Uma Oportunidade Para o Ecoturismo
A ampliação do Parque Estadual do Guartelá pode se tornar um marco para a preservação ambiental e para o turismo na região dos Campos Gerais, elevando sua área de 799 hectares para impressionantes 9 mil hectares. Este projeto ambicioso visa não apenas oferecer mais espaço para a biodiversidade, mas também investir em infraestrutura e em pesquisa científica, transformando o parque em um dos maiores espaços protegidos do Paraná.
O acordo que possibilita essa expansão foi firmado entre o governo do estado, o Ministério Público do Paraná e a empresa Klabin, englobando um investimento que ultrapassa R$ 230 milhões. As ações contemplam a incorporação de novas áreas ao parque, além de estudos voltados à flora e fauna locais e iniciativas para a conservação de espécies em risco de extinção.
Um Processo Cuidadoso de Incorporacão
Segundo o Instituto Água e Terra (IAT), que gerencia as unidades de conservação do estado, o processo de ampliação requer uma abordagem técnica e jurídica que inicia com a declaração de utilidade pública das terras a serem adicionadas ao parque. Rafael Andreguetto, diretor de Patrimônio Natural do IAT, esclarece que essa fase de incorporação pode levar entre dois e três anos. Durante esse tempo, serão realizados o georreferenciamento das áreas e levantamentos dominiais, que identificarão os proprietários e a situação fundiária das terras.
A regularização fundiária, junto ao pagamento pelos imóveis que serão integrados ao parque, é o próximo passo, embora a formalização da expansão exija um período mais prolongado. O termo assinado entre as partes estipula até 10 anos para a conclusão de todo o processo, que abrange a regularização fundiária, a restauração ambiental das áreas e a implementação de infraestrutura necessária para a gestão do parque.
Turismo em Alta
O Parque Guartelá já atrai cerca de 30 mil visitantes anualmente, com um pico antes da pandemia de Covid-19, quando recebeu aproximadamente 40 mil pessoas. Gradualmente, esse número tem aumentado, e a expectativa é que a ampliação e as melhorias planejadas atraiam ainda mais turistas.
Além da expansão da área, o projeto inclui melhorias significativas na infraestrutura turística do parque. A gestão da parte aberta ao público será compartilhada com a prefeitura de Tibagi, e várias obras estão programadas para os próximos meses. Entre as melhorias, destacam-se a reforma do centro de visitantes, a adequação de banheiros, a ampliação da área de recepção e a recuperação das passarelas internas. Um novo mirante, com vista para o impressionante cânion do Guartelá, também será construído, assim como novos pontos de observação para os visitantes.
Propostas para a Gestão Ambiental
A ampliação do parque também contempla a criação de estruturas que fortalecerão a gestão ambiental da região. Estão previstas torres de observação para monitorar incêndios e apoiar as atividades de fiscalização. Adicionalmente, os estudos de biodiversidade que serão realizados ajudarão na atualização do plano de manejo da unidade, definindo as diretrizes para uso, conservação e pesquisa científica no parque.
Conservação e Desenvolvimento Regional
Este projeto visa não apenas aumentar a área protegida, mas também preservar ecossistemas raros dos Campos Gerais, reforçando corredores ecológicos na região. As áreas que serão incorporadas ao Guartelá incluem remanescentes de campos naturais e savanas do Sul do Brasil, que representam apenas cerca de 0,1% da cobertura original preservada no Paraná.
O acordo prevê o desenvolvimento de projetos focados na conservação de espécies ameaçadas que habitam esses ambientes, como o tamanduá-bandeira, diversas aves campestres e o veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus), cuja população é estimada em apenas 20 indivíduos no estado.
A proposta de ampliação tem o potencial de criar um mosaico de conservação, ligando o Guartelá a reservas particulares nos Campos Gerais. Além do valor ecológico, o IAT ressalta o potencial econômico que as unidades de conservação podem oferecer às regiões, especialmente através do turismo e de atividades produtivas que respeitem a natureza. “Essas áreas protegidas são fundamentais para a manutenção da biodiversidade, a qualidade da água e para o fortalecimento de atividades econômicas sustentáveis. O Guartelá é estratégico para o Paraná e pode se consolidar como um dos principais polos de ecoturismo do estado”, conclui Andreguetto.
