Avanço tecnológico no georreferenciamento de terras no Paraná
O Instituto Água e Terra (IAT) do Paraná deu um passo importante para acelerar e aprimorar o trabalho de medição de terras no estado. Nesta terça-feira (9), foram entregues seis novos aparelhos de navegação por satélite do tipo Global Navigation Satellite System (GNSS), tecnologia suíça que amplia a capacidade de captura de sinais e aumenta a precisão das medições em campo. O investimento total feito pelo IAT foi de R$ 542 mil.
Segundo Carlos Roberto Fernandes Pinto, gerente de Geociências do instituto, a principal vantagem dos novos equipamentos está na capacidade de captar até 550 canais satelitais simultaneamente, contra os 120 canais disponíveis nos aparelhos anteriores. Isso reduz o tempo para marcar coordenadas de pontos no terreno de cinco segundos para apenas um segundo, tornando o trabalho dos técnicos muito mais eficiente e preciso.
Impacto direto na regularização fundiária e segurança jurídica
O uso do GNSS tem papel fundamental na regularização fundiária, processo que envolve a identificação, cadastro e georreferenciamento dos imóveis rurais e urbanos. Em parceria com prefeituras locais, o IAT realiza esse trabalho para garantir o registro correto das propriedades, especialmente das terras devolutas — aquelas remanescentes de sesmarias não colonizadas e que estão sob domínio do Estado.
O georreferenciamento gera mapas e memoriais descritivos que definem os limites exatos dos imóveis. Com a regularização, os ocupantes passam a ter segurança jurídica, o que abre caminho para acesso a financiamentos bancários, políticas públicas e programas governamentais de crédito. “Com os novos aparelhos, as medições serão mais rápidas e precisas, o que agiliza significativamente o trabalho dos técnicos de campo”, destaca Pinto.
Senado aprova linha de crédito especial para dívidas do setor agropecuário
No dia seguinte, quarta-feira (10), o Senado Federal aprovou o Projeto de Lei nº 5.122/2023, que cria uma linha especial de financiamento para renegociação de dívidas no setor agropecuário. A medida é aguardada pelo campo, especialmente por produtores afetados por secas, enchentes e flutuações de preços e custos.
Importante esclarecer que o projeto ainda não é lei: ele retornará à Câmara dos Deputados para nova votação devido às alterações feitas no Senado, e só será efetivado após sanção presidencial e regulamentação. O momento é para que produtores organizem a documentação e se preparem para as regras, sem assinar compromissos antecipados.
Critérios e abrangência da linha de financiamento
A linha de crédito foi elaborada para produtores rurais e cooperativas que sofreram perdas reais entre 2019 e 2025, em pelo menos duas safras, com redução de 30% ou mais na renda agropecuária, comprovada por laudo técnico. Para pequenos produtores e beneficiários do Pronaf, o laudo pode ser coletivo, simplificando o processo.
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São contempladas dívidas relacionadas a crédito rural para custeio, comercialização, industrialização, além de parcelas vencidas ou a vencer entre 2024 e 2027. Incluem-se também as Cédulas de Produto Rural (CPRs) emitidas até 31/12/2025, mesmo em situação de inadimplência, desde que registradas oficialmente. Operações realizadas via Medidas Provisórias 1.226/2024 e 1.314/2025 também estão abrangidas.
Condições e benefícios para os produtores
As taxas de juros previstas são diferenciadas: 3,5% ao ano para Pronaf e pequenos produtores, 5,5% para médios produtores (Pronamp) e 7,5% para os demais. O prazo para pagamento pode chegar a 13 anos, com carência mínima de 2 anos, e possibilidade de extensão em casos excepcionais. Os limites são de até R$ 10 milhões por produtor e até R$ 50 milhões para associações, cooperativas ou condomínios.
Além disso, os débitos serão recalculados desde a contratação original sem aplicação de multas ou encargos, o que pode reduzir significativamente o saldo devedor. A adesão ao programa não impede novos financiamentos, não exige certidões negativas nem garantias adicionais, e suspende cobranças judiciais e execuções por até 180 dias para os enquadrados.
Preparação técnica e regulamentação ainda são fundamentais
O projeto tem caráter autorizativo, cabendo ao Poder Executivo definir detalhes operacionais por meio de regulamentação, incluindo limites de recursos e prazos. Por isso, produtores devem preparar documentação detalhada, laudos técnicos e analisar individualmente suas dívidas para aproveitar as novas condições quando vigorarem.
Também está prevista a possibilidade de contratação de linha de crédito para liquidação de operações com alongamento de débito autorizado entre 2024 e 2026, ampliando o alcance da medida para o setor.
Investimento do BNDES fortalece infraestrutura agrícola no Oeste do Paraná
Em outra frente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou aporte de R$ 79,9 milhões para a Coopavel Cooperativa Agroindustrial expandir sua capacidade de armazenagem e beneficiamento de grãos em Nova Aurora e Cascavel. O investimento total do projeto é de R$ 84,5 milhões.
As duas unidades terão capacidade para armazenar até 40 mil toneladas cada, com movimentação diária próxima a 6,5 mil toneladas. As instalações incluirão áreas administrativas, depósitos, classificação e expedição, além de infraestrutura para comercialização de insumos agrícolas. A expectativa é gerar cerca de 80 empregos temporários durante a construção e 22 empregos diretos após a conclusão.
Impactos na logística e na economia regional
Com a ampliação, a cooperativa visa reduzir gargalos logísticos e garantir maior segurança para os produtores na pós-colheita, oferecendo flexibilidade para comercializar a safra no momento ideal e evitando perdas por condições climáticas adversas.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destaca que o projeto fortalece uma cadeia produtiva essencial para a economia local, melhora a organização da produção e contribui para geração de renda e empregos no campo.
Além disso, a melhoria da infraestrutura deve reduzir custos logísticos e aumentar a eficiência produtiva, beneficiando diretamente os cooperados em condições de comercialização e conservação dos grãos.
As obras começaram em dezembro de 2025, com previsão de término para dezembro de 2027. A unidade de Nova Aurora já avançava em março de 2026, enquanto a unidade de Cascavel aguardava licença de instalação, liberada em abril de 2026.
Essas iniciativas demonstram como investimentos em tecnologia e infraestrutura são fundamentais para modernizar a agricultura paranaense, garantir a segurança jurídica no campo e fortalecer a economia regional com impactos concretos para produtores e cooperativas.
