Ações em Prol da Segurança Alimentar
Desde novembro de 2023, uma colaboração entre diferentes ministérios do Governo Brasileiro tem permitido que as equipes de Saúde da Família e das Unidades Básicas de Saúde (UBS), integradas à rede do Sistema Único de Saúde (SUS), realizem uma investigação abrangente sobre o acesso das famílias brasileiras a dietas alimentares, considerando tanto a qualidade quanto a quantidade dos alimentos disponíveis.
O principal intuito desta ação é, através de um diálogo direto com a população, identificar o risco de insegurança alimentar e, a partir desse diagnóstico, propor intervenções específicas para evitar ou mitigar esse problema. Para isso, as equipes utilizam a Triagem para Risco de Insegurança Alimentar (TRIA), que consiste em duas perguntas simples, mas reveladoras:
a) Nos últimos três meses, os alimentos acabaram antes que você tivesse dinheiro para comprar mais comida?
b) Nos últimos três meses, você consumiu apenas alguns alimentos que ainda tinha, porque o dinheiro acabou?
Um indivíduo é considerado em risco de insegurança alimentar quando responde afirmativamente às duas indagações. Além disso, a metodologia estabelece que se uma pessoa do domicílio estiver nessa situação, todos os membros da família são classificados como estando em risco também, permitindo um olhar mais amplo sobre o problema.
Integração dos Sistemas de Saúde e Assistência Social
A TRIA, conforme detalhado em um relatório do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), é uma parte fundamental da estratégia de integração entre o SUS, o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN). Essa integração é vital para o combate à fome no Brasil, identificando efetivamente o risco de insegurança alimentar nas residências.
Os dados coletados por meio da triagem são essenciais para que os serviços de Atenção Primária à Saúde (APS) monitorem a prevalência do risco de insegurança alimentar e para que o SUAS acompanhe a situação das famílias que recebem benefícios de transferência de renda, bem como aquelas que têm potencial para se tornarem elegíveis.
Até o início de 2025, espera-se que a TRIA seja aplicada em 5,4% dos municípios do Brasil, ampliando a cobertura e alcançando um maior número de famílias vulneráveis.
Impacto do Bolsa Família e Resultados Mensuráveis
Um dos dados mais significativos coletados através da TRIA é a eficácia do programa Bolsa Família na redução do risco de fome. Os resultados indicam que a inclusão no programa aumenta em 11,2% a probabilidade de uma família deixar a insegurança alimentar, e essa chance aumenta 3,2% a cada mês que a família permanece no programa.
Os números são claros: entre as famílias beneficiadas pelo Bolsa Família, 16% conseguiram superar a insegurança alimentar, enquanto apenas 13% das famílias não beneficiadas tiveram o mesmo êxito. Para Valéria Burity, secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, essas informações são cruciais para aprimorar as políticas públicas que visam erradicar a fome no país.
Em 2025, o Brasil alcançou a marca de menos de 2,5% da população em situação de subnutrição, um avanço significativo que demonstra a importância da produção de dados sobre insegurança alimentar e nutricional. Burity destaca que, com a melhoria contínua na coleta e análise dessas informações, será possível identificar e atender aos que ainda enfrentam essa realidade difícil.
Expansão da Cobertura da TRIA e Monitoramento Contínuo
Entre julho de 2024 e fevereiro de 2025, a aplicação da TRIA mostrou um crescimento impressionante de 86,2%, passando de 2,9% para 5,4% dos domicílios nos municípios brasileiros. Esse aumento representa um avanço significativo na identificação de famílias em risco de insegurança alimentar, com a cobertura aumentando especialmente no Nordeste e no Norte do Brasil.
Com a integração dos dados da saúde familiar ao Cadastro Único, as ações do governo se tornam mais direcionadas e eficazes. O Protocolo Brasil Sem Fome, que promove a colaboração entre SUS, SUAS e SISAN, está em andamento, proporcionando suporte técnico e mobilização para que estados e municípios possam identificar e atender as famílias em situação de risco.
A secretária do MDS finaliza ressaltando que a continuidade do monitoramento e a integração de informações são fundamentais para transformar os dados em ações concretas que beneficiem a população mais vulnerável e garantam segurança alimentar para todos.
