Desespero e ferimentos marcam a experiência de quem enfrentou o fenômeno em São José dos Pinhais
“Estou toda machucada, toda roxa”, desabafou a jovem que, ao ser surpreendida por um tornado em São José dos Pinhais, no Paraná, precisou se agarrar a uma árvore para escapar dos ventos fortes. “Fui atingida nas costas por um pedaço do portão de uma empresa que estava ali. O portão subiu e, quando desceu, quebrou. Um dos pedaços acertou minhas costas”, relatou.
O tornado, ocorrido no último sábado (10), foi classificado com intensidade F2 na Escala Fujita, que avalia a força dos tornados de acordo com os danos causados. O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) registrou ventos de até 180 km/h e um percurso de cerca de um quilômetro, que começou em Piraquara. Embora tenha se movido rapidamente, o fenômeno não tocou o solo o tempo todo.
Imagens capturadas por câmeras de segurança mostram o momento em que a jovem, ao notar a intensidade da ventania, tenta se proteger. Ela é vista atravessando a rua e se agarrando a uma árvore para não ser levada pelo vento. Em meio ao caos, galhos caem e ela acaba perdendo o equilíbrio, caindo no chão. O vídeo é interrompido logo depois pela queda do sinal da câmera, causada pelos fortes ventos.
Voltando do trabalho, a jovem estava no bairro Guatupê quando a tempestade começou. “Eu havia saído do meu trabalho às 17h20 e estava indo para o ponto de ônibus. Quando percebi as telhas voando, pensei em voltar correndo. Assim que retornei, abracei uma árvore […] Eu achei que ia morrer e pedia pela misericórdia de Jesus […] Não conseguia imaginar como iria sair dessa situação”, comentou.
O tornado atingiu o município de São José dos Pinhais com grande força, causando estragos significativos, especialmente no bairro Guatupê. Segundo a Defesa Civil Estadual, cerca de 350 residências foram afetadas, impactando aproximadamente 1,2 mil pessoas. Além disso, duas pessoas sofreram ferimentos leves durante o evento.
A intensidade F2 do tornado indica uma velocidade de vento entre 180 km/h e 220 km/h. O meteorologista Leonardo Furlan esclareceu: “Classificamos o tornado como F2 na escala mais baixa, considerando que os ventos estavam em torno de 180 km/h”.
A Escala Fujita é utilizada no Brasil para categorizar tornados com base na gravidade dos danos que provocam. Quanto mais destrutivo for o fenômeno, maior é a categoria atribuída, com classificações que vão de F0 a F5.
As consequências do tornado no bairro Guatupê foram graves. Equipes de emergência reportaram quedas de árvores, danos na rede elétrica, desabamentos de muros e a perda de telhados e pilares de uma empresa local. A situação exigiu a mobilização de diversas equipes de resgate e assistência, que trabalham para avaliar e mitigar os danos.
