UFPR será a base para inovação em hidrogênio de baixa emissão
A Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi escolhida para abrigar o centro de competência em Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono, uma iniciativa que visa impulsionar a capacidade do Brasil na produção energética sustentável. Essa unidade fará parte do sistema de Centros de Competência da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O anúncio oficial foi feito em Brasília (DF), na terça-feira (30).
O centro atuará como um elo entre universidades, institutos de pesquisa, empresas e laboratórios, focando no avanço de tecnologias nacionais para produção, armazenamento, transporte, segurança e aplicações industriais do hidrogênio de baixa emissão de carbono. Além disso, a estrutura fomentará a formação de profissionais, pesquisadores e lideranças técnicas altamente qualificadas, promovendo a transferência de conhecimento para o setor produtivo.
Tecnologia, empreendedorismo e inovação para o futuro energético
O projeto prevê a incorporação de competências em empreendedorismo tecnológico, propriedade intelectual e transferência de tecnologia. Um dos objetivos é estimular a criação de startups, spin-offs e novos negócios focados em soluções com hidrogênio verde. A ministra Luciana Santos destacou que essa é uma decisão estratégica para o fortalecimento das capacidades científicas e tecnológicas do país, visando a competitividade em uma economia de baixo carbono nas próximas décadas. “Nosso compromisso é garantir que o País não seja apenas consumidor das tecnologias do futuro, mas também desenvolvedor dessas soluções”, afirmou.
Alvaro Prata, presidente da Embrapii, reforçou a expectativa de que o centro contribua para o desenvolvimento de conhecimento e para o domínio de rotas tecnológicas variadas no setor. “Queremos que esse centro desenvolva competência e dê segurança para o Brasil atuar nessa área”, declarou.
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Investimento público para impulsionar inovação e sustentabilidade
O investimento previsto para a unidade é de R$ 60 milhões, provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). As plantas piloto funcionarão como ambientes de inovação aberta, conectando a UFPR, a Embrapii, empresas e startups para testar, integrar, demonstrar e escalar tecnologias. Essa abordagem reduz riscos e acelera a maturidade tecnológica de produtos e processos relacionados ao hidrogênio.
O centro está integrado à Iniciativa Brasileira do Hidrogênio, uma estratégia conduzida pelo MCTI para articular e fortalecer ações em ciência, tecnologia, inovação e empreendedorismo em toda a cadeia produtiva do hidrogênio. Além disso, faz parte do Sistema Brasileiro de Laboratórios de Hidrogênio (SisH2-MCTI), ampliando a colaboração entre instituições e acelerando a transformação do conhecimento em inovação.
Pacote de investimentos reforça inclusão e diversidade na ciência
Além do centro em hidrogênio, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e outros órgãos, lançou um pacote de investimentos de cerca de R$ 65 milhões. O foco é promover a inclusão de mulheres, população negra, indígenas e comunidades tradicionais na produção científica nacional, unindo esforços com o Ministério da Igualdade Racial (MIR), Ministério das Mulheres, Ministério da Educação (MEC), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Petrobras e Instituto Rio Branco.
Entre os programas destacados está o Projeto InspirAÇÃO, financiado pelo Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação da Petrobras (Cenpes), com R$ 30,24 milhões para inserir alunas negras do ensino médio na cultura científica, principalmente em áreas como energia e sustentabilidade. As estudantes receberão bolsas de iniciação científica no valor de R$ 560 mensais.
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Fonte: indigenalise-se.com.br
Programas para ampliar acesso e diversidade em ciência e tecnologia
O Programa Asas para o Futuro destina R$ 7,55 milhões para qualificar 3.520 jovens mulheres nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), priorizando adolescentes em situação de vulnerabilidade. A segunda edição da Chamada Atlânticas (Beatriz Nascimento), com R$ 4,92 milhões, apoia pesquisadoras negras, quilombolas, indígenas e ciganas em doutorados e pós-doutorados no exterior.
Já o Programa Lélia Gonzalez conta com R$ 5 milhões para pesquisas que investiguem o racismo estrutural e as disparidades sociais no Brasil, com propostas recebendo até R$ 250 mil, incluindo bolsas de Iniciação Científica (IC) e Apoio Técnico (AT). Ainda foi instituída a Rede Nacional de Pesquisa em Igualdade Racial, coordenada pela professora e ex-ministra Nilma Lino Gomes, com um aporte de R$ 15 milhões para conectar universidades e instituições de ciência e tecnologia (ICTs) na avaliação de políticas públicas.
Iniciativas afirmativas para fortalecer presença feminina e diversidade
O Programa de Ação Afirmativa (PAA) recebeu R$ 210 mil para conceder sete Bolsas Vocação Diplomacia, direcionadas exclusivamente para mulheres negras de baixa renda, em parceria com o Instituto Rio Branco. A ministra Luciana Santos enfatizou que a ciência precisa da diversidade para alcançar resultados que dialoguem com os desafios reais da população. “Ciência não se faz apenas com excelência, ciência também se faz com equidade”, afirmou.
Com essas ações, o Brasil reforça seu compromisso em unir inovação tecnológica, inclusão social e sustentabilidade, ampliando o impacto da ciência e tecnologia no desenvolvimento do país.
