Laudo Identifica Tornado F2 em São José dos Pinhais
Na última quinta-feira, dia 15 de janeiro, o Governo do Paraná, por meio da Secretaria do Desenvolvimento Sustentável (Sedest) e do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), apresentou à prefeita de São José dos Pinhais, Nina Singer, o laudo técnico final referente ao tornado que atingiu a cidade no final da tarde do dia 10 de janeiro. A entrega do documento foi realizada pelo secretário Rafael Greca e pelo diretor-presidente do Simepar, Paulo de Tarso.
O relatório classifica o fenômeno como um tornado de categoria F2 na Escala Fujita, apresentando ventos que variam entre 180 km/h e 253 km/h. Embora tenha ficado na faixa inferior dessa classificação, o evento causou danos significativos e foi classificado como atípico e pontual. Paulo de Tarso esclareceu que este episódio não reflete um padrão de recorrência para a região, ressaltando que se tratou de um fenômeno isolado. Ele destacou que São José dos Pinhais e a Região Metropolitana de Curitiba não estão dentro de uma rota habitual de tornados no Paraná.
“O que ocorreu foi a combinação muito específica de condições meteorológicas — calor, umidade, instabilidade atmosférica e dinâmica dos ventos — que favoreceu, de forma excepcional, a formação desse tornado”, comentou Tarso.
Trajetória do Tornado e Seus Efeitos
Segundo informações do Simepar, o tornado teve origem no bairro Guatupê, percorrendo mais de um quilômetro em um trajeto que ia do nordeste para o sudoeste, abrangendo a divisa com Piraquara e Pinhais até a Rua do Girassol. O fenômeno teve um comportamento intermitente, com a nuvem funil tocando o solo em determinadas áreas e se elevando em outras, o que resultou em danos concentrados e pontuais.
Esse laudo foi produzido através de uma força-tarefa multidisciplinar que se mobilizou imediatamente após o evento. As equipes utilizaram uma variedade de dados, incluindo radares meteorológicos do Paraná e de estados vizinhos, imagens aéreas capturadas por drones equipados com sensor Lidar, além de vistorias detalhadas em campo. Meteorologistas percorreram toda a área afetada, avaliando destelhamentos, danos estruturais, quedas de árvores e o deslocamento de objetos, complementando as análises com relatos da população local.
De acordo com a Defesa Civil Estadual, cerca de 350 residências foram afetadas, impactando aproximadamente 1,2 mil pessoas, com apenas duas vítimas leves registradas. Em resposta aos danos, o governo estadual enviou 2,6 mil telhas para auxiliar as famílias atingidas.
Cenário de Instabilidade Atmosférica no Paraná
O relatório também coloca o tornado em um contexto mais amplo de instabilidade atmosférica que prevalecia no Paraná naquele dia, caracterizada por uma grande disponibilidade de calor e umidade, além da influência de um sistema de baixa pressão. A célula de tempestade severa que deu origem ao tornado passou por áreas como Almirante Tamandaré, Colombo e Curitiba antes de atingir São José dos Pinhais, seguindo sua trajetória em direção ao Litoral.
Este evento, embora pontual, serve como um lembrete da importância de monitorar as condições climáticas e entender os fenômenos extremos que podem surgir em regiões onde, em geral, a ocorrência de tornados é considerada rara.
