A Vitória de António José Seguro
No último domingo (8), o socialista António José Seguro, do Partido Socialista (PS), conquistou a presidência de Portugal em um segundo turno que deixou um recado claro para o Brasil e para o mundo. Essa vitória é vista como uma prova de que a extrema direita pode ser derrotada nas urnas, levando líderes do Partido dos Trabalhadores (PT) a olharem para Portugal como um espelho da luta contra o bolsonarismo.
Seguro superou André Ventura, do Chega, com uma margem significativa. Com cerca de dois terços dos votos, conforme as contagens avançadas, o pleito foi marcado por intempéries e algumas mudanças nos horários de votação em áreas afetadas por tempestades. O resultado, amplamente celebrado, demonstra a formação de uma frente democrática para barrar o populismo autoritário, alertando sobre os riscos à institucionalidade.
A Mensagem Positiva e os Desafios Persistentes
De acordo com a Associated Press, a vitória de Seguro foi considerada “enfática”, e sua eleição recebeu apoio de diversos segmentos da sociedade, sendo uma resposta ao crescimento do populismo. A Reuters, por sua vez, notou que, apesar da derrota, Ventura se consolidou como uma figura relevante no cenário nacional, tendo obtido uma votação superior à anterior, o que indica que a extrema direita mantém uma base social significativa e pretende se posicionar como a líder do conservadorismo em Portugal.
Para o eleitor brasileiro, a lição é clara: vencer uma eleição não significa que o extremismo desaparecerá. Na verdade, essa mudança de cenário pode ser apenas uma mudança na dinâmica do debate. A direita perde a disputa eleitoral, mas ainda se mantém mobilizada em torno de sua agenda.
A Importância do Cargo Presidencial em Portugal
Em Portugal, o papel do presidente vai além de uma figura simbólica. Embora suas funções incluam a moderação, o presidente possui instrumentos de poder, como o veto político e a capacidade de dissolver o Parlamento e convocar novas eleições, conforme a situação exigir. Isso torna a eleição um elemento fundamental para conter iniciativas extremistas.
Esse contexto é essencial para entender por que a direita democrática em Portugal se mobilizou para bloquear a ascensão de Ventura. A disputa não foi apenas formal; foi um esforço para salvaguardar as bases da democracia.
Aliados da Esquerda Brasileira Olham para Portugal
Gleisi Hoffmann, ministra da Secretaria de Relações Institucionais e deputada pelo PT-PR, celebrou os resultados como uma vitória não apenas da esquerda, mas da democracia em si. Ela enfatizou o caráter “expressivo” da vitória frente à candidatura extremista. Já o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) foi direto em sua mensagem nas redes sociais, afirmando que “Portugal nos mostra que é possível derrotar a extrema direita”, ligando o desfecho português à luta política contra o bolsonarismo que se desenrola no Brasil.
Neste contexto, a mensagem vai além de simplesmente replicar um “manual europeu”; trata-se de uma abordagem estratégica: formar alianças amplas, promover um voto consciente que valorize a democracia e enfrentar narrativas de ódio com coragem.
Uma Estratégia para o Futuro
Para aqueles que observam a política brasileira, a conexão com as eleições de 2026 é evidente. O crescimento da extrema direita ocorre principalmente quando se consegue transformar ressentimentos em uma identidade política duradoura. Embora Ventura tenha sido derrotado, ele emergiu mais forte, o que nos ensina que o campo democrático deve ser capaz de vencer de forma consistente, com entregas sociais reais, ou o extremismo poderá retornar com ainda mais força.
A derrota de líderes extremistas frequentemente requer uma união ampla, englobando o centro e a direita democrática, sem abrir mão dos valores essenciais. Essa é a estratégia que levou à vitória expressiva de Seguro em Portugal e é o tipo de abordagem que a esquerda brasileira está debatendo, apesar das tensões internas e dos ruídos nas redes sociais.
Portugal está se mostrando uma luz orientadora, evidenciando que a defesa da democracia não se faz com uma postura neutra, mas sim através de coalizões, votos e a coragem de enfrentar a extrema direita como uma ameaça real.
