Paraná é o Líder Nacional na Produção de Carne Suína
O Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), revelou na última quinta-feira (9) que o Paraná se manteve como o maior fornecedor de carne suína para o mercado interno brasileiro em 2025, marcando assim o oitavo ano consecutivo nesse destaque. Os dados foram extraídos da Pesquisa Trimestral de Abate do IBGE e do Agrostat/Mapa.
No total, o estado produziu cerca de 1,23 milhão de toneladas (t) de carne suína, das quais aproximadamente 990,48 mil t foram destinadas ao consumo interno. Essa quantidade corresponde a 23,7% do comércio total de carne suína no Brasil, que somou 4,18 milhões de t no mesmo período.
Santa Catarina segue em segundo lugar, com 851,91 mil t comercializadas internamente, representando 20,4% do total, enquanto Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul completam a lista, com 676,96 mil t (16,2%), 642,31 mil t (15,3%) e 263,59 mil t (6,3%), respectivamente.
Fatores que Contribuem para o Sucesso do Paraná
A trajetória de sucesso do Paraná no fornecimento de carne suína pode ser atribuída a diversos fatores. O estado ocupa a posição de segundo maior produtor do país e também é o terceiro maior exportador. No último ano, apenas 19,2% de sua produção foi destinada ao mercado externo. Em contrapartida, Santa Catarina, que lidera a produção e exportação, direcionou 46,8% de sua produção para exportação, enquanto o Rio Grande do Sul, que ocupa a terceira posição em produção e a segunda em exportação, destinou 33,5% ao mercado externo.
Desempenho de Outros Setores Pecuários
No que diz respeito à pecuária de corte, o cenário para os bovinos apresenta cotações firmes no atacado, com um aumento de 4% no preço do dianteiro e 4,3% no traseiro ao longo de março. Os dados do Deral mostram que, mesmo durante a Quaresma, época em que o consumo costuma cair, não houve pressão significativa para a queda nos preços.
Crescimento na Produção de Cogumelos
Outro destaque do setor agrícola paranaense é a produção de cogumelos comestíveis, que alcançou um Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 21,09 milhões em 2024. Essa produção, focada principalmente em Shiitake e Champignon de Paris, totalizou mais de 982 toneladas, concentrando-se em regiões como Castro, nos Campos Gerais, e São José dos Pinhais, na Grande Curitiba.
O boletim indica que existe espaço para o crescimento desse mercado, que ainda é pequeno no Brasil. O consumo per capita nacional é de apenas 160 gramas, bem abaixo dos 2 quilos da Europa e 8 quilos da Ásia. “A produção brasileira de cogumelos não é suficiente para atender à demanda, exigindo a importação de produtos de outros países, o que aponta para um mercado promissor. O Paraná está em uma posição estratégica para expandir esta produção e diminuir a dependência de importações, que em 2025 superaram 12 mil toneladas”, afirmou Roberto Carlos Andrade, médico veterinário e analista do Deral.
Beterraba: Cultivo em Alta
A beterraba também se destacou, com um VBP de R$ 188,3 milhões registrado no Paraná em 2024. A cultura está presente em 303 municípios, sendo Marilândia do Sul responsável por 34,5% da colheita estadual. O Deral aponta um aumento de 60% no preço da beterraba no atacado neste início de ano, com a caixa de 20 kg chegando a R$ 80,00. O preço médio recebido pelos produtores paranaenses em março foi de R$ 2,86 por quilo, um aumento de 27,31% em relação a fevereiro.
Clima e Desafios no Setor Agropecuário
O boletim também ressalta a resiliência do setor agropecuário paranaense frente aos desafios impostos pela escassez de chuvas em algumas regiões. As lavouras de milho e feijão da segunda safra estão sob atenção devido à irregularidade das precipitações e ondas de calor. Contudo, o retorno recente das chuvas em algumas áreas trouxe um alívio temporário ao estresse hídrico, alimentando a esperança de recuperação produtiva caso o clima se estabilize. “No cultivo do feijão, por exemplo, os produtores observaram uma valorização significativa do tipo carioca, que teve um aumento de 48% em um ano, o que incentivou um crescimento de 3% na área plantada deste cultivar”, explicou Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral.
