Expectativa de Safra Recorde
No ano de 2025, o Paraná se consolida como líder na exportação de aves e prevê uma safra recorde de soja, com a produção estimada em 22 milhões de toneladas. Esses dados foram divulgados no boletim semanal do Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), na última quinta-feira (12).
Durante a semana, aproximadamente 347 mil hectares de soja foram colhidos no estado, representando cerca de 20% da área total plantada. A colheita da safra 2025/26 já está mais avançada na região Oeste, que abriga cerca de 18% dos 5,78 milhões de hectares cultivados neste ciclo. Segundo Edmar Gervasio, técnico do Deral, “a expectativa é que, com os 22 milhões de toneladas, o Paraná represente cerca de 13% da produção nacional, mantendo-se como o segundo maior produtor do Brasil”.
Desafios no Mercado da Soja
Em termos nacionais, a produção de soja no Brasil para o ciclo 2025/26 é estimada em 176 milhões de toneladas, o que, se confirmado, seria um novo recorde para o país. No entanto, o mercado da soja enfrenta desafios. Os preços de venda no Paraná para a saca de 60 kg estão em torno de R$ 112, uma redução de 6% em relação ao preço médio de fevereiro de 2025. Essa queda de preços contrasta com o cenário internacional, onde os valores na Bolsa de Chicago subiram quase 10%. “Essa disparidade é atribuída, essencialmente, à valorização do real em relação ao dólar, que teve uma queda de aproximadamente 9%”, complementa Gervasio.
Produção de Frango em Alta
O Paraná se destaca também como o maior produtor e exportador de aves do Brasil, contribuindo com 40,8% do total exportado e 38,9% da receita cambial do setor. Em 2025, o estado exportou 2.103.688 toneladas de carne de frango, gerando um faturamento de US$ 3,713 bilhões.
Embora as exportações brasileiras de frango tenham crescido 0,1% em volume, houve uma queda de 1,9% nas receitas. Os dados do Agrostat Brasil, do Ministério da Agricultura, revelam que o volume exportado de carne de frango “in natura” caiu 5,9%, passando de 4.855.517 toneladas em 2024 para 4.567.786 toneladas em 2025, o que resultou em uma retração de 5% no faturamento do produto “in natura”, que somou US$ 8,602 bilhões em 2025, comparado a US$ 9,055 bilhões em 2024.
Estabilidade na Cafeicultura
Na cafeicultura paranaense, a perspectiva é de estabilidade na produção. Carlos Hugo Godinho, técnico do setor, aponta que em 2025 a colheita em uma área de 25,2 mil hectares resultou em 44,3 mil toneladas. Para este ano, com uma área semelhante, a produção é estimada em 42,8 mil toneladas, o que representa uma queda de 3% em relação ao ano anterior. No entanto, as boas condições climáticas podem melhorar a produtividade esperada. “Não seria surpreendente se repetíssemos o volume de 2025 em 2026”, afirma Godinho.
No entanto, os preços do café estão em queda, mesmo fora da safra. Este ano, os preços iniciaram uma trajetória de redução, com uma média de R$ 1.892 na primeira semana de fevereiro, 23% inferior ao mesmo período em 2025, que foi de R$ 2.446,64. A cafeicultura no Paraná enfrenta desafios, já que a cultura perde espaço para outros grãos, necessitando de um período de estabilidade financeira para reverter essa tendência.
Produção de Batatas e Suínos
Na safra atual, o Paraná está cultivando 26,8 mil hectares de batatas. A primeira safra, semeada entre agosto e novembro, ocupa uma área de 16,7 mil hectares, dos quais 86% já foram colhidos. Paulo Andrade, do Deral, informa que a produção é estimada em 555 mil toneladas, com 80% da comercialização já realizada. O preço médio da batata lisa ficou em R$ 26,04 a saca de 25 kg em janeiro, uma redução de 16% em relação ao mês anterior.
Em relação à produção de suínos, o Paraná teve a melhor rentabilidade dos últimos cinco anos, com uma margem média de R$ 1,03 por quilo em 2025. Priscila Marcenovicz, do Deral, explica que este desempenho é positivo para o setor, que vinha enfrentando prejuízos desde 2021. Para 2026, espera-se uma redução na rentabilidade, tendo em vista a menor demanda, sendo que o preço do suíno foi de R$ 6,94/kg em janeiro, uma queda de 1,8% em comparação a dezembro de 2025.
