Soluções Sustentáveis para um Desafio Antigo
A Ilha de Eufrasina, situada a apenas 12 quilômetros de Paranaguá, enfrentou por anos a grave questão da falta de saneamento básico. Com uma população de cerca de 70 famílias, a realidade era alarmante: cada residência despejava o esgoto diretamente no mar. No entanto, graças a iniciativas científicas, a situação começou a mudar.
Pesquisadores do Centro de Estudos do Mar (CEM), da Universidade Federal do Paraná (UFPR), implementaram sistemas alternativos de tratamento de esgoto, adaptando as soluções às condições específicas de cada lar da ilha. Este local não é apenas uma área residencial, mas também um destino turístico promissor no litoral paranaense.
Transformação Através da Parceria
A iniciativa, que teve início em 2023, é apoiada pela Portos do Paraná, um complexo portuário que atua em parceria com o projeto. Agora, todas as casas de Eufrasina contam com saneamento adequado, algo impensável anteriormente, dada a dificuldade de implantar uma rede tradicional de tratamento de esgoto naquela geografia desafiadora.
Fernando Armani, professor da UFPR e coordenador do projeto, explica que o saneamento convencional requer uma rede coletora que transporta o esgoto para uma estação de tratamento. No entanto, devido à dispersão das casas, ao solo rochoso e às trilhas sinuosas da ilha, essa abordagem seria financeiramente inviável. “A solução precisa ser adaptada, levando em conta a realidade local,” afirma Armani.
Inovação com Minhocas e Jardins Filtrantes
As soluções encontradas para o tratamento de esgoto foram personalizadas para cada residência. A casa da turismóloga Francislaine Viana, por exemplo, recebeu um vermifiltro, um sistema que utiliza minhocas para realizar o tratamento do esgoto. “Antes, nós nos sentíamos envergonhados por despejar o esgoto no mar. Hoje, temos orgulho de usar as minhocas como parte do nosso sistema de tratamento,” conta Francislaine.
Outra alternativa implementada na comunidade foram os biodigestores artesanais, que consistem em três barris que filtram e transformam o esgoto, gerando um líquido que é despejado em um “jardim filtrante”. Este sistema, também conhecido tecnicamente como sistema alagado construído, funciona como um filtro natural, combinando sedimentos como pedras e areia com as raízes das plantas e microrganismos presentes no ambiente.
Impactos Positivos na Comunidade
Os resultados dessas inovações já são visíveis. A comunidade de Eufrasina percebeu melhorias significativas, tanto no cotidiano dos moradores quanto na experiência dos visitantes. “Estamos desenvolvendo o turismo e agora podemos garantir que os turistas podem tomar banho no mar. Anteriormente, havia receios devido à contaminação, mas agora temos certeza de que a água está limpa,” destaca Francislaine.
Ainda que os sistemas de tratamento de esgoto estejam funcionando, o trabalho dos pesquisadores não chega ao fim com a instalação das soluções. A equipe continua monitorando a qualidade da água do mar e das ostras da ilha, que antes eram consideradas impróprias para banho. Hoje, as análises mostram que a água é adequada para atividades aquáticas.
Assim, a transformação na Ilha de Eufrasina não apenas melhora a qualidade de vida de seus moradores, mas também abre portas para um turismo mais sustentável e consciente, promovendo um ciclo de prosperidade para a região.
