Transações Comerciais Crescem Mesmo em Conflito
A balança comercial do agronegócio brasileiro continua a surpreender neste ano, superando os resultados de 2025. Nos primeiros quatro meses de 2024, as exportações do setor alcançaram impressionantes US$ 54,2 bilhões, marcando um crescimento de 2% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Embora os preços das principais commodities tenham apresentado queda, o Brasil se destaca pela maior quantidade de produtos disponíveis para exportação.
Enquanto isso, as importações também cresceram, atingindo US$ 11,2 bilhões, com um aumento de 5% em relação ao período equivalente de 2025. O principal item de gastos foi em fertilizantes, que contabilizaram US$ 4,3 bilhões, resultando na aquisição de 11,8 milhões de toneladas desse insumo nos quatro primeiros meses do ano. Os agroquímicos, com 197 mil toneladas importadas, também contribuíram para o aumento das despesas do setor.
Irã é Destaque nas Compras do Agronegócio Brasileiro
Um dos acontecimentos mais notáveis foi o aumento significativo das importações pelo Irã, que, mesmo em meio a um cenário de guerra, elevou suas compras do Brasil em 49% entre março e abril. Durante esse período, o país adquiriu 610 mil toneladas de soja e 511 mil toneladas de farelo de soja, conforme dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). Além disso, foram compradas 136 mil toneladas de milho.
Com isso, o Irã se estabeleceu como o segundo maior importador de milho do Brasil e ocupa a terceira posição na compra de farelo de soja, além de ser o décimo na lista de importação de soja. De janeiro a abril, os iranianos dedicaram US$ 912 milhões a produtos agrícolas brasileiros, um crescimento de 15% em relação ao mesmo período do ano passado.
Expansão do Complexo Soja e das Carnes no Agronegócio
O crescimento das exportações do agronegócio neste ano está fortemente ligado à expansão do complexo soja, que inclui grão, farelo e óleo, além das três principais carnes: bovina, suína e de frango. A soja e seus derivados, impulsionados por uma safra recorde, renderam US$ 8,1 bilhões em abril, totalizando US$ 20,1 bilhões nos primeiros quatro meses. As carnes, um dos destaques da balança comercial, alcançaram um recorde de US$ 11 bilhões, 20% a mais em comparação ao mesmo período do ano anterior, com a carne bovina liderando as receitas, especialmente em função do aumento das exportações para a China.
De acordo com a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), o Brasil exportou 1,09 milhão de toneladas de carne bovina até agora, representando um aumento de 15% em relação a 2025. As receitas com essa carne atingiram US$ 6 bilhões, refletindo um crescimento de 33% em razão do aumento dos preços médios.
Expectativas para o Futuro das Exportações
Apesar do desempenho positivo, especialistas alertam que o ritmo acelerado das vendas externas de carne bovina pode desacelerar no segundo semestre. O Brasil possui uma cota de 1,1 milhão de toneladas para exportação à China sem a necessidade de pagar taxas adicionais de 55%. O governo chinês informou que o Brasil já alcançou 50% desse volume, indicando que a margem para crescimento pode estar diminuindo.
Os dados da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) também revelam um avanço nas receitas com carnes suínas e de frango. As vendas de carne de frango atingiram US$ 3,7 bilhões, enquanto a carne suína garantiu US$ 1,24 bilhão no quadrimestre.
Desafios para Café e Açúcar
Por outro lado, o café e o açúcar, que também são essenciais na balança do agronegócio, não conseguiram acompanhar o crescimento da soja e das carnes, apresentando queda nas receitas. Isso se deve, em grande parte, à desaceleração dos preços externos, que melhoraram as perspectivas de fornecimento dessas matérias-primas.
