Aumento dos casos de esporotricose e medidas de prevenção no Paraná
O Paraná tem observado um avanço preocupante dos casos de esporotricose, uma infecção causada por fungos que pode ser transmitida de gatos e cães para humanos. Diante desse cenário, órgãos estaduais intensificam o alerta e reforçam estratégias de prevenção, destacando a castração dos felinos como uma das principais formas de controle da doença.
Segundo dados oficiais da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o estado registrou 5.735 casos de esporotricose em gatos e 1.230 em humanos. Para enfrentar esse quadro, a Sesa distribuiu 310 mil cápsulas de itraconazol, medicamento utilizado no tratamento dos animais infectados, buscando reduzir a proliferação da infecção.
Programa CastraPet e a importância da castração
Em funcionamento desde 2020, o Programa Permanente de Esterilização de Cães e Gatos (CastraPet) tem papel fundamental no combate à esporotricose. Coordenado pela médica veterinária Girlene Jacob, o programa enfatiza a castração como medida preventiva essencial para conter a disseminação da doença.
“A esporotricose representa um desafio relevante para a saúde pública. O controle ético da população de cães e gatos contribui diretamente para o enfrentamento dessas zoonoses, pois reduz o abandono e melhora o bem-estar dos animais”, explica Girlene Jacob.
Características da esporotricose e transmissão
A infecção, causada pelo fungo Sporothrix brasiliensis, manifesta-se nos gatos por meio de feridas profundas, especialmente na face e nas patas, que são difíceis de cicatrizar. A contaminação humana ocorre pelo contato direto com os animais doentes, por arranhaduras, mordidas ou ambientes contaminados. Nas pessoas, a doença provoca úlceras cutâneas e pode afetar mais gravemente os pulmões, articulações e ossos em casos raros.
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Fonte: decaruaru.com.br
“A esporotricose atinge principalmente indivíduos vulneráveis e se espalha na ausência de diagnóstico, tratamento e isolamento adequados”, destaca a veterinária. A castração ajuda a prevenir situações que favorecem a transmissão, como as brigas entre animais, pois diminui os hormônios ligados à reprodução e territorialidade, reduzindo o comportamento agressivo.
Outras medidas essenciais para prevenção
O presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná (CRMV-PR), Adolfo Sasaki, ressalta a importância da posse responsável e da conscientização para conter a doença. Ele aponta que áreas sem atendimento veterinário e bairros de menor renda são os mais afetados pela esporotricose.
Além disso, evitar que gatos tenham acesso à rua e contato com animais infectados é uma medida crucial para conter a proliferação do fungo. A castração também contribui para diminuir a vontade dos felinos de sair de casa, colaborando para a prevenção.
Monitoramento e vigilância ampliada
Desde 2022, a notificação de casos de esporotricose em humanos e animais é obrigatória no Paraná, o que possibilitou um monitoramento mais eficaz da doença. A veterinária Roselane Oliveira de Souza Langer, da Divisão de Vigilância de Zoonoses e Intoxicações da Sesa, relaciona o aumento dos casos ao crescimento da população de gatos não castrados e ao descontrole populacional.
“Não é possível dissociar a doença das questões ambientais e do bem-estar animal, o que reforça a necessidade de ações integradas para cuidar dos gatos em situação de rua”, afirma Roselane.
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Fonte: ocuiaba.com.br
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O CastraPet já realizou a castração de 160 mil animais nos últimos seis anos, oferecendo o procedimento gratuitamente para populações de baixa renda, protetores independentes e pessoas vinculadas a organizações sociais.
Contexto nacional e internacional da esporotricose
A esporotricose deixou de ser considerada uma doença rara e tornou-se um dos maiores desafios das zoonoses na América do Sul. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil concentra o maior surto da doença transmitida entre gatos e humanos, causada pelo fungo Sporothrix brasiliensis.
Nos últimos dez anos, mais de 11 mil casos humanos foram notificados na região afetada, com o Brasil assumindo papel de referência internacional no monitoramento e controle da enfermidade. A transmissão, que antes estava associada principalmente ao contato com solo e plantas, tem nos gatos o principal vetor para humanos.
A OMS classifica a esporotricose como uma doença tropical negligenciada e defende a integração entre médicos, veterinários e autoridades de saúde para conter o avanço da doença. Entre as estratégias apontadas estão o controle da população felina, o diagnóstico precoce, o tratamento adequado e a educação da população para evitar novos casos e impedir a expansão do surto para outras regiões.
