraná. Os oito candidatos ao governo do estado apresentaram, em seus planos de governo, estratégias para enfrentar essas dificuldades. Entre as principais soluções estão a regionalização da rede de atendimento, o aumento do número de profissionais no interior e a construção de novas unidades hospitalares.
A análise dos planos dos candidatos, organizada conforme a pesquisa de intenções de voto do instituto Alfa Inteligência, mostra que o foco principal é garantir acesso mais ágil e qualificado para a população, além de fortalecer a prevenção e os cuidados contínuos, especialmente para doenças crônicas e de alta complexidade.
Propostas detalhadas dos candidatos para a saúde pública
Sergio Moro (PL): Inovação e ampliação dos serviços
Moro propõe implementar um pagamento complementar aos hospitais pelo Ministério da Saúde para ampliar cirurgias eletivas, inspirado na Tabela SUS Paulista. Busca integrar sistemas de informação com prontuário eletrônico e inteligência artificial, além de expandir teleconsultas e telemonitoramento para quem vive longe dos especialistas. O lançamento de um aplicativo para marcação de consultas e acompanhamento do atendimento também está previsto.
Outro ponto importante é a construção urgente do Hospital do Trabalhador na Região Norte de Curitiba, oferecendo serviços de alta complexidade pelo SUS. O candidato também destaca a criação de um serviço especializado para diagnóstico precoce e suporte a famílias de autistas e pessoas com Hiperatividade (TDAH), além de ampliar os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) para prevenção ao suicídio e tratamento de vícios.
Para câncer, a meta é garantir o primeiro atendimento em até 30 dias após o diagnóstico. A valorização dos profissionais de saúde com melhorias nas condições de trabalho e incentivos para permanência no serviço público também consta no plano.
Sandro Alex (PSD): Regionalização e cuidado integrado
Alex propõe criar uma rede de apoio intersetorial para idosos, autistas e pessoas com deficiência, além de aprimorar a distribuição de medicamentos e ampliar equipes multiprofissionais nas unidades básicas. A construção de um hospital de trauma em Foz do Iguaçu com 200 leitos está no planejamento, assim como a regionalização da atenção domiciliar e cuidados paliativos.
Ele também pretende integrar estudantes de medicina às escolas para atuar na prevenção, expandir centros especializados para autistas e idosos, além de promover a prevenção do adoecimento relacionado ao trabalho. A vigilância epidemiológica pelo monitoramento do esgoto para detecção de vírus e contaminantes é uma inovação proposta.
Requião Filho (PDT): Fortalecimento da atenção primária e inovação tecnológica
Este candidato aposta em aumentar gradualmente os recursos estaduais para a saúde e o cofinanciamento aos municípios na atenção primária. Propõe um sistema transparente para acompanhamento das filas, com prioridades clínicas e prazos claros.
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A estratégia inclui concursos, residências médicas e incentivos para fixação de profissionais no interior. A criação de Hospitais Regionais da Mulher e da Infância, o compartilhamento de informações clínicas entre unidades e a ampliação dos Caps para prevenção do suicídio também são pontos centrais.
Luiz França (Missão): Organização das filas e integração digital
França quer organizar a fila de espera com base no risco clínico, possibilitando que o cidadão consulte sua posição. A proposta prevê uma jornada contínua de cuidado, integrando consulta, exames, cirurgia e acompanhamento.
Também destaca a comunicação eficiente entre sistemas estaduais e municipais para garantir que o histórico médico acompanhe o paciente, e o atendimento remoto por diversos prestadores. Mapear as filas e as capacidades de telemedicina nas regiões nos primeiros cem dias de governo está entre as primeiras ações.
Tayná Miessa (UP): Atenção básica fortalecida e acesso ampliado
Miessa defende o fim das parcerias público-privadas para que os recursos sejam investidos integralmente na rede pública. Quer garantir que 40% a 50% dos recursos de saúde sejam aplicados na atenção básica, com atendimento noturno e nos finais de semana em todas as unidades básicas de saúde (UBS).
Além disso, propõe ampliar equipes para cuidar de famílias com histórico de diabetes e cardiopatias, reduzir internações evitáveis, substituir medicamentos psiquiátricos antigos e criar uma Coordenadoria de Promoção da Saúde para atuar em conjunto com a educação. Aumentar a cobertura vacinal e expandir concursos públicos para a área da saúde também são prioridades.
Alexandre Salomão (Mobiliza): Complementação financeira e ampliação de cirurgias
Salomão quer criar a Tabela SUS Paranaense para complementar os valores pagos pela União, com foco em Santas Casas e hospitais filantrópicos em crise. Propõe ampliar o programa de cirurgias eletivas e expandir a rede regional de Ambulatórios Médicos de Especialidades para evitar deslocamentos ao interior.
Também planeja um plano permanente para resposta rápida a crises hospitalares e o mapeamento do tempo de espera para diagnóstico de neurodivergências logo nos primeiros meses de governo.
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Samuel de Mattos (PSTU): Reestatização e fortalecimento do SUS
Mattos defende a expropriação de grandes redes hospitalares e laboratórios privados para integrá-los ao SUS, além da extinção da Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Estado do Paraná (Funeas), Organizações Sociais e Parcerias Público-Privadas, com reestatização de hospitais e serviços.
O plano inclui a construção de novas UPAs, UBSs e Hospitais Regionais, assistência integral para pessoas com deficiência e destinação total das vagas de saúde nas universidades estaduais para egressos da rede pública. Ele também defende concursos para mais de 3.500 profissionais, incorporação de terceirizados à rede pública e garantia do aborto legal, seguro e gratuito pelo SUS, além de políticas para prevenção e tratamento de infecções sexualmente transmissíveis e descriminalização das drogas com foco em saúde pública.
Adriano Teixeira (PCO): Ampliação radical de recursos e formação
Teixeira propõe acabar com limites de gastos públicos na saúde, construir hospitais e postos, abrir centenas de cursos de medicina e enfermagem sem vestibular nas universidades públicas e estabelecer piso salarial de R$ 8 mil para profissionais da área.
Quer ainda retomar o programa Mais Médicos e validar diplomas de médicos brasileiros e estrangeiros residentes no país, buscando ampliar de forma rápida e massiva o acesso à saúde pública.
O que muda para o paranaense?
As propostas, apesar das diferenças, convergem para o desafio de ampliar e qualificar o atendimento da Saúde (SUS) no Paraná. A regionalização dos serviços, o investimento em tecnologia, a valorização dos profissionais e o foco na prevenção aparecem em praticamente todos os planos.
A população do interior do estado pode ser a maior beneficiada com a descentralização das unidades e o estímulo à fixação de médicos e especialistas nessas regiões. O fortalecimento da atenção básica, a ampliação do acesso a consultas e cirurgias e o cuidado com condições crônicas também apontam para um impacto direto na qualidade de vida dos usuários do SUS.
O próximo governo terá o desafio de transformar essas propostas em ações concretas, com recursos adequados e gestão eficiente, para que o sistema público de saúde atenda melhor a quem mais precisa.
