Iniciativa do Ministério da Saúde em Recife
Neste mês de novembro, o Ministério da Saúde deu um passo significativo no combate aos efeitos da crise climática sobre a saúde e a segurança alimentar com o lançamento do projeto “Mudanças Climáticas, Saúde e Alimentação – Rede de Comitês Populares Ambientais em Territórios das Periferias”. Com um investimento de R$ 3,5 milhões, a ação visa criar uma rede de comitês populares ambientais para debater e desenvolver soluções nas áreas afetadas.
O evento de lançamento ocorreu na última segunda-feira (24) na Fiocruz, localizada em Recife (PE), e iniciou oficialmente as atividades do projeto. A proposta é voltada para representantes de movimentos sociais e membros da sociedade civil, independentemente do nível de escolaridade, que atuem ou residam em regiões de vulnerabilidade na Paraíba e em Pernambuco. Além disso, estudantes de graduação e pós-graduação, bem como docentes de instituições de ensino e pesquisa, têm a oportunidade de participar e contribuir com suas experiências e conhecimentos.
Importância da Participação Comunitária
A representante do Ministério da Saúde, Lívia Méllo, ressaltou a necessidade de envolver as comunidades na busca por soluções efetivas, especialmente em tempos de crises ambientais. Segundo ela, “Esse projeto é fundamental, pois frequentemente reagimos apenas após desastres ocorrerem. A pandemia, por exemplo, é uma crise que evidenciou a relação entre a ação humana e o meio ambiente”. Ela enfatizou que é crucial valorizar as experiências locais e integrá-las como tecnologias sociais dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).
Além do enfrentamento dos impactos climáticos, o projeto visa estabelecer 135 Comitês Populares Ambientais em áreas periféricas, distribuídos entre 90 em Pernambuco e 45 na Paraíba. O objetivo é fortalecer a conexão entre clima, saúde e alimentação com base nos princípios da educação popular.
Formação e Atuação dos Agentes Populares Ambientais
Os comitês têm como missão promover a solidariedade comunitária e a vigilância em saúde, possibilitando um diálogo eficaz entre conhecimentos técnicos e populares. A iniciativa também busca implementar na prática as diretrizes da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) e da Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEPS-SUS).
Para garantir o sucesso dessa estrutura, o projeto prevê a formação de 27 estudantes de graduação e pós-graduação, que atuarão como monitores responsáveis por preparar 270 Agentes Populares Ambientais. Esses monitores desempenharão um papel crucial no planejamento e na supervisão das atividades nos diferentes territórios.
A formação dos Agentes Populares Ambientais terá uma carga horária total de 168 horas. Cada comitê será composto por dois Agentes e até dez participantes da comunidade. Cada monitor ficará encarregado de cinco comitês, acompanhando diretamente dez agentes ao longo do processo.
O Papel e os Desafios dos Agentes
Os Agentes Populares Ambientais terão uma função central na criação e fortalecimento da rede, além de planejar e coordenar as atividades em suas comunidades. Eles também desenvolverão estratégias de comunicação popular, aumentando a visibilidade das necessidades locais e combatendo a desinformação sobre as questões climáticas e de saúde.
Alice Albuquerque, uma das agentes populares ambientais e estudante de artes, expressou otimismo sobre a iniciativa, afirmando que “o projeto é uma chance de fortalecer o diálogo com os territórios. Podemos escutar aqueles que vivenciam os problemas de perto e buscar soluções coletivas. Não estamos aqui para dar aulas, mas para construir conhecimento de forma colaborativa”.
Os agentes serão selecionados por movimentos sociais e devem atuar em territórios periféricos das regiões metropolitanas de Recife e João Pessoa. Para se candidatar, é necessário ter pelo menos 16 anos, disponibilidade e experiência com educação popular, além de afinidade com o tema das mudanças climáticas. O projeto é coordenado pelo Instituto Aggeu Magalhães (IAM/Fiocruz PE) em parceria com o Mãos Solidárias, a Universidade de Pernambuco (UPE) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
