Transformando a Agricultura com Tecnologia Avançada
No estado do Paraná, as plantações estão se destacando como verdadeiros laboratórios tecnológicos. A combinação de inteligência artificial, drones e tratores guiados por satélite está revolucionando a produção agrícola de grãos, tanto para a agroindústria quanto para a exportação de commodities. Essa evolução, parte da agricultura de precisão impulsionada pela indústria 4.0, representa um salto significativo na automação do campo, integrando o cultivo à digitalização e proporcionando dados em tempo real, além da execução de ações pré-estabelecidas durante o plantio e a colheita.
O Hub de Inteligência Artificial do Senai Paraná tem se consolidado como uma referência nacional na incorporação de inovação nas indústrias. Desde sua fundação em 2019, na cidade de Londrina, o hub desenvolveu mais de 600 projetos, atraindo a atenção de empresas de todo o Brasil. Com aproximadamente 200 alunos no programa de residência em IA, impressionantes 99% conseguiram se inserir no mercado após a formação.
Segundo Henry Carlo Cabra, gerente de Tecnologia e Inovação do Senai Paraná, a Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) possui uma rede robusta de institutos de tecnologia dedicados a apoiar as indústrias na adoção de inovações. “Nosso foco é manter uma estrutura que facilite o entendimento e a aplicação da inteligência artificial nas empresas”, afirma.
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Desenvolvimento e sustentabilidade no Campo
O hub já atendeu a agroindústrias com inovações que vão desde a utilização de imagens de satélite para prever a produtividade até o rastreamento de doenças nas plantações. Um caso notável é o da Gebana, que opera em Capanema e Campo Largo, focando na agricultura orgânica. A parceria com o Senai resultou em um projeto de otimização da produção, utilizando tecnologia de automação visual para o controle de ervas daninhas.
Marcio Alberto Challiol, diretor e gerente agrícola da Gebana, destaca que a máquina capinadora, equipada com sensores ópticos, realiza a capina automaticamente, preservando as plantações de soja e milho. “Esse sistema não só elimina a necessidade de herbicidas, mas também promove um manejo mais eficiente da lavoura”, explica.
A capina automatizada não apenas aumenta a produtividade, mas também contribui para a sustentabilidade ambiental, melhorando a conservação do solo e minimizando impactos negativos. Challiol menciona que, ao evitar a revolução do solo, a qualidade dos grãos é aprimorada, atendendo assim as rigorosas demandas do mercado europeu e interno.
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Tecnologia e Inovação: Potencializando a Produção
Tratores com piloto automático estão redefinindo a operação no campo, transformando as máquinas em plataformas inteligentes. De acordo com Cássio Oliveira Kossatz, diretor da K2 Agro, a automação permite que os operadores se concentrem mais na supervisão das atividades, aumentando a eficiência. “Com a precisão que a tecnologia oferece, podemos economizar até 7% em insumos”, revela.
A Valtra e a Fendt, empresas de tratores, também implementam tecnologia avançada, permitindo que as máquinas operem com precisão milimétrica, baseada em GPS. Elizeu dos Santos, gerente de marketing de produto, explica que essa tecnologia não apenas melhora a eficiência operacional, mas também assegura que os insumos sejam aplicados nas quantidades corretas e nos lugares certos.
Integração de Projetos: Parcerias que Transformam
O Hub de Inteligência Artificial do Senai não se limita à agroindústria; ele também colabora com cooperativas e instituições de pesquisa, como a Embrapa. As inovações têm se concentrado na automação de processos e monitoramento inteligente, permitindo análises mais precisas do solo e intervenções imediatas contra pragas.
Jayme Barbedo, pesquisador da Embrapa Digital, ressalta que a combinação de dados de satélite e sensores proporciona uma nova era de precisão na agricultura. Isso não apenas melhora a tomada de decisões, mas também potencializa a produtividade nas lavouras paranaenses.
Além disso, a cooperativa Integrada utiliza a inteligência artificial para otimizar o planejamento produtivo, empregando deep learning para classificar áreas agricultáveis com precisão. “A tecnologia não substitui, mas potencializa a atuação do agrônomo, tornando o processo mais eficiente e econômico”, conclui Cabra.
